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Opinião

Memórias de um rebelde do Jaguapiru, a caminho da busca da felicidade para os brasileiros

10 de abril 2012 - 13h28 Por NEI MARQUES DA SILVA MORAIS
Memórias de um rebelde do Jaguapiru, a caminho da busca da felicidade para os brasileiros

nei_marques_coluna Este artigo, escrito na primeira pessoa do singular, tem como pano de fundo um projeto pessoal inspirado na obra do maior escritor dos EUA, Gore Vidal, criador do romance histórico, que escreveu entre outros livros os romances Criação e Lincon, sobre a vida e obra do ex-presidente americano A. Lincon, ainda em plena atividade, contando com 84 anos de idade e que quando tive a oportunidade de assistir a uma conferência por ele proferida na UNICAMP no terceiro dia de minha chegada a Campinas-SP, para dar inicio à terceira fase de meus estudos dentro e fora das salas de aula.

Porém, o período que considero mais importante foram os dois primeiro anos, ou seja o primeiro e segundo ano primário, na Escola Rural Mista do Jaguapiru, cuja professora era minha genitora. Nesse período eu me deslocava da fazendinha de meu avó Leôncio Marques, localizada no Jaguapiru, um dos fundadores de Dourados, natural de São Borja-RS. Por ser gaucho e, segundo me revelou Denise Goulart, filha do ex-presidente João Belchior Marques Goulart [morto na Argentina pela CIA, o serviço secreto americano que envenenou sua alimentação, se não me falha a memória na cidade de Mercedes, em 1976, quando já se preparava para retornar ao Brasil], nós somos da mesma família.

Como o trazer o leite a galope acontecia logo no clarear do dia, meu avó me colocava no meio de suas pernas, logo me prendia e ficávamos horas assistindo a programação das Rádios Guaiba e Gaucha de Porto Alegre-RS, principalmente o Repórte Esso, que tinha como locutor o comunista histórico Lauro Hagemam, que vim a conhecer pessoalmente no início da década de 80, em reuniões partidárias em diversas Capitais dos Estados.

Nesse período, comecei espiritualmente a minha militância nas organizações da chamada sociedade civil e política partidária, vinculando-me à OLP, de Yassar Arafat e ao MDB fundado em 66/67, por Ulysses da Silveira Guimarães, Santiago Dantas, Pedroso Horta, Lino de Mattos, Mario Covas e os comunistas que permaneceram no pais, porque grande parte dos camaradas foram presos, torturados, mandados para o exílio, após realizarem algumas ações armadas e sequestros.

Como já vivíamos o período negro da censura burra, nos noticiários o que eram fatos verdadeiros e relevantes para o concerto das nações, ou seja, as relações exteriores, pois as notícias do Brasil eram censuradas, delas não se apreendia nada, acabei por me especializar em política externa, sendo que na década de 90, em várias oportunidades tive o privilégio de ter como, poderia dizer, guru, o Embaixador Rubens Ricupero, principalmente nas reuniões quinzenais e nas conferências do mês no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, onde estudei Filosofia, cuja grade curricular permitia, valendo nota, que não era o meu caso, que os estudantes de um curso das agora chamadas Ciências das Mentalidades, assistissem aulas, por exemplo, de Ciências Politica, Sociologia, História, etc..

Quando estive em Florença para me preparar e colher subsídios para meu mestrado na PUC São Paulo-SP, na área do Direito Constitucional, cujos professores seriam o atual Vice-Presidente Michel Temer, para quem em 1985, quando ocupava a Secretaria de Segurança, organizei o primeiro ato de sua campanha eleitoral na PUC de Campinas e o ex-Governador de São Paulo Franco Montoro, com quem participei das diversas fases de implantação da Defesa e Proteção do Consumidor e da criação do ILAM-Instituto Latino Americano, sendo que a questão dos consumidores e a integração Latino Americana eram as duas meninas dos olhos de Franco Montoro.

Quando eufórico, pela qualidade e proximidade que devido à militância política eu tinha com os dois professores citados, fui surpreendido, no primeiro dia de aula do mestrado, que o então Governador de São Paulo, o assassino Fleury, tinha deslocado dois deputados federais para o seu secretariado, para que Temer e Montoro assumissem as vagas, pois eram suplentes; aí a casa caiu.

Voltemos a Florença. Em conversas com um professor, que sentou na cadeira vazia da mesinha onde estava lendo o Jornal parisiense ‘Le Monde Diplomatiqué’, ele me disse que o florentino e casto Nicolau Dei Maquiavelli afirmou que o bem deve ser feito em doses homeopáticas, porque dá mais sensação de prazer, já o mal deve ser feito num só ato, porque não dói.

Como esse meu desejo literário não é um projeto econômico, vamos então escrevê-lo, em tom memorialístico, em doses homeopáticas.

Se uma só pessoa ler este artigo, ele já cumpriu seus objetivos, afinal Deus fez o mundo sozinho, em doses homeopáticas.

* Ex-advogado seguindo em frente