Muito se ouve que devemos aproveitar o inicio de novo ano para traçarmos novas metas, pensar nos erros cometidos, naquilo que devemos, ou não, levar adiante de tudo o que vivemos no ano passado. O conselho é ótimo, e geralmente a formação de um objetivo futuro até passa pela cabeça das pessoas, porém com o decorrer dos dias retomamos a velha rotina e vamos apagando aos poucos da nossa mente aquele entusiasmo inicial. Agora, caro leitor, a dificuldade maior mesmo é a de passarmos a efetivamente realizar o novo. O que não é nada fácil é a tal atitude para rompermos com antigos paradigmas... Velhos erros que persistimos em repetir ou aceitar.
Quando se fala em novas realizações, geralmente o desejo imediato que vem na cabeça das pessoas é ganhar mais dinheiro, e o objetivo principal é o de conseguir adquirir um novo bem material, que pode ser um carro novo, uma nova casa, etc. Não que isso seja um pecado, eu mesmo tenho algumas metas neste sentido, o problema geralmente encontra-se nos meios e na finalidade dessa conquista diante de uma realidade atual extremamente preocupante: O caráter cada vez mais individualista das pessoas na sociedade. E esse é o ponto central da minha reflexão hoje.
A busca por benefícios individuais, geralmente aquisição de bens materiais ou uma condição benéfica que facilite sua aquisição, vem acompanhado da intenção de transmitir uma imagem de superioridade de ser sobre o outro. O intuito maior é o de que aquilo que possuo, ou vou adquirir, deve ser sempre melhor do que o do meu vizinho, do meu colega de trabalho, e ate mesmo que o do meu irmão. Esse tipo de comportamento, que na realidade é uma silenciosa competição entre as pessoas, resulta em grandes e imediatos problemas para toda a sociedade, e aí podemos citar alguns, como a degradação da família, a corrupção desenfreada, algumas doenças muito comuns nos dias atuais, como a depressão e tantos outros. Atrás, e por consequência desses vêm outros piores, para prejuízo do individuo e de toda a coletividade.
O erro começa na própria família. Pais consideram que seus filhos, desde pequeninos, devem ter do bom e do melhor a qualquer custo. O pensamento é que filho pode ficar muito humilhado se o vídeo game do filho do outro é mais moderno que o dele, e aí o individuo vai lá imediatamente e compra igual, ou um melhor ainda, mesmo que fique devedor na praça. Esse tipo de atitude é que vai direcionando a mente dessa criança para que ela nunca mais meça qualquer consequência para exigir aquilo que seja de seu interesse.
Visualizando mais um ano eleitoral que temos pela frente, uma consequência certa é que no momento do voto esse egoísmo exagerado leva o individuo a escolher quem oferece vantagens pessoais, e o resultado disso é a eleição de um individuo que também está mais preocupado com as vantagens pessoais do que com os problemas da cidade.
Vivemos em uma sociedade onde os problemas são comuns a todos, e grande parte dos problemas sociais se mantém e crescem por falta de uma consciência coletiva. Não percebem que sozinho o “eu” não tem muita força, mas se for através de um organismo coletivo o “eu” fica mais forte e da mesma forma fortalece o grupo ao qual participo para que a solução de determinado problema ocorra com maior rapidez.
Projeto pessoal é importante ter, mas atitude como deixar de ser omisso diante da necessidade da construção de uma sociedade mais humanitária, que pode ser exercitada nas reuniões familiares ou no ambiente de trabalho, participação nas reuniões da associação de moradores, no sindicato representante da sua categoria profissional ou escolha dentre as inúmeras entidades religiosas e beneficentes que precisam de seu apoio, com certeza poderá lhe trazer uma nova consciência e inúmeros benefícios pessoais, familiares e para toda a sociedade.
* juliosaldivardourados.blogspot.com