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OPINIÃO: A aliança de Brizola com os morros

22 de agosto 2012 - 12h53 Por Redação Douranews
OPINIÃO: A aliança de Brizola com os morros

No ano de 1982, Leonel de Moura Brizola disputou e ganhou a eleição para governador do Estado do Rio de Janeiro, tomando posse no mês de março de 1983.

A última eleição que havia disputado, antes de ser exilado pela ditadura militar que se implantou no país a partir de 01.04.64, em 1962 obteve 292.500 votos para deputado federal, recorde proporcionalmente falando igual ao alcançado por Tiririca.

Mais ou menos no meio da campanha eleitoral, as pesquisas indicavam que ele tinha 3%, Sandra Cavalcante 26%, e o candidato Miro Teixeira, 36%.

Diante dos índices de intenção de votos acima, o PCB (Partido Comunista Brasileiro), que defendia que para acelerar o processo democrático era necessário uma ampla frente de alianças para derrotar a ditadura e reconquistar os espaços democráticos [na prática o que o PCB defendia era corroer as bases de apoio da ditadura, por dentro, ampliando sempre a política de frentes] foi a um encontro com Brizola, com o objetivo de convencê-lo a retirar a candidatura, vez que as pesquisas indicavam que naquele momento ele tinha 3% das intenções de votos, mas o que o PCB considerava e temia era que Sandra Cavalcante, de extrema direita, que estava crescendo nas pesquisas, fosse vencedora da eleição.

Brizola permaneceu calado e ouviu as ponderações dos membros do PCB. Em seguida, disse as seguintes palavras: “Algo me diz que essa realidade vai mudar”, e a reunião foi encerrada.

Brizola não disputou a eleição contra apenas os partidos envolvidos na disputa, mas seu maior adversário era a Rede Globo e a classe média carioca.

Naqueles dias o Rio já enfrentava a redução dos empregos no setor industrial, mas com um potencial turístico a ser explorado, todavia a sensação das pessoas que não conheciam o Rio de Janeiro, pelos noticiários da Rede Globo, a área de segurança estava um caos, traficantes controlando territórios, policia corrupta, classe média assustada, ensino defasado e cujo modelo já estava obsoleto.

Agora vamos à articulação que Brizola fez, como ele mesmo disse ao pisar no solo pátrio em São Borges-RS, onde meu avó materno Leôncio Marques, um dos pais fundadores de Dourados nasceu em 1898 e veio para Dourados-MS na idade de 3 anos, passando pela Argentina e pelo Paraguai, até Ponta Porã-MS., primeira escala de nossa família até finalmente fundarmos Dourados.

Disse Leonel Brizola no túmulo de Getúlio Vargas, que “teria que assimilar as novas realidades”, e já no inicio de sua reinserção na vida politica nacional sofreu um duro golpe, ao perder a sigla PTB para a ex-deputada Ivete Vargas.

Como a demanda que mais apavorava a classe média carioca era a questão da violência, Brizola baixou uma ordem de serviço com a seguinte determinação: “quem está em cima não desce, quem está em baixo não sobe”, selando uma aliança entre o morro e o asfalto, articulada pelo delegado Campana, que depois foi acusado de corrupção e esteve envolvido em escândalos.

Brizola enfrentava uma resistência da juventude bronzeada do circuito Flamengo\Barra da Tijuca. Para combatê-la e dividi-la cunhou as expressões “mauricinhos” e “patricinhas” quando a esse segmento se referia.

Para concluir suas articulações, os brizolistas fundaram a Brizolândia, no Centro do Rio de Janeiro, entre a Cinelândia e o Teatro Municipal.

Apesar da tentativa do regime de fraudar o resultado das urnas, Cesar Maia, detectou que os votos de Brizola estavam sendo manipulados, foi o famoso caso Proconsult.

Resumo da Ópera: Leonel de Moura Brizola, eleito governador do Rio de Janeiro, na companhia de Darcy Ribeiro construiu o Sambódromo, os CIEPS... entrou na história na  vida como ela é. Concluindo: Ninguém governa o Rio sem os morros.

O autor é advogado.