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Opinião

No tabuleiro, os peões

14 de outubro 2011 - 19h08 Por Edson Moraes
No tabuleiro, os peões
Os peões de plantão a serviço dos projetos do governador André Puccinelli, do prefeito Nelson Trad Filho, do senador Delcídio do Amaral e do deputado federal Edson Giroto são os que mais se mexem no tabuleiro. Mais comedida, embora não com menor apetite, a peãozada do tucano Reinaldo Azambuja empreende pertinaz semeadura nos diferentes cenários sociais de Campo Grande.
Enigmática e imprevisível, a capatazia de Zeca do PT deixa transparecer duas impressões sintomáticas: uma, a de que o ex-governador não vai se esforçar mais do que o normal para restabelecer a melhor das relações que teve um dia com Delcídio; outra, a de que ele continua muito agastado com o tratamento que o Planalto vem dispensando aos pleitos do partido, no caso, o preenchimento de cargos federais em Mato Grosso do Sul.
O peão da política tem funções semelhantes às do peão do xadrez. Poderia ser chamado boi de piranha, porque é obrigado a andar para a frente, não pode jamais recuar. Quando avança e consegue chegar à primeira fileira adversária, é promovido. A promoção consiste na sua retirada do tabuleiro para ser substituído por outra peça, geralmente a dama.
O peão da política faz tudo isso e mais: livra quase sempre a cara do chefe, por quem está disposto a se sacrificar, se necessário. Um dia toma suas dores; no outro assume seus erros e desditas na tentativa de poupá-lo. As semelhanças, porém, não impedem que diferenças abissais se pronunciem. Uma delas é a graduação. No xadrez, os peões são todos iguais, não há escala hierárquica entre eles. Na política, há peões de classe especial e os de diferentes escalões. Uns nem sempre sabem o que fazem os outros. Talvez este seja o motivo pelo qual o PMDB ainda não sabe como fazer para equacionar 2014 sem prejuízo de 2012 e o PT se sujeite a uma navegação torta, quase à deriva e cada vez mais dependente do vento que for soprado pelo adversário.
Os peões são peças simples, nunca simplórias. Cumprem ordens para ordenar o jogo. Tanto Zeca quanto Nelsinho e André abarrotaram seus governos de peões fiéis e prestativos, mas cada gestão teve e terá seus peões malditos, aquela parte que impede o todo de falar a mesma linguagem. Tem peão andando para trás e peão fazendo sua própria e conveniente leitura da palavra do rei.

Por essas e outras - e os dias seguintes vão mostrar - o PMDB terá que descer do trono para constatar que o PSDB de Reinaldo Azambuja já se despiu da indumentária da vassalagem e o PT precisará entender que Zeca e Delcídio, reconciliados ou não, de bem ou de mal, são mortais e perecíveis, e que quem deve sobreviver são suas idéias e sua história.

Se o rei não ensina seu peão a pensar assim, terá sempre sob seu jogo um reinado de senhores e vassalos - de mediocridade e limitações, de imediatismos e perfumarias. Jogar xadrez é muito mais profundo, saudável e educativo.
O autor é jornalista e blogueiro (www.edsonmoraes.jor.br)