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OPINIÃO: Balada, conveniência e open bar dão o tom do silêncio da morte!

25 de julho 2012 - 19h12 Por Waldemar Gonçalves - Russo
OPINIÃO: Balada, conveniência e open bar dão o tom do silêncio da morte!
Não é de se generalizar, é lógico, mas também não se pode tapar o sol com a peneira a triste realidade que nos últimos tempos vem ocorrendo não só em Dourados, mais em diversas cidades do país, onde principalmente nos finais de semanas e feriados prolongados, não raro jovens em pleno gozo de saúde e beleza estão perdendo as suas vidas de formas brutais após participarem das chamadas baladas; nas conveniências ou nas tais festas dos opens bares, que levam os promotores a oferecerem aos participantes, a pagarem somente seus ingressos e já dentro delas (das baladas) podem beber a vontade, inclusive até cair ou entrar em coma alcoólica.

Além das bebidas alcoólicas, também não generalizando é claro, não é exagero nenhum dizer que em muitos destes embalos, surgem também os altos consumos de produtos tóxicos, quer seja ele natural no caso a maconha ou as sintéticas que tem na tradicional cocaína entre outras que são facilmente oferecidas pelos supostos traficantes - que não são poucos na cidade - para os nossos adolescentes, sem esquecer os rachas com seus potentes veículos nas largas avenidas da cidade; as queimas de pneus no asfalto com as rodinhas e o famoso cavalo de pau entre outras manobras radicais.

É bem verdade que tudo acima citado vem ocorrendo sistematicamente há anos na cidade e o que é pior, aos olhos das nossas autoridades competentes, em especial ao MPE (Ministério Público Estadual) por meio da Promotoria da Infância e da Juventude, que não investigam, por exemplo, de que forma e as origens que estas bebidas alcoólicas chegam até aos locais aonde são realizadas as baladas para serem gratuitamente distribuídas aos jovens, muito deles é claro, menores de idade.

Já as conveniências que em sua maioria funcionam arriscadamente em pátios ou ladeados a postos de combustíveis, volta e meia são alvos de denúncias na imprensa de estarem sendo a base de badernas; gritarias e sons altos promovidos por “filhinhos de papai” em sua maioria, vindo com isso a causar grandes transtornos em hotéis e residências próximas, que pela Lei, seria uma verdadeira perturbação de sossego as pessoas que precisam da noite, em especial da madrugada, para descansarem após uma dura jornada de trabalho.

Neste silêncio das autoridades é sabido que muitas destas bebidas que chegam para os jovens consumirem, tais como uísques; vodkas; vinhos; o tal de absinto e diversas marcas de enérgicos são procedentes do país vizinho, o Paraguai, e que são adquiridos pelos promotores da maioria dos eventos que são denominados pelos freqüentadores como baladas ou open bar.

Vale lembrar que a vinda destes produtos para fazerem parte do repertório do “silêncio da morte” é trazida por um ou mais promotores de eventos a um baixo custo, do país vizinho de forma silenciosa e devidamente dentro da cota estabelecida por Lei, o que descaracteriza o crime de contrabando, e já nas concentrações dos jovens, as doses ou são servidas a baixo custo ou distribuídas nos opens bares da vida, de forma gratuita aos nossos jovens e também aos adultos.

Também é verdade que somente neste ano, oficialmente pelo que se saiba, pelo menos três jovens perderam suas vidas após a morte chegar até eles no seu “silêncio” e sem dó e piedade e alheia a dor dos pais e dos familiares, levou a vida deles da seguinte forma:

Um deles, jovem e promissor e com corpo atlético, teria morrido supostamente por overdose de cocaína e excesso de álcool com enérgico, após participar de uma roda de pagode. Em um outro caso uma garota de pouco mais de 16 anos, recentemente perdeu a vida, após ser vítima de um capotamento em plena Marcelino Pires na saída para São Paulo, e o mais recente, um rapaz foi fuzilado com quatro tiros, após se desentender com o seu assassino estar participando de uma festa em uma conhecida boate da cidade. Neste último caso, ambos estavam embriagados, esta foi a informação que correu na cidade após o registro dos fatos.

Isso tudo aconteceu nos finais de semanas e nos feriados prolongados quando são atrativas nos clubes locais, as bandas de rock; cover´s ou sertanejos universitários entre outras, e olha que há casos de coma alcoólica entre os jovens, a maioria deles garotas, que não chegam ao conhecimento dos pais e principalmente das autoridades competentes, o que é lamentável.

Pode parecer exagero de minha parte, mas entendo que os jovens de hoje não querem chegar aos 50, 60 ou 70 anos de vida como os da minha geração.

Por lembrar em minha geração, lembro que todos aqueles que também cometeram exageros na época foram ver “Jesus” mais cedo, e assim como nos dia de hoje (ou seria noite), a sangria e a dor que foi encravada nos seios de suas famílias foram de uma grandeza sem tamanho, se foi...!

Com relação quanto a esta opinião, a ser confirmada de que os jovens de hoje não quererem chegar a “velhice”, basta qualquer pessoa em sã consciência, em especial os pais que os autorizam a irem para a noite, percorrerem estes locais acima citados, e irão ver in loco que a palavra “divertimento” para muitos, passa longe deles, pois o que eles mais querem mesmo é ficar próximo do “silêncio da morte” que é igualmente ao bote de uma cobra cascavel, ou seja, cedo ou tarde, ela vem e abraça a sua presa, e aí, com certeza a dor é grande para a família, mais daí já é tarde, e nada mais se pode fazer, que o digam aqueles que já perderam na flor da idade, um dos seus entes queridos após uma destas saídas noturnas para participarem de uma destas supostas baladas regadas a muito som de rock and roll; metal have; pagode entre outros gêneros musical e claro, muito álcool e porque não, drogas...!

Finalizando, entendo que uma coisa é certa: Se os pais não fiscalizarem seus filhos e as autoridades competentes, em especial, os representantes do MPE não tomarem uma posição quanto ao problema que a cada final de semana vem em uma crescente em todos os locais citados acima, com certeza alguns jovens correrão o risco de não ver o Papai Noel e o novo ano que mansamente se aproxima, disso não há nenhuma duvida, é só eles pagarem pra ver..!.

Depois desta, parei e fui, mas volto, se volto...!

* O autor é jornalista e membro do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados)