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OPINIÃO: Visita ao lar... dos outros !

22 de novembro 2012 - 17h48 Por Waldemar Gonçalves - Russo
OPINIÃO: Visita ao lar... dos outros !

   Russo nova Se já não bastassem os problemas externos, quando nas ruas e avenidas de Dourados circulam livremente inúmeros infratores, em sua maioria menores, presidiários no regime aberto e semi-aberto, que aplicam os mais diversos delitos contra a população trabalhadora, como arrombamentos seguidos de furtos em lojas comerciais e residências, surrupiando tudo que enxergam a sua frente, e destruindo aquilo que não podem levar.

            Na verdade, estes mesmos produtos adquiridos por seus proprietários com muito sacrifício, a custa de manobras de seus salários e até mesmo com “dura economia no bolso e principalmente na barriga” são facilmente arrebatados por inescrupulosos receptadores ou donos de pontos de vendas de drogas.

            Após serem furtados, facilmente os produtos é trocados por trouxinhas de maconha ou papelotes de cocaína e principalmente por pedras de cráck, o que é muito lamentável, pois é sabido que dificilmente os nossos organismos policiais conseguem chegar até aos autores dos delitos, quer sejam eles os ladrões, os receptadores ou donos de pontos de vendas de drogas, que, aliás, existem aos milhares nos quatro cantos da cidade.

            Além destes problemas do cotidiano do povo trabalhador ao longo do 365 dias, eis que surge o eterno problema de fim de ano, onde por força de uma lei retrógada, até mesmo “covarde” para com os contribuintes e chefes de família, a tal “licença de fim de ano” que muitos chamam de indulto de Natal que é assinado pelo presidente da República e transformado em decreto, e, a utopia de “visita ao lar”, com previsão de cerca de 40 presidiários ou mais, recebendo o passe livre para então supostamente visitar seus entes queridos, o que na realidade, muitos deles assim não irão fazer.

            Mas, queira ou não, justamente nesta mesma época, quando os mesmos saem às ruas, os índices de arrombamentos seguidos de furtos aumentam. Seria mera coincidência (?)... Será que em vez deles, em sua maioria, visitarem o lar para rever filhos, esposas, pai e mãe, não visitam também os “lares dos outros” ???.

            É triste, mas deve se pensar nisso, uma vez que volta e meia alguns deles é preso em flagrante por tentativa disso ou daquilo ou por envolvimento com o tráfico de drogas pelas ruas e avenidas da cidade.

            Enfim, lamentavelmente os altos índices de arrombamentos seguidos de furtos na cidade de Dourados é uma triste realidade...! Mais lamentável ainda é a falta de uma estrutura em nossas leis, que abrem os portões do presídio, com o intuito de oferecer ao condenado o direito de visitar seus lares.

            De problemas à comunidade, bastam os já criados pelos impunes e chamados de “menores infratores”, que de um lado receberam seus direitos, o famigerado ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que tem deveres também a ser delegados, porém, muito pouco se faz neste sentido, uma vez que não se conhece um menor infrator cumprindo à risca os seus deveres, mas sim, usando e abusando de seus direitos, causando enormes prejuízos à sociedade, que assim como estes que aí virão daqui uns dias para a visita ao lar, não será difícil de acreditar que na verdade muitos deles estarão sim visitando os nossos, pois todos eles, sem exceção, sabem da fragilidade e da impotência de nossos organismos de segurança pública, porque, senão vejamos:

A PF (Polícia Federal) foi o tempo em que ela atuava dentro da cidade, e olha que naquela época o então delegado Delci Teixeira, que adorava a cidade, não tinha nas mãos a estrutura que a delegacia tem hoje.

O DOF (Departamento de Operações de Fronteira) hoje é um órgão que assim como a PF, também não serve nada para ajudar a combater a criminalidade, o que na época de Adib Massad e sua turma, Dourados era uma de suas prioridades, pois a razão da criação deste grupo especial apelidado de “Águia da Fronteira” foi justamente por causa dos altos índices de assaltos que havia nas fazendas e principalmente na cidade.

A GMD (Guarda Municipal de Dourados) faz aquilo que está dentro de suas condições, mas não tem assim tanto poder de polícia e claro, muitos dos servidores que lá estão não querem arrumar para as suas cabeças, combatendo os bandidos.

A PC (Polícia Civil) coitada, há anos está falida, tanto que somente o 1º Distrito Policial possui uma equipe de investigação, que convenhamos em que pese ser muito boa, está atolada de ordem de serviços pela grandiosidade que é a cidade, enquanto muitos agentes que lá estão sequer conhecem uma Vila Cachoeirinha por exemplo. No caso da PC, a turma do doutor Antônio Carlos Videira, o “Carlinhos”, procura, ou pelo menos tenta, melhorar, mas o trem tá tão feio para o lado do órgão, que nem “dedo duro” ou “alcagüete” ele tem para ajudar os agentes a desvendar e prender os bandidos, os receptadores e principalmente os proprietários de pontos de vendas de drogas.

A PM (Polícia Militar) está defasada num tanto que pouca gente percebeu, mas nos últimos dias, as viaturas, que em sua maioria estão entrando na fase do sucateamento e devem ser no máximo cinco percorrem as ruas e as avenidas da cidade, conta com apenas dois homens dentro delas.

Neste caso aqui consta que muitos policiais militares estão de férias enquanto outros de licenças médicas e o pior, os praças velhos em vias de por o pijama para ir para casa não quer arrumar dor de cabeça e os que são novatos ou estão no estado probatório, muito menos ainda.

Vai daí que, se não houver uma mobilização no setor de segurança pública neste final de ano, os bandidos vão sim, deitar e rolar, é só esperar e pagar (caro por sinal) para ver, pois se falta um comprometimento maior nos organismos policiais que atuam na cidade no combate a criminalidade, com certeza sobra bandidos para tirar a paz e principalmente os bens dos cidadãos de bem...!

Parei e fui, mas volto !!!.

* O autor é jornalista e membro do Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados) e foi repórter policial por mais de 20 anos em Dourados