Já dizia o grande comunista e criador das “feras” Pelé, Gérson, Rivelino, Tostão, os jovens Jairzinho e Clodoaldo e companhia que foram tri-campeão mundial no México em 70, João Saldanha, que não tinha nenhuma dúvida de que a “camisa de um clube como o Flamengo, Fluminense, o Botafogo de Nilton Santos, Garrincha e companhia, São Paulo Corinthians, o Santos de Pelé e Coutinho e principalmente a canarinho pesava - e ainda pesa - em qualquer jogador do mundo” e claro, ele tinha lá a sua razão, tanto que o Brasil é nos dias de hoje o maior exportador de jogadores, sem se esquecer que é o único pentacampeão mundial.
Ao recordar-me deste ponto de vista acima de João Saldanha, o homem que mandou o então presidente da República Emílio Garrastazu Médici a escalar o seu ministério e não se intrometer na escalação da seleção nas eliminatórias de 1.969, quando o mandatário do País na era da ditadura exigiu a convocação do então centroavante do Atlético Mineiro Dario e por essas declarações levou o então presidente da então CBD (Confederação Brasileira de Desportos) João Havelange a demiti-lo e convocar Mário Lobo Zagallo a sucedê-lo, aqui em Dourados, em grau menor é claro, clube de futebol profissional na cidade, quem tem camisa mesmo, são os históricos Ubiratan Esporte Clube e o Operário Esporte Clube, e aqui um adendo, também o Operarinhoo do saudoso Alfio Senatore.
Eterna saudade
No meu entender, os demais que surgiram na cidade, chegaram e passaram como um raio, sendo eles, o CAD (Clube Atlético Douradense), o Dourados Futebol Clube, e sem desmerecer, o próprio Clube Desportivo 7 de Setembro, que está lutando para ser forte e principalmente para se manter na 1ª divisão e até mesmo sonhar em ser campeão.
Com a chegada de 2012, com o campeonato estadual do MS marcado para começar em fevereiro, pelo lado do 7 de Setembro, entendo que Benjamim Babosa, o homem que é responsável pela montagem da comissão técnica e do plantel do futebol profissional, no meu ponto de vista vai mais uma vez sofrer, uma vez que embora tenha ele muita credibilidade por sua seriedade no trato com o dinheiro dado pelos patrocinadores e pelo Poder Público, pois o clube deste quando subiu para a 1ª divisão, ainda não conseguiu fazer com que a sua camisa tivesse peso, que os adversários os temessem.
Diante deste exposto, em minha modesta opinião e a de muitos que torcem pelo futebol douradense, o Benjamim Barbosa deveria sim, resgatar uma das mais poderosas camisas do futebol sul-mato-grossense, que é a do “Leão da Fronteira”, muito embora o clube esteja hoje “dormindo” na 2ª divisão.
Assumindo o Ubiratan, Benjamim Barbosa com certeza sentirá a diferença entre as camisas da equipe da Cabeceira Alegre e do 7 de Setembro. Disso não tenho nenhuma duvida, porque senão vejamos...
Tive o prazer de trabalhar com o Benjamim Barbosa no estadual deste ano, quando a equipe comandada por Elói Kruger sucumbiu na competição, após fazer uma campanha de altos e baixos e não foi para lugar nenhum, inclusive, não chegou entre os quatro melhores do Estado.
Por aonde fui com o 7 de Setembro, nas conversas que tive com as pessoas das cidades na qual a equipe iria jogar, a pergunta era sempre a mesma. “Porque o Ubiratan não volta?. Muitas pessoas aqui (na cidade) têm muita saudade daqueles tempos em que o nosso time jogava contra ele! Quando a nossa equipe jogava contra o Ubiratan, o assunto era para quinze dias, ou seja, uma semana antes do jogo, durante o jogo e claro, uma semana após o jogo. Tenho uma eterna saudade daqueles tempos”, disse para mim em Corumbá, uma pessoa com quem estava conversando comigo em uma bar próximo ao hotel que serviu de concentração do 7 de Setembro, e em seguida acrescentou: “Se fosse o Ubiratan eu iria lá no Artur Marinho, mais este tal de 7 aí não empolga, assim como o Corumbaense de hoje” concluiu o rapaz, que vale ressaltar, é botafoguense doente, após ele ficar comigo mais de duas horas, conversando, claro, sobre futebol.
Assim como em Corumbá, adianto sem medo de ser feliz que por onde fui com o 7 de Setembro, em muitas das cidades, a pergunta sempre era a mesma: Porque o Ubiratan não volta ao futebol profissional? e como explicação, respondia por que o clube não tinha mais suporte financeiro para retornar a campo.
Uma coisa é certa, mesmo estando na 2ª divisão, se o “Leão da Fronteira”, que está dormindo, voltar a campo, a sua torcida que também está dormindo, com certeza voltará ao estádio e fará com que o clube suba para a 1ª divisão. Disso também não tenho nenhuma duvida, mas para isso teria de ter no comando de frente um homem chamado Benjamim Barbosa, que além de ser uma pessoa séria, tem credibilidade, e muita, com certeza!
Embora ainda seja uma utopia, caso aconteça a volta do “Leão da Fronteira” ao futebol profissional, aí sim, veremos quem tem mais torcida, se é o 7 de Dourados ou o glorioso Ubiratan Esporte Clube, que, guardadas as proporções, é sim, mesmo que longe dos gramados, um clube que como João Saldanha creditava aos grandes do Rio e São Paulo, tem camisa aqui no Mato Grosso do Sul, e bota camisa nisso, mesmo estando, como disse acima, dormindo...!
Waldemar Gonçalves, o Russo, é jornalista e membro do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados)