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Opinião

Alguns desafios da Educação em 2012

09 de dezembro 2011 - 16h49 Por Enio Ribeiro de Oliveira
Alguns desafios da Educação em 2012

Em artigo publicado nos jornais virtuais Douranews, DouradosInforma (16/11) e Douradosnews (17/11), no qual fiz uma análise do recado dado pelos trabalhadores em educação nas eleições realizadas no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Dourados, em 11/11/2011, disse que um dos desafios que deve ser priorizado e enfrentado pela categoria nos planos municipal e estadual é o de ter uma assessoria na área tributária especializada e muito competente, objetivando evidentemente fazer um embate exitoso nas negociações salariais, na luta pelas reivindicações que busquem melhorar as condições de trabalho no interior das escolas, universalização da educação infantil, eliminação da superlotação das salas de aulas, etc. nas escolas públicas do Estado e de Dourados.

Por que digo isto? Por que percebo que nas negociações salariais e demandas que visam melhorar as condições de realização do trabalho pedagógico no interior das escolas, os governantes, a exemplo dos ilusionistas, manipulam a peça orçamentária do Município ou do Estado, de tal forma que, os trabalhadores em educação saem de lá com a impressão de que o caixa do Estado não suporta aportes maiores de recursos para o atendimento das demandas educacionais.

Ressalto que, embora, saiba que as demandas são infinitas e os recursos humanos e materiais são limitados, havendo a priorização de determinados setores, é possível sim, viabilizar mais recursos, muito além, do percentual constitucional previsto para a educação. É oportuno lembrar que, uma ação integrada, gestão compartilhada permite que recursos previstos para outras pastas, que não a educacional, se prestem para ações comuns. Embora estas gestões compartilhadas já sejam realizadas, ainda estão num grau muito aquém do necessário e possível.

Se qualificarmos a nossa intervenção, poderemos disputar recursos junto ao caixa geral do Município, Estado e da União, até porque, tanto, governantes e governados (logo a sociedade), dizem a uma só voz que a educação é estratégica para o Brasil superar o seu atraso técnico-científico e assegurar melhor qualidade de vida ao povo brasileiro.

A menos que digam isto de forma demagógica, é lógico supor que ambos, concordariam que outros setores, embora importantes, podem ter o montante de recursos cambiados para a educação, porque se esta tiver os seus obstáculos resolvidos assegurará, em médios e longos prazos, uma melhora na saúde financeira da União, Estados e Municípios, logo os demais setores não estarão, ao concordarem em priorizar a educação no presente, abrindo mão de recursos. Muito pelo contrário estarão fazendo investimentos, visto que em futuro nem tão distante, o PIB e o bolo tributário do País serão bem maiores, evidentemente, maiores investimentos poderão ser feitos em futuro não tão distante, em prol dos demais setores.

Por outro lado, as coisas não acontecem espontaneamente. É preciso que alguém, alguma entidade ou movimento, tome a iniciativa. No caso em questão, o movimento sindical dos trabalhadores em educação de Mato Grosso, através da FETEMS e do SIMTED, devem liderar este movimento. E por uma razão muito simples, os trabalhadores em educação, fazem parte do grupo denominado de trabalhador intelectual.

Ao trabalhador intelectual, cabe refletir, propor, ousar e apontar caminhos para a superação de dificuldades que, a sociedade da qual faz parte esteja enfrentando, inclusive, a própria escola.

E aqui, ressalto, combato uma fala muito freqüente, entre nós, os educadores de que, as escolas não desenvolvem um ensino de melhor qualidade porque as condições dadas não são as ideais. Este discurso é a negação de nossa condição de intelectuais, a qual nos impõe o dever, de diante das adversidades pensarmos e o não pensado, realizando assim uma das premissas da escola, qual seja, contribuir para as transformações sociais, a começar pela própria escola.

Não estou a dizer que isto seja uma tarefa fácil. É, na prática, muito espinhosa, porque implica assumirmos conflitos no interior, inclusive da própria escola, contrariar interesses poderosos, nos apropriar das instâncias de poder coletivos existentes na escola (grêmio estudantil, colegiado, APM, etc.) e na sociedade; a apropriação do Projeto Político Pedagógico da Escola (PPE) é sem dúvida, estratégica. Aliás, nós, os educadores, relutamos muito em discutir em profundidade o PPE, porque discuti-lo, implica, inclusive, fazer enfrentamentos com os próprios educadores e membros da comunidade escolar, os quais em virtude de interesses individuais e de grupos ou por não visualizarem o que representa o mesmo, a ele opõe resistência.

E aqui, faço uma outra constatação, o de que exercício da cidadania, todos afirmam ser necessário, no entanto, exercê-la, implica enfrentar conflitos, sermos contrariados e até quem sabe, adquirir uma gastrite ou uma úlcera nervosa, por exemplo.

Diante de tudo o que expus, penso que nós devemos no sindicato e nas escolas, a partir de 2012, partirmos para uma postura de mais ousadia e romper com a atitude conformista que é: se a escola não oferece as condições ideais para a realização de um trabalho pedagógico, nos limitaremos a fazê-la simplesmente funcionar, isto é, ministrar nossas aulas e depois ficarmos fazendo o discurso da frustração, adquirir algumas neuroses, dizer que os alunos não querem “nada com nada” e que está tudo perdido”. Estamos sendo, não raro, adeptos da concepção funcionalista, isto é, fazer a escola “funcionar”, embora não saibamos exatamente para quem e por quê?

Através do SIMTED precisamos discutir uma estratégia de como fazer este embate, envolvendo não só a comunidade escolar, mas também a sociedade. Neste aspecto, proponho as seguintes providências:

  1. a) estabelecer um calendário para 2012 de discussões dos temas que mais vitimam a educação e a impedem de atingir os seus objetivos;
  2. regionalizar a cidade para fazer debates, reflexões, formular propostas de intervenção nesta realidade que desejamos superar;
  3. realizar um encontro municipal, até o mês de maio. Proponho este prazo, porque, isto permitirá, incluirmos parte dos nossos pleitos, por exemplo, nas Leis de Diretrizes Orçamentárias do Município, e desta forma garantir recursos para o atendimento das mesmas, a partir de 2013;
  4. desenvolver uma articulação intensa para que a sociedade perceba o quanto é importante participar nas discussões do Projeto Político Pedagógico da Escola, bem como reavaliá-lo permanentemente. Este instrumento se bem utilizado pode realmente assegurar autonomia para a Escola.

Esta é a grande obra que podemos fazer em prol da educação. A reflexão e a teorização dissociada da prática servem apenas como “masturbação mental”, ou seja, confere prazer, porém, sem nenhum ou pouco resultado na resolução dos problemas históricos e crônicos enfrentados pela educação no Brasil.

 

O autor é professor de Geografia da Rede Estadual de Ensino