Quando se prega a democracia e a paz no futebol brasileiro, em Dourados, contrariando a tudo isso, o principal patrocinador do novo clube de futebol profissional da cidade, o União/Inter Flórida, o empresário Robson Uhde, mais conhecido por “Binho da Erva”, vem e toma uma atitude como um verdadeiro ditador, para não dizer o dono da verdade, ao tentar se impor ao comentarista free lance da rádio 92,1 FM, Anderson Sperti, ao final do jogo em que a sua equipe venceu, e bem na noite de sábado passado, o Bonitto por 3 a 1 na estre da série “B” do Campeonato Sul-mato-grossense de futebol profissional.
“Binho”, após o jogo, ao contrário do presidente do clube Jozimar Crespan, teria no entender do comentarista feito uma declaração “infeliz” quanto ao apoio do Poder Público ao “seu clube”, porém, ele se esqueceu que o estádio “Douradão” sempre esteve de portões abertos para os treinamentos dos comandados de Jânio Miguel que geralmente são realizados no período noturno, assim como para os jogos que deverão realizar pela série B, como foi no último sábado.
Vale lembrar que o diretor/presidente da FUNED (Fundação de Esporte de Dourados), Antonio Coca, que é o responsável pela manutenção da maior praça esportiva do interior de Mato Grosso do Sul, mobilizou todos os funcionários da autarquia para trabalhar no jogo do União/Inter Flórida, assim como faz em outros jogos que ocorreram e que com certeza ocorrerão ao longo deste segundo semestre.
Anderson Sperti que foi convidado para ser o comentarista do jogo pelo diretor de esportes da emissora, Tata Cavalcanti, que, aliás, é um dos grandes amigos de “Binho”, na sua função de observador, também fez um adendo de que a diretoria do União/Inter Flórida teria até mesmo por falta de experiência ou falta de conhecimento, ferido o novo Estatuto do Torcedor, ao não divulgar a parcial da renda no intervalo dos primeiros 45 minutos e a sua totalização ao termino dos 90, o que foi uma realidade.
Com as criticas infundadas, “Binho” que é um apaixonado pelo Inter Flórida se atreveu a ir até a cabina de rádio da 92,1 para tirar satisfações com o comentarista e de acordo com informações, por muito pouco o caldo não entornou, o que é lamentável.
Atitude como esta do “Binho” faz-me lembrar de pelo menos duas outras que ocorreram na era CAD (Clube Atlético Douradense) e Ubiratan Esporte Clube, também no futebol profissional, quando Daniel Santos, coincidentemente o narrador do jogo deste sábado em que interpelou o comentarista dele, e o na época, o estreante na equipe esportiva da rádio Caiuás, André Jorge, foram molestados por dois dirigentes e, a saber, aqui vai à história de ambos.
Com Daniel Santos, ele na oportunidade, em 1.989, atuava ainda como repórter da equipe de esportes da Caiuás que era comandada por Antônio Néres, sofreu uma pressão do então diretor do hoje extinto CAD de nome “Fernandão” após uma entrevista feita com o goleiro Cassiano.
Na entrevista o goleiro que sempre foi um defensor de seus companheiros, momentos antes do embarque da equipe para Rondonópolis para enfrentar o União daquela cidade pela série C, disse a Daniel Santos que a metade da delegação estava deixando Dourados sem comer.
Indignado com a declaração do goleiro que foi levada ao vivo para a emissora, o repórter questionou a irresponsabilidade da diretoria do “azulão da Marcelino Pires” como era mais conhecido o clube em mandar os jogadores a uma viagem de cerca de mil quilômetros, com a metade sem comer e com isso Cassiano passou a ser visto como desagregador pelos dirigentes, o que não era verdade, pois apenas limitou-se a denunciar o fato, digamos assim de forma corajosa.
Com a entrevista levada ao ar, pronto, isso foi o bastante para que o tal “Fernadão” interpelasse o repórter de forma grosseira, porém Daniel Santos limitou-se a dizer ao “truculento dirigente” que apenas cumpriu o seu papel de bem informar a torcida do CAD o que estava se passando com os jogadores.
Com relação ao André Jorge, o fato se deu em pleno “Douradão” em um jogo também de 89 envolvendo o Ubiratan e o Aquidauanense pelo Estadual sul-mato-grossense.
André Jorge, todo alegre pela estreia na equipe de esporte também da Caiuás - na época somente a emissora e a extinta Clube tinha equipe de esportes - após os jogadores do “Leão da Fronteira” fazerem varias jogadas erradas contra um adversário considerado “fraco” pela crônica esportiva, teceu comentários de que o técnico teria de mudar algumas peças em campo se quisesse vencer, pois caso contrário correia o risco inclusive de perder.
Foi só André Jorge acabar de falar, o Aquidauanense abriu o placar e o caldo também entornou para o lado do repórter por parte do então truculento diretor de esportes do clube na época, o hoje falecido Mário dos Santos, popularmente conhecido como “Marinho português”.
No final do primeiro tempo, “Marinho português” foi até a boca do túnel de acesso a imprensa e abordou André Jorge e contra ele dirigiu “cobras e largatos”, inclusive com ameaças, e devido a isso, o rapaz deixou de fazer parte da equipe de esportes da emissora.
É baseado nestas duas histórias de dois ditadores que passaram pelo futebol de Dourados e que entendo que a “ditadura não pode voltar ao futebol douradense” e sou solidário ao Anderson Sperti por seu trabalho e fico entristecido com atitude como esta do “Binho” que do nada surgiu na cabina de rádio da emissora para impor o seu jeito ditador de ser.
“Binho”, entenda, não é assim que se faz futebol. Futebol, “Binho”, se faz é ciscando para dentro, mais ainda, acredito que está na hora de você rever seus conceitos, principalmente quanto às criticas que a sua equipe receberá, assim como aos elogios que ela fará por merecer ao longo desta competição que a sua equipe entrou para disputar.
O futebol não tem mais lugar para ditadura, meu velho, pare com isso, e bola pra frente. Ah, e sempre que for dar uma entrevista, pense antes de falar, ou melhor, fale com a razão e não com o coração, pois afinal de contas, imprensa e clube estão no mesmo barco e com um só objetivo, levar a torcida para torcer a favor ou contra não só para a sua equipe, mas também para o 7 de Dourados e outras que se apresentarem para jogar no majestoso “Douradão”.
Do mais, como escreve, segundo você, o seu assessor de comunicação Marcelo Humberto, paz e bem, e eu, como sempre encerro os meus artigos, fui, mas volto, se volto !!!
* O autor é jornalista e integrante do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados).