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OPINIÃO: “Ao mestre, com carinho!”

12 de agosto 2012 - 15h05 Por Waldemar Gonçalves - Russo
OPINIÃO: “Ao mestre, com carinho!”
Russo Recentemente li uma nota em uma revista de grande circulação nacional, onde ela informava que a Justiça em um determinado Estado do Brasil havia condenado um casal de pais que haviam se dirigido até a uma escola para agredirem uma professora, simplesmente porque a mestra teria dado nota baixo ao filho deles.

A Justiça brasileira como sempre branda condenou o casal a pagar pouco mais de mil reais em cestas básicas a uma instituição de caridade e nada mais, o que no meu ponto de vista é mais um dos absurdos jurídicos neste país que dentro de seu pobre - e próprio - sonho almeja chegar ao primeiro mundo.

Baseada no gancho acima pela atitude destes pais, minha mente viajou rapidamente aos tempos de minha alegre infância com meus pais e meus dois irmãos, mas que tragicamente foi interrompida aos 12 anos, com a morte de minha mãe e com isso tive de correr o mundo em busca de minha sobrevivência, como ainda estou até hoje aos 52 anos, ainda caminhando numa esteira em busca da minha plena felicidade.

Nesta viagem ao meu passado, parei em um episódio ocorrido na minha criancice tendo como protagonistas a minha mãe querida, a minha rainha do lar e a minha querida professora, que hoje sinto o orgulho de relembrá-la como sendo uma das rainhas e uma das grandes responsáveis pela cultura e educação que tenho até os dias de hoje.

O episódio ocorrido em Dourados, então estado de Mato Grosso, no início do ano 70, que vem em minha mente, refere-se a um castigo escolar que recebi da professora “Laíde” na então Escola Antônio João, a escola da “Maçonaria” na hoje rua Cuiabá e que era formada por salas de aulas rústicas e de madeiras,  e que teve prosseguimento quando cheguei em minha casa.

Por ter feito uma “arte” com uma colega de classe, a professora “Laíde” que não sei se ainda está entre nós ou se já foi morar com Deus, enviou-me a diretoria e lá permaneci de castigo até o final da aula e antes de ser liberado para ir embora para casa, veio o que mais temia, que era a de entregar um “bilhete” para os meus pais, onde nele narrava as razões pelas quais fui retirado da sala de aula, e este deveria ser assinado pela mãe como numa confirmativa de que eu havia entregado o recado.

Ao entregar o danado do “dedo duro do bilhete”, a minha mãe leu atentamente e de imediato ordenou-me para que fosse para o quarto e de lá saísse somente na manhã seguinte para ir à escola, ou seja, naquele dia não iria brincar de bola na máquina de arroz do seu Horácio Martins (hoje Doces Triunfos) com os meus coleguinhas.

Tal atitude de minha mãe lembra-me como se fosse hoje, quando ela ainda dentro do quarto tive de cumprir o castigo, antes de liberar-me para ir para a escola, para que eu jamais esquecesse que a dona “Laíde” segundo ela, era a minha segunda mãe, e em seguida, assinou o famigerado “dedo duro do bilhete” e ordenou-me que fizesse a entrega dele à professora e assim foi feito.

Como se vê, na minha época os professores era sim os segundos pais e mães dos estudantes e que em caso de castigo por uma peraltice na sala de aula, com certeza ele (o castigo) para muitas famílias seria dobrado em casa, claro, pelos pais biológicos, fato este que nos dias atuais, em muitos casos, já não ocorre mais, como se pode verificar no casal acima citado, que foram até a escola não para parabenizar a mestre por ter dado nota baixa ao filho deles, mas sim para puni-la, como se ela fosse a responsável pela falta de atenção ou de vontade de estudar do garoto deles.

Hoje sou uma pessoa feliz, não cursei nenhuma faculdade, é bem verdade, mas tenho um diploma que ninguém tira, que foi o aprendizado que o “pai mundo” deu-me ao longo de minha vida, aonde muitos ensinamentos foram às custas de muita alegria enquanto outros, com muita dor, porém, foram ensinamentos que faz com que eu seja hoje o homem que sou, mas que não tenho nenhuma, devo muito a isso a minha mãezinha que mora com Deus desde o dia 7 de novembro de 1.972, e aqui em nome da mestra “Laíde” os sinceros e eternos agradecimentos aos demais mestres que tiveram a paciência em passar os seus ensinamentos para mim, e claro, ao mundo por ter me ensinado nas mais variadas formas de como se deve viver a vida com dignidade, austeridade, agindo dentro do máximo possível como homem...!

Numa noite desta de insônia (estou ficando velho), liguei a televisão e estava passando o filme “Ao mestre com carinho”, que foi feito em 1966, em que alunos fazem uma homenagem ao professor Mark Thackeray, personagem este vivido pelo ator negro Sidney Poitier e que entre os alunos problemáticos de uma escola americana, está Lu Hopping ou “Lulu” que ao final do ano letivo, faz uma homenagem ao mestre cantando "To sir with love".

Este filme é maravilhoso, trás uma grande mensagem para aquela época e que retrata nos dias de hoje, que os professores não sejam reconhecidos como merecem pelos nossos governantes, e principalmente por parte de alguns pais, como o casal acima citado na abertura deste artigo. Para mim, aprendi desde pequeno por meio de minha mãe que honrar um professor ou professora, seria o mesmo que honrar ela e o pai.

Enfim, finalizando, para todos os Mestres, o meu carinho, o meu respeito.

Depois desta, parei e fui, mas volto, se volto...!

* O autor é jornalista e membro do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados)