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Opinião

A queda das árvores em Dourados

23 de março 2012 - 15h58 Por José Tibiriçá Martins Ferreira
A queda das árvores em Dourados

Ontem no período da tarde, nossa cidade foi sacudida por outra ventania, deixando sua população bastante assustada. Saí  para verificar o que estava acontecendo, pois a ventania foi de tamanha velocidade que as Sibipirunas eram sacudidas na Avenida Weimar Gonçalves Torres, seus galhos iam sendo lançados para todos os lados.

Hoje ao lermos os jornais locais, ficamos sabendo que quase uma centena de árvores caíram sobre  residências e atingiram muitos carros que estavam estacionados nas ruas. Assim cada dia que passa está se tornando muito comum mudanças na natureza e não sabemos o que pode acontecer amanhã. Este é mais um problema crucial para nossa cidade e pode piorar, pois nossas árvores estão envelhecidas e passados muitos anos, nenhum administrador se preocupou com tal.

Quando se fala em envelhecimento das árvores, é porque em Dourados nesses mais de trinta anos,  as árvores foram plantadas inadequadamente, nas calçadas, nossos administradores tanto estaduais como municipais não tiveram visão de futuro, pois nunca o Estado e Município trabalharam em conjunto. As árvores depois de plantadas, suas raízes foram cortadas para implantação do esgoto, rede de água e calçada, sem nenhum critério, sem a fiscalização dos órgãos de meio ambiente e a situação continua a mesma ainda hoje.

Logo após a posse do prefeito municipal que é engenheiro, foi solicitado à população a apresentação de sugestões para serem aproveitadas na sua gestão. Fiz a minha parte, coletando assinaturas dos proprietários e moradores do trecho da Rua Pedro Celestino, esquina com a Avenida Weimar Gonçalves Torres, onde moro, até a Albino Torraca, sendo que apenas uma comerciante não quis colaborar sob a alegação de que tinha já solicitado à Prefeitura de Dourados o estacionamento em frente à sua padaria, não foi atendida, quando respondi a ela que uma andorinha só não faz verão. Na sugestão, apresentamos ao Senhor Prefeito a necessidade da existência do estacionamento hoje na avenida, visto que a cidade cresceu muito e o trecho merece tal benefício, diante até do enorme fluxo de carros que se dirigem para o HU, Cerrito onde estão instaladas as duas universidades, aeroporto, quartel militar e o acesso ao anel viário. Alguns dias depois para minha surpresa um assessor próximo ao prefeito achou viável, até concordou, desde que os proprietários tivessem o ônus para tal empreitada. Achei um absurdo tal resposta, mas fiquei no silencio, afinal esta resposta não merecia réplica e que quem daria a última palavra seria o prefeito.

O tempo está passando e esses são problemas que até os nossos vereadores já deveriam  ter discutido, afinal deve existir a Comissão de Meio Ambiente na Câmara para tratar dos problemas relacionados às nossas árvores, pois pelas fotos que saíram nos jornais que estão circulando hoje, elas estão na sua maioria podres internamente. Assim chegou a hora da direção do IMAM,  juntamente com a Câmara, estudar uma maneira mais rápida de fazer um planejamento para substituir as árvores que estão praticamente mortas nas várias ruas e logradouros de nossa, pois cada dia que passa o perigo aumenta e o prejuízo poderá ser maior. Imagino que se as entidades fossem convidadas, teriam muitos subsídios importantes para apresentar.

Quanto às avenidas, principalmente seria interessante que as árvores fossem plantadas no canteiro central, pois não haveria problema de queda como vem acontecendo hoje com as plantadas nas calçadas, frequentemente sacrificadas  pelo cortes, pois elas atingem os fios de eletricidade.

Quanto à sugestão do estacionamento da Avenida Weimar Gonçalves Torres até hoje não obtivemos resposta, pois parece que alguns braços do poder executivo não estão dando ‘feed back’ para a resolução dos problemas apresentados pela população, ou nossas sugestões não têm chegado a ele.

No dia da apresentação do músico Arthur Moreira Lima na Praça Antonio João, tive a oportunidade de fazer uma queixa ao prefeito e ele até lamentou a falta de interesse de alguns de seus assessores para resolver algumas questões que aparecem.

Relatei a ele que no mês de outubro de 2011 quando se estava reformando a Escola Geraldino Neves Correa da Picadinha que por sinal ficou muito boa, como cidadão e ex-aluno dela, sugeri que as árvores que rodeiam a escola que são várias, fossem podadas adequadamente e até algumas eliminadas, pois eram árvores que ameaçavam cair ou ter seus galhos jogados sobre a escola. Nenhuma providencia foi tomada pelo comando da Secretaria de Educação, apesar de ter comentado o problema via email. Veio assim a ventania e um galho de uma Canafista  foi arremessado sobre o alambrado do fundo da escola, sendo parte dele destruído. Agora o mesmo terá que ser reconstruído, pois não ficará bem ele ficar do jeito que está por ocasião da reinauguração da escola, se é que vão fazê-lo.

Não sei se alguma providência já foi tomada, afinal não fui olhar, pois não faço parte do quadro da prefeitura. A área da referida escola tem 5.000 m2 (cinco mil metros quadrados), composto de um polígono irregular, cuja parte da área  foi cercada  e está sendo ocupada por terceiros, onde há uma quadra de esporte que custou mais de R$ 100.000,00 (cem mil reais), superfaturada por ocasião da sua construção,  sem cobertura,  na administração Tetila também e que  já está necessitando de uma reforma que só foi construída pela intervenção do ministério público. Como não foi feita com o devido zelo, depois de quase quatro anos já está com problema estrutural, precisando de uma nova reforma. São problemas que nós como cidadãos, temos que estar atentos e cobrar, afinal pagamos os nossos impostos e queremos o bem de Dourados.

Aproveitando a oportunidade, sugiro à Câmara de Vereadores de Dourados, através da sua direção que é o órgão fiscalizador dos atos do executivo que requeiram ao setor de topografia da prefeitura a locação da área da Escola Geraldino Neves Correa e que se providencie uma cerca de alambrado. Isso já deveria ter acontecido por ocasião da reforma da escola, mas parece que o prefeito está certo: tem alguns assessores que não têm interesse de ajudar a resolução dos problemas do município, estão mais preocupados na eleição que ainda está longe, no dia 07 de outubro de 2012.

Dourados-MS, 23 de Março de 2012.

* O autor é advogado, estudou na Escola Geraldino Neves Correa de 1960 a 1963, é produtor rural no distrito de Picadinha e Secretário Geral do PSD em Dourados.