O senador Demóstenes, até pouco baluarte da ética e da moral no Senado da República, batia forte na corrupção e nas falhas dos Governos de Lula e Dilma Rousseff. Era referência no Congresso Nacional e sempre incluído entre os mais influentes do país. Propunha leis para endurecer o combate ao crime, sempre discursando com altivez na tribuna. Falava grosso e ironizava os adversários. Chegou a dizer para o governo petista para não tentar ganhar no grito, uma vez que “se gritaria resolvesse alguma coisa, porco não morria gritando”.
De repente o paladino da moralidade caiu como um castelo de cartas abraçado com a quadrilha do bicheiro Cachoeira. Venhamos e convenhamos, as estripulias de Demóstenes deixou muita gente por esse país afora boquiaberta e a combalida oposição sem rumo no Congresso. Seu ex partido o Democratas até que agiu rápido, obrigando o lobista promíscuo a pedir a desfiliação, mas o estrago já estava feito. E veja só, quanto mais se investiga e a imprensa divulga, a gente percebe o tamanho do estrago. O lamaçal avança com rapidez, atinge os três poderes e respinga com uma impressionante rapidez na classe política, envolvendo todos os partidos “influentes” do país.
As relações perigosas do senador Demóstenes com Carlinhos Cachoeira, conforme tem noticiado a imprensa, eram tão intimas que chegavam ao ponto de frequentar festas juntos, trocar presentes e “emprestar” dinheiro. O senador “fora da lei” aproveitava-se da sua influencia e autoridade para defender no Senado e nos escaninhos do Executivo e do Judiciário os interesses escusos da quadrilha de Cachoeira, em troca recebia presentes, tais como: fogão, geladeira, rádio telefone, dinheiro para pagamento de táxi-aéreo e até fogos para comemorar a formatura da mulher do “nobre” senador. E o pior que esse crápula diz com a cara mais deslavada que é inocente.
O caso Demóstenes, num primeiro momento, deu um nó “cego” no Congresso Nacional. Os deputados e senadores não conseguiram encontrar, como de costume, uma saída “honrosa” para varrer o caso para debaixo do tapete e tiveram que propor a instalação de uma CPI mista para investigar o escândalo. A CPI é mais uma oportunidade, entre tantas que o Congresso já teve, para passar o Brasil a limpo, ou transformá-la numa escandalosa pizza, como tem acontecido com a grande maioria das CPIs propostas e instaladas por deputados e senadores.
A democracia com plena liberdade de imprensa propicia à população acompanhar as ações, atos e práticas dos poderes instituídos e, por conseguinte, o andamento das comissões parlamentares. Esperamos ver sentados no banco dos réus da CPI Mista o senador Demóstenes, Carlinhos Cachoeira, Os governadores de Goiás, Marconi Perilo (PSDB), do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), deputados, vereadores, juízes, promotores, empresários, enfim todos os envolvidos nessa quadrilha de ladrões do dinheiro público. Mas o que mais queremos e almejamos é a punição exemplar dos corruptos e que a comissão produza mecanismos legais que dificultem o máximo à roubalheira em nosso país.
* O autor é professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: [email protected]