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Opinião

Escola: local de apropriação e de produção do saber.

04 de novembro 2011 - 20h01 Por Enio Ribeiro de Oliveira
Escola: local de apropriação e de produção do saber.
Amigo leitor, no presente artigo, empreenderei uma reflexão sobre o papel da escola.

Tal reflexão é oportuna, tendo em vista que a sociedade de maneira geral, não raro, manifesta a opinião de que o ensino nas escolas brasileiras, normalmente não apresenta uma boa qualidade, como uma resposta aos resultados das condições insatisfatórias (baixos salários, salas superlotadas, alunos desinteressados, jornada extensa de trabalho, etc) vivenciadas pelas mesmas.

Discordo totalmente desta forma de pensar. Justifico: a escola é uma instituição que tem como papel contribuir não só para a apropriação do saber, mas também, para a sua produção.

Evidentemente, promovendo a apropriação do saber socialmente e historicamente produzido, a escola contribui para a integração do aluno e da comunidade escolar à sociedade. Todavia, caso perceba que o saber apropriado não possibilita esta integração, esta instituição deverá reelaborá-lo, produzindo assim, um novo saber, capaz de assegurar a sociedade o atendimento de suas necessidades.

Na escola, em maior grau, os professores realizam um trabalho intelectual, mas também os demais profissionais, pais e alunos, realizam um trabalho de mesma natureza, logo, o papel desta instituição é a apropriação do saber socialmente e historicamente produzido, e, simultaneamente, refletir se o mesmo uma vez apropriado atende plenamente as necessidades da comunidade escolar e da sociedade; se a resposta for negativa, cabe repensá-lo e reelaborá-lo de forma que atenda a esta prerrogativa.

No entanto, infelizmente, é prática comum, a comunidade escolar pensar a escola somente no papel de integrar o aluno á sociedade; porém, se a sociedade, estiver num estágio não desejado pela população, o papel da escola é pensar alternativas que levem a superação das contradições sociais que atuam como impedimento ao bem estar da mesma.

E aqui, utilizarei uma expressão popular: “é aí que a porca torce o rabo”, ou seja, nós os educadores e por extensão, a escola fazemos o discurso da impotência, da impossibilidade de ofertar um ensino de boa qualidade, em razão de condições insatisfatórias desfrutadas pela mesma.

Tal justificativa é equivocada, pois, quando estas condições são adversas, mais relevante é o papel a ser desempenhado pela escola, qual seja, o de refletir sobre uma determinada realidade, a qual uma vez constatada como indesejável, demanda pensar ações que a transformem.

Quando dizemos que não podemos fazer nada porque as condições na escola são adversas, isto equivale alguém dizer, tal país nunca será desenvolvido porque é atrasado. Ninguém em sã consciência dirá isso. Um país atrasado, obviamente, poderá sim, ser desenvolvido. Requer, isto sim, atitudes do seu povo para desenvolver-se; logo a escola, diante de uma realidade adversa está desafiada a pensar como enfrentá-la e transformá-la.

Nós, os educadores, partindo das condições dadas, temos que construir alternativas para chegar aos objetivos desejados, sob pena de, se assim não agirmos, estarmos admitindo que a educação sirva apenas para a integração do cidadão à sociedade.

Sou daqueles que pensa a escola como uma instituição, ainda que diante de muitas adversidades, capaz de contribuir para transformação social de um país, o que passa, evidentemente pela reversão de uma realidade adversa, vivida por ela mesma.

O autor é professor de Geografia da rede estadual de ensino