A diplomação dos eleitos que acontece hoje à noite em Dourados encerra um ciclo de turbulência na política do município que começou com a eleição, quatro anos atrás, de Ari Artuzi para a prefeitura, passando por duas operações da Polícia Federal e o desmantelamento por completo de um quadro político inovador para a época e que parecia sepultar velhas lideranças políticas.
Dourados teve quatro prefeitos em um período de quatro anos. Sobreviveu ao ‘tsunami’ político por obra e graça da resistência de sua população. A cidade caminha sem a necessidade de apoiar única e exclusivamente na política. O setor econômico e as forças que movimentam a cidade suportaram o desmanche político administrativo que aconteceu e a alternância de mandatários à frente do Executivo.
O início de tudo foi marcado pela surpresa da eleição de um parlamentar não muito afeito às letras e com parca experiência administrativa. Mas o povo, soberano em seus desejos, elevou Ari Artuzi à condição de prefeito de Dourados com todas as pompas e honras inerentes ao cargo.
Sem a exata medida da importância que o cargo carrega, Artuzi não demorou a descobrir o poder de sua assinatura. Os interesses da população foram rapidamente trocados por favores e benesses àqueles que prestavam serviços à prefeitura, ao próprio Artuzi e seus apaniguados. Veio a primeira operação da Polícia Federal, a “Owari”, levando para a prisão secretários municipais, políticos (vereadores em destaque) e empresários.
A carreira política e administrativa de alguns sofreram então um duro golpe, mas Dourados resistiu bravamente. A administração se recompôs auxiliada por forças que atuavam na Capital. A investida sobre o pífio governo de Artuzi por parte da Polícia Federal não parou por ai. Novas e severas turbulências aconteceriam.
Veio mais uma ação da Polícia Federal e dessa vez devastadora sobre os pilares da política municipal. O prefeito, que saíra arranhado apenas da ‘Owari’ agora estava no olho do furacão ‘Uragano’. Foi preso junto com a esposa, assessores diretos, políticos da base aliada e até mesmo adversários envolvidos em um dos escândalos jamais visto em terras sul-mato-grossenses. A cidade ficou sem comando. O vice-prefeito e quase que a totalidade da Câmara de Vereadores também foram para a prisão.
Acéfala administrativamente, Dourados teve seu comando passado às mãos da Justiça por meio do interventor nomeado Eduardo Machado Rocha com a incumbência de funcionar como administrador até o restabelecimento da ordem sucessória natural. Onze vereadores envolvidos com a Operação ‘Uragano’ elegeram a vereadora Délia Razuk presidente do Legislativo, habilitando-a assim a assumir a condição de prefeito.
Brigas judiciais retardaram a posse de Délia. Peleias judiciais e a necessidade de renúncia do prefeito e vice presos dificultavam ainda uma decisão sobre a melhor data para realização de uma nova eleição para a prefeitura de Dourados. Ela terminou acontecendo em 6 de fevereiro de 2011 com a vitória de Murilo Zauith que obteve mais de 80 por cento dos votos válidos.
ESTABILIDADE - Foram os quatro anos mais atípicos na política de Dourados segundo observadores atentos ao processo. A estabilidade volta agora com a eleição normal ocorrida em outubro último e hoje a diplomação dos eleitos, tanto para a prefeitura quanto para a Câmara de Vereadores devolve a estabilidade política ao município.
Murilo tem o aval que precisa para programar mudanças de ordem estrutural e econômica para viabilizar uma administração planejada para quatro anos de mandato legitimamente outorgado pela população. Não está, segundo interlocutores, preocupado com críticas a essa ou aquela medida por ele adotada. Tem, segundo avalia, as peças certas nos lugares certos e uma certa tranquilidade na base que o apoia na Câmara de Vereadores.
Dourados deve experimentar agora uma nova fase de vida política e administrativa. Não há possibilidade aparente de acontecer surpresas que empurrariam a cidade para uma nova crise institucional. O que temos a enfrentar no momento são dificuldades financeiras momentâneas que podem ser facilmente resolvidas com o dinamismo e criatividade dos detentores do poder.
Afinal, o planejamento da Dourados do futuro está na cabeça de uma só pessoa: Murilo Zauith. Ele diz com clareza absoluta e a certeza de quem há muito vem alimentando e construindo o projeto que pretende por em prática, que agora é uma “questão de honra” colocar Dourados nos trilhos do desenvolvimento. Quem viver, verá e testemunhará!
* O autor é jornalista