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OPINIÃO: O julgamento do século

02 de agosto 2012 - 12h14 Por Noemir Felipetto
OPINIÃO: O julgamento do século

Pressão política versus clamor popular

felipetto Por mais que os ministros do Supremo Tribunal Federal queiram afirmar que o processo do mensalão seja mais um naquele tribunal, se engana quem achar que não será o julgamento deste século, mesmo com apenas 12 anos.

Por vários dias, ou meses, os 11 ministros do STF, o procurador-geral da República e alguns dos principais advogados do país esmiuçar-se-ão a uma vasta enciclopédia jurídica, analisando o esquema supostamente engendrado a partir do Palácio do Planalto, no qual o PT teria subornado políticos para manter perene seu projeto de poder.

Sete anos depois vem o julgamento que abalou o país ao derrubar a cúpula da Câmara dos Deputados e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Na época chegou-se até suscitar impeachment do presidente Lula. Números dão conta que o esquema movimentou mais de R$ 140 milhões.

José Dirceu, de acordo com a denúncia teria liderado a organização. Hoje os acusados respondem por peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude. O processo tem mais de 50 mil páginas, mais de 30 réus e 600 testemunhas.

Como no caso do presidente Collor de Melo, que na década de 90 perdeu o mandato por causa de um veículo usado e outras coisas mais, o do mensalão começou com um vídeo em que um funcionário do Correios recebia uma propina de R$ 3 mil.

Além de anônimos, o processo tem figuras emblemáticas como os ex-deputados Roberto Jeferson e José Dirceu, este tido como um dos principais amigos de Lula, passando por outros parlamentares de menor expressão chegando a Delúbio Soares, e o empresário mineiro Marcos Valério de Souza.

Claro que existem pressões: dos poderosos para que todos ou os mais cacifados politicamente sejam inocentados, mas também tem a pressão popular, esta vinda através da mídia que tem falado bastante nos últimos dias sobre o caso.

A despeito das pressões, o relator do processo, Joaquim Barbosa, venceu as 112 votações no plenário, levando ao banco dos réus todos os acusados pelo procurador-geral da República.

Mas se engana quem acha que o ambiente não será conturbado. Ministros já revelaram desconforto com as pressões políticas, jurídicas e inclusive internas. O revisor do processo, Ricardo Lewandowski reclamou do suposto açodamento do presidente Carlos Ayres Britto em julgar o caso. Receosos, os ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia passaram a gravar em áudio e vídeo os encontros com os advogados dos réus. Lula e Dilma indicaram oito dos 11 ministros

Mas independente do resultado, muita gente vai reclamar, dizendo que ocorreram fatos escusos. Ou seja, é um caso emblemático e que entrará para a história.

Sem dúvida, este julgamento é a oportunidade histórica para o Brasil se despir do estigma de uma nação conivente com a impunidade.

* O autor é advogado e jornalista