Nesta Semana Nacional do Trânsito, aproveito para parabenizar aos profissionais que trabalham e regulamentam o trânsito (DETRAN, Polícias Militar , Rodoviária Estadual e Federal, Guarda Municipal e a todos aqueles que põem em prática no seu dia-a-dia todas as teorias aprendidas nos tempos de auto-escola), principalmente a tão pouco observada direção defensiva; e também aproveito para reeditar um artigo escrito por mim em maio deste ano. Trata-se de uma necessária reflexão a respeito do conturbado trânsito observado (e sofrido!) nas principais cidades do Brasil:
ME RESPEITEM!
Muitos me acham agitado, perigoso, confuso... outros tantos tentam fugir de mim apavorados. Tem também aqueles que preferem me enfrentar, achando que tem alguma chance de escaparem ilesos de suas investidas e algumas agressões e transgressões. O fato é que com o passar dos anos eu tenho me sentido cansado de sofrer tantos abusos de pessoas que colocam em mim a culpa de tantas tragédias, tantas vidas ceifadas, muitas outras transformadas de forma drásticas, mudando suas realidades, limitando seus passos.
Pouco mais de um século se passou e a cada ano me sinto mais louco. Estudiosos do mundo todo tentam encontrar solução para o meu problema. Enquanto a solução não chega, muitas vidas continuam se perdendo. Penso que se as pessoas fossem menos apressadas, se respeitassem mais, muitas vidas seriam poupadas, e então me veriam com outros olhos. Infelizmente o que vejo diariamente, é a pressa de se chegar a algum lugar a qualquer custo. Não importa se tem alguém querendo cruzar a faixa de pedestre: o motociclista se acha mais importante do que qualquer outro mortal. E lá foi ele!
Tem também aquele motorista com um carro novinho em folha...ei! mas parece que já tem um defeito: não tem seta, porque fez uma conversão sem dar sinal! O caminhoneiro, por estar num veículo maior que os outros, deve ter mais direitos porque avançou sobre outro veículo fazendo o motorista deste se esquivar para não dar lucro ao funileiro. Tem também aquela moça bonita, mas desatenta falando ao celular enquanto cruza o sinal vermelho, e o garoto numa bicicleta curtindo um som no seu walk-man quase nem percebeu que alguém teve que frear bruscamente para não atropela-lo. Coitada da velhinha que na altura de seus quase 90 anos por pouco não é atropelada pelo veículo (que por sua vez estava bem acima dos 80, sem trocadilhos, é claro).
Eu sonho em ser a realidade de cada cidadão de bem que, antes de sair de sua casa, rumo ao trabalho faz uma oração aos céus, pedindo proteção a si e a cada transeunte que vai conviver em seu trajeto. Que projeta em sua mente cada trecho a ser percorrido para não ser surpreendido por uma desagradável novidade. Que leva a sério aquele mandamento de Deus (“Não Matarás”); que respeita os limites de velocidade estipulados por cada via pela qual passa. Que protege e dá preferência a ciclistas e pedestres, cadeirantes e idosos, e não apenas àquela boazuda que ele faz questão de parar para vê-la desfilar em frente ao seu veículo. Tenho certeza de que a grande maioria daqueles que têm que passar por mim no seu dia-a-dia, querem que eu seja mais humano, calmo e por que não dizer: divertido! Porque dirigir ou pilotar é uma arte, e será muito prazeroso desde que me respeitem!
Muito prazer! Eu sou o trânsito.
* O autor é ciclista, motociclista, motorista e pedestre douradens. e-mail: [email protected]. Twitter: @Zero_Peixe