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Opinião

A Família pede socorro – Parte II

30 de setembro 2011 - 20h20 Por Julio Saldivar
A Família pede socorro – Parte II
Importante, a princípio, dizer que vivemos em um estado democrático, onde a liberdade de expressão encontra-se destacada na nossa Constituição Federal. Na busca de se construir uma sociedade mais justa e igualitária, por mais ignorante que seja o cidadão, importante que este tenha plena liberdade de se manifestar, mesmo que não seja um catedrático no assunto sobre o qual discorre, afinal de contas, principalmente quando se fala deles, dos vários problemas políticos e sociais, discorremos sobre uma realidade vivenciada e que atinge todo cidadão brasileiro, independente da sua condição financeira, grau de escolaridade e outras condições. Digo isso para deixar claro que não estamos aqui, com nossa opinião, querendo fazer frente à experts dos assuntos que comentamos, ou a jornalistas e escritores, articulistas consagrados, principalmente aqui da nossa Dourados, que, para não sermos injusto ao nominarmos, são vários aos quais temos o maior respeito e admiração.

No artigo anterior, sobre este mesmo tema, opinei sobre a importância do trabalho para a família, e também dos fatores negativos, ou seja, aqueles que afetam o convívio familiar. O convívio familiar prejudicado pode ser a principal causa de desvios de condutas, principalmente de jovens e adolescentes.

Aproveitando o assunto, falo um pouco da minha família. Meus avos e treze filhos, de 1945 para cá, construíram aqui em Dourados uma família que hoje beira a duzentos integrantes. Da convivência dos irmãos homens, filhos de meus avos, vêm o grande exemplo. Cinco irmãos companheiros, unidos por um amor fraterno, que, mesmo depois de cada um constituir sua própria família, permaneceram por muitos anos trabalhando juntos, cada qual com sua função hierarquicamente combinada, dividindo o lucro que obtinham da grande quantidade de serviços que executavam no ramo da construção civil aqui em Dourados e em várias cidades do nosso Estado. Dessa união e sucesso na vida profissional, surgiram as grandes amizades e a participação efetiva na construção da sociedade douradense. Ensinaram-nos que, onde existe respeito, amor e união, existe felicidade. Hoje, seus filhos e sobrinhos, como eu, profissionais formados nas mais diversas áreas, como Medicina, Engenharia, Advogados, Contabilistas, Professores, Pedagogos e outros, tem a responsabilidade de manter a tradição de um nome de família, Saldivar, construído nas bases do amor, da moral, da ética, e do respeito ao próximo.

Voltando ao tema, depois do trabalho falo hoje de outra das mais importantes condições necessárias para a felicidade da família. Ser feliz com a precariedade no atendimento que temos na área da saúde realmente não e fácil. O SUS no papel se constitui em dos melhores programas de saúde publica do mundo, mas só no papel. O Sistema Único de Saúde, custeado pelo Governo Federal, e administrado pelos municípios, compõe-se de vários programas destinados a suprir a necessidade do cidadão, e da família claro, de atendimento em todas as áreas da saúde.  Apesar dos avanços e melhorias implantadas nos últimos anos, e da grande quantidade de verba destinada, a família brasileira continua sofrendo com a deficiência do atendimento nos mais simples procedimentos na área da saúde.

Pode ser que o dinheiro seja pouco, ou pode ser também que esteja sendo mal administrado, mas como já disse em outro artigo, aqui para Dourados o Governo Federal destina, para aplicação nos diversos programas do SUS, em media, algo em torno de sete milhões de reais por mês, somem-se a isso os diversos convênios firmados, o repasse do Estado de MS e mais a parcela da arrecadação municipal que tem de ser aplicada na área, e não se consegue ter um atendimento ao mínimo regular.  Claro, sabemos que essa precariedade não se resume a Dourados. Assistimos casos diários e estarrecedores nos quatro cantos do Brasil, relacionados a essa área. Mas isso não significa que devemos ficar esperando a coisa ser arrumada no restante do Brasil, temos que procurar melhorar aqui, e já. Como aceitar o fato de há tanto tempo convivermos com os mesmos problemas, alguns relacionados à simples organização do atendimento, marcações de consultas e exames, controle de estoques de medicamentos e materiais básicos para que não faltem, mas que nenhum administrador público consegue solucionar. Faltam equipamentos, mas quando são adquiridos permanecem encaixotados por longos períodos ate que se tome a iniciativa de cumprir todo procedimento burocrático para coloca-lo em funcionamento, isso quando o equipamento não e adquirido sem sequer existir um local adequado para instalar, como já aconteceu aqui em Dourados.

Em 1994 foi criado pelo Governo Federal o Programa de Saúde da Família – PSF. Pelo que entendo, o PSF deve funcionar através de uma equipe, por Unidade Básica de saúde, formada por Agentes de Saúde, Enfermeiros e Médico responsável, que devem prestar assistência domiciliar, agindo no controle, na prevenção, e efetuando pequenos procedimentos. Programa, que, também e muito bom no papel, mas na pratica não funciona. De nada adianta o Agente de Saúde detectar um problema na residência da família, se o atendimento efetivo vai emperrar no momento em que se encaminha a pessoa para uma Unidade Básica de Saúde, ou para a rede hospitalar. Outro fator, se não tem médicos suficientes para atender nas Unidades Básicas de Saúde, imaginem para atender o paciente no domicilio, nem em sonho.

Como e possível a um trabalhador, ou alguém da família, adoecer sem que isso cause um trauma, ainda maior que o fato da doença em si, irreparável na vida da família, tendo como opção única de atendimento a rede publica de saúde, mas que, para isso, ter de passar por situações vexatórias e repugnantes, como ficar jogado em macas ou cadeiras nos corredores de hospitais, ou correndo de hospital em hospital sem conseguir atendimento de urgência como ocorre nos grandes centros.

Não se cumpre a Constituição Federal quando se trata de manutenção dos direitos básicos do cidadão, e as diferenças ficam expostas quando se compara o atendimento entre o publico e o privado, principalmente na área da saúde. A diferença gera revolta, a revolta pode trazer consequências irreparáveis, para o cidadão, para a família e para a sociedade como um todo.

*O autor é empresário, nascido em Dourados/MS. E-mail: [email protected]