O slogan político "Trabalhadores do mundo, uni-vos!", um dos mais famosos gritos de protesto do socialismo, vem do Manifesto Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels.
Diferenciando-se dessa afirmativa, no entanto, os Trabalhadores da Educação do Mato Grosso do Sul têm demonstrado acirrada queda de braço no cerne do movimento sindical. A nosso ver, trata-se de uma disputa ideológica interna no seio de algumas entidades dessa natureza, filiadas a FETEMS – Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul, pelo controle das idéias, bem como do encaminhamento de propostas. As divergências podem ser observadas com mais nitidez, sobretudo, nos municípios maiores, como Campo Grande e Dourados.
Esse fato pôde ser constatado na Paralisação Nacional dos Profissionais da Educação, nos dias 14, 15 e 16, em que a Federação tentou desviar a atenção dos Educadores (as), ao propor que as caravanas fossem visitar as instalações da FETEMS, ao invés de ir para a Governadoria fazer um Grande Ato Público em defesa da Educação Pública de qualidade a todos os sul-mato-grossenses. Os Educadores (as), portanto, perderam a oportunidade de cobrar posicionamentos mais comprometidos do Governo, bem como denunciar os descasos e a falta de compromisso do Executivo Estadual com relação à Educação. Deu a entender que a cúpula da Federação naquele momento não desejava nenhum tipo de confronto com o Governo.
Levando se em conta, o deslocamento dos Profissionais da Educação até a capital do Estado, pode se considerar falta de consideração, haja vista que o conjunto dos educadores/as entendia que o mais coerente seria ir até Parque dos Poderes. No entanto, percebe-se que a Direção da Federação, naquele momento estava apenas preocupada em render homenagens aos prefeitos que implantaram o Piso Salarial Nacional, mesmo que para 40h e sem a garantia de 1/3 para horas-atividade.
Pensamos que as divergências ou maneiras diferentes de encaminhar as questões sindicais devam existir desde que as mesmas não sejam as causas dos possíveis desgastes ou fracassos no conjunto dos sindicatos dos educadores (as), das escolas públicas do Estado. Os trabalhadores (as) não podem “pagar o pato” pelos possíveis desdobramentos desastrosos, por conta de picuinhas existentes no meio sindical da educação. Mas, se persistirem os possíveis erros, corre-se o risco dos governantes se aproveitarem desse expediente. Portanto, para enfrentar todos os desafios com sabedoria, se faz necessário a união de forças de todos (as) educadores (as).
Pode até parecer maluquice da nossa parte, porém, caso não seja uma possível a convivência harmoniosa no seio das entidades e em persistindo as fissuras, talvez a saída fosse o fim das diretorias proporcionais nos sindicatos. Fica a pergunta: Por que os sindicatos não adotam o mesmo critério para a composição das diretorias como ocorre na Federação? Ou seja, a chapa vencedora é quem comanda a entidade. Para se refletir...
Para finalizar, ressaltamos que entre os principais desafios temos a aprovação do PNE - Plano Nacional de Educação, 10% do PIB – Produto Interno Bruto para a educação pública, o cumprimento integral da Lei do Piso Salarial Nacional, Lei 11.738, em todo o país, implantação do Piso Salarial para 20h, garantia de 1/3 da jornada semanal de trabalho para hora-atividade, para planejamento de aulas e outras.
Já para o município de Dourados a categoria precisa trabalhar demandas como: solução imediata para a questão dos aposentados/as, valorização dos trabalhadores/as do setor administrativo, ora preterido da agenda da atual administração nessa última campanha salarial, adequação do Plano de Cargo e Carreira e Remuneração – PCCR, redução da contribuição para a CASSEMS, pagamento de adicional de difícil acesso aos profissionais da educação residentes em Dourados, mas que prestam serviços em outros distritos, situação dos CEIMs e outras.
(*) O autor é professor ([email protected])