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Opinião

Eu insisto na pergunta

29 de setembro 2011 - 18h16 Por Enio Ribeiro de Oliveira
Eu insisto na pergunta
Esforçar-me-ei, neste artigo, amigo leitor, para fazer uma reflexão sobre o papel do professor e as condições que lhes são dadas para desempenhá-lo.

Ao professor cabe intermediar e estimular o aluno no processo de apropriação, produção e ressignificação do conhecimento. É oportuno lembrar que este, chega a escola portando algum conhecimento, empírico e/ou em estágio sistematizado (científico); logo da escola, e de forma, muito especial, do professor, o papel a ser desempenhado é o de ajudá-lo avançar de um estágio de conhecimento já apropriado para um nível superior, isto é, sistematizado e de natureza científica; esta intermediação tem, de um lado, o aluno e de outro, a sociedade; esta última, aposta que a escola, e por conseqüência, o professor – não somente ele, haja vista ser a mesma, composta por outros profissionais (merendeiras, coordenadores, funcionários administrativos, faxineiras, etc.) todos, sem exceção, educadores – assegure ao aluno integrar-se plenamente ou lutar pela transformação da sociedade.

A integração será desejada, no caso, evidentemente, de a sociedade, encontrar-se num estágio evolutivo – aspectos políticos, econômicos, sociais, científicos, morais e filosóficos – considerados ideais; caso contrário, espera-se que seja um espaço que se preste para buscar caminhos visando à superação deste estágio.

Este papel, o professor, tem encontrado na prática muita dificuldade de realizá-lo. A alegação é de que, por estar submetido a uma jornada de trabalho desumana, na qual é consumido na tarefa de ministrar aulas, praticamente todos os dias da semana; coordenar vários projetos (trânsito, questão racial, combate a dengue, meio ambiente, etc.); e mais: estar inteirado das particularidades familiares e profissionais de cada aluno; realizar recuperação paralela, reelaboração de provas para alunos que as perderam – atividades, sem dúvida importantes e necessárias - mais consumidoras de todo o seu tempo.

O trabalho pedagógico na escola tem que possibilitar ao professor, além das atividades já relacionadas, tempo para pesquisas, fazer leituras, reflexões, visitas e intercâmbio com outras escolas, universidades e institutos de pesquisas, bem como, tempo para convivência com a família.

Evidentemente para o ensino na escola atingir um nível de excelência, uma das lutas a serem empreendidas, é naturalmente, a conquista de condições de trabalho satisfatórias para os educadores, as quais, no presente atuam como inviabilizadoras de um ensino de qualidade.

Estamos desafiados, na condição de trabalhadores intelectuais, a pensar, a ousar, a contestar e radicalizar no enfrentamento das condições adversas, a que estamos submetidos. Não podemos cair no discurso de dizer: “não fazemos um bom trabalho porque as condições são desfavoráveis”.

Do educador e da escola, espera-se, dentre vários papéis, a reflexão e a capacidade de apontar caminhos para a superação de adversidades. A escola tem que ser entendida como espaço de integração e/ou de transformação.

Nós educadores não devemos dizer que, enquanto não tivermos condições ideais não faremos um bom trabalho, sob pena de estarmos assumindo, ainda que de forma inconsciente que a educação não se presta para a construção de uma sociedade superior e mais justa.

Enio Ribeiro de Oliveira é professor de Geografia da rede estadual de ensino