Em Dourados atuando como repórter policial, onde vivenciei e registrei fatos em que milhares de famílias se auto destruíram por ter um ou mais filhos usuários de drogas em suas casas, há cerca de cinco anos ou mais fiz, em uma matéria, após a detenção de um usuário que tinha os pais, digamos assim, bem financeiramente, um alerta no programa de rádio na qual trabalhava, sobre o avanço do consumo do cráck na classe média e alta e levei um pau daqueles de alguns críticos, uma vez que muitos entenderam que eu estaria exagerando, pois a droga seria meramente de uso dos pobres.
Na época, inclusive, um jornalista - e professor - que até então respondia pela direção da redação do jornal na qual eu também trabalhava, grande protetor da sociedade douradense quando alguém deles cometia um delito e que por isso deveria ser tema de uma reportagem policial, foi um dos meus críticos, tanto que não deixou sair a parte do texto onde informava de forma clara e direta de que a terrível pedra de cráck já estava entrando na vida da classe alta e média, sob alegação de que o texto em si que produzi, poderia colocar a camada endinheirada, digamos assim, em estado de pânico.
Hoje, lamentavelmente, o que previ lá atrás é uma triste realidade, pois é de conhecimento que muitas famílias da classe média e alta estão, assim como as menos favorecidas, sofrendo em seus lares, por ter um ou mais filhos – e filhas também - atolados no consumo de drogas, principalmente desta maldita droga chamada cráck!
Baseado nas citações acima, entendo que assim como existe há anos a entidade AA (Alcoólatra Anônimo), que em muito ajudou e está ajudando, as pessoas que lutam para deixar o alcoolismo, penso que seria o momento oportuno de se criar uma entidade em nossa cidade, para se debater em conjunto, este terrível problema de saúde de nossos adolescentes, que foi causado ou é causado pelo alto consumo de drogas, em especial o cráck, na qual fizeram ou fazem de refém dos malditos traficantes que atuam dia e noite em diversos pontos de nossa cidade.
Entendo também que infelizmente as autoridades policiais, em que pese os seus esforços, não estão conseguindo em um todo, combater os diversos pontos de vendas de drogas em nossa cidade, em especial o cráck, e claro, mandar estes malditos traficantes que teimam em ganhar dinheiro fácil à custa de muita dor de centenas de famílias, vendendo a maldita droga para os jovens, para trás das grades, ou até mesmo, para as profundezas do inferno.
Isto posto, acredito que está na hora da sociedade organizada, clubes de serviços em especial, associações de moradores, a classe política, OAB, Poder Judiciário, Ministério Público Estadual e Federal, enfim, se juntarem com aqueles pais que tem - ou tiveram - algum de seus entes queridos envolvidos com o consumo de drogas, e criar em Dourados o GPDQD (Grupo de Pais de Dependentes Químicos de Dourados) para debater o problema da droga na cidade!
No meu entender, este GPDQD seria um meio amplo e legal de não só debater o problema que cada um dos filhos vem causando - ou causou - por estarem “atolado até o pescoço” com drogas, mas também a oportunidade de cada um dos pais receberem em troca, um apoio moral, psicológico e orientações coletivas, após cada um, a seu modo, abrir o coração, e explicar de que forma a sua família está sofrendo em seus lares por ter um de seus membros com este terrível problema de saúde.
Em conjunto, entendo que cada um deve trocar informação com um só objetivo, arrecadar o máximo de informação com os problemas de envolvimentos de seu filho com as drogas.
Que os pais de coração aberto admitam o problema que o maldito traficante causou em suas vidas, e se unam para debater este mal.
Posteriormente aos debates, que os pais elaborem um demonstrativo de cada um dos seus dramas familiar pela doença contraída pelo usuário em seu lar, graças à maldita ganância dos traficantes que insistem em atuar em nossa cidade, e encaminham-nos para as autoridades competentes, para que eles tenham acessos aos sofrimentos de cada uma das suas famílias que sofrem com isso. Quem sabe assim, a ofensiva contra as drogas em nossa cidade passe a ser de fato uma prioridade para os nossos organismos policiais e não paliativas como está sendo tratado o combate aos malditos traficantes nos dias de hoje!
Depois dessa, parei, fui...! Mas volto, se volto...!
* O autor é jornalista e membro do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados)