O presidente Fernando Henrique Cardoso, quando assumiu a Presidência da República, em seu primeiro mandato, nomeou um embaixador de sua inteira confiança para trabalhar no quarto andar do Palácio do Planalto, e como um presidente da República recebe em audiência representantes da sociedade civil, que lhe apresentavam uma gama de reivindicações, quando as pessoas que ele receberia em audiências, eram na pratica lobistas, Fernando Henrique Cardoso chamava o referido embaixador para participar das audiências, visando inibir os diálogos impertinentes, pois constrangia seus interlocutores.
Ocorre que o embaixador se corrompeu, assumindo o papel de lobista, e acabou sendo demitido.
Como mantenho minhas atividades jurídicas, político-partidárias e sindicais em São Paulo-SP, onde às vezes fico hospedado na residência da secretária particular do ex-Deputado Federal José Dirceu, e como não a vejo desde o mensalão, certamente ao reencontrá-la irei indagar sobre qual era a ideia de José Dirceu ao instituir um pagamento mensal, para atender às necessidades do chamado Baixo Clero.
O ex-presidente Lula certa vez afirmou que o Congresso tinha 300 picaretas. Lamento, mas a declaração é falsa, como conheço 23 estados, visitando-os várias vezes nos últimos 30 anos, afirmo que o número mais próximo dos picaretas é de mais ou menos 450, pois os maiores caloteiros do Brasil com representantes no Congresso Nacional são os integrantes da bancada ruralista, composta por 270 Deputados e Senadores, que só votam em troca de liberação de emendas, anistias de dívidas, prorrogação de dívidas, com juros subsidiados etc... É só maracutaia.
Dos Deputados e Senadores do MS, apenas 3 integram o alto clero e trabalham e participam das articulações políticas.
Os demais são, além de integrantes do Baixo Clero, meros despachantes, que muitas vezes apresentam emendas para obras desnecessárias, e cobram das empreiteiras de 10% a 20% do montante liberado das emendas, e as empreiteiras pagam a propina porque dependem da liberação dos recursos para pagar seus fornecedores, funcionários, etc...
Quando foi encerrada a CPI que gerou a cassação do mandato do ex-Presidente Collor, tentou-se abrir uma CPI para investigar as empreiteiras, que não conseguiu número suficiente para sua instalação.
Agora, na CMPI do caso Cachoeira, pela primeira vez em nossa história republicana as empreiteiras serão investigadas, é um avanço, mas para que suas conclusões atendam os desejos da sociedade brasileira é preciso combinar grandes manifestações de massa, pressão sobre os parlamentares, denunciar os negócios escusos dos parlamentares que não assinaram o requerimento.
Sem o povo, a CMPI terminará em pizza.
* O autor é intelectual