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OPINIÃO: São Paulo, a cidade de Tibiriçá

25 de janeiro 2013 - 17h22 Por José Tibiriçá Martins Ferreira
OPINIÃO: São Paulo, a cidade de Tibiriçá

Hoje a cidade de São Paulo, capital do estado com o mesmo nome, está completando 459 anos e ali no museu do Ipiranga encontra-se os restos mortais de Tibiriçá colocado numa cripta, em companhia do Padre José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, onde visitei em 1969 quando estudava em Agudos. Sempre gostei de novidades e para minha surpresa nos fundos da Catedral da Sé, encontrei  o museu. Naquela época a Praça da Sé era muito visitada, tinha muitas árvores e bancos, onde as pessoas ficavam sentadas lendo jornais e colocando os fatos em dia.

Hoje este costume só existe em cidades pequenas e de porte médio como a Praça Antonio João e Ari Coelho, onde encontramos pessoas sentadas jogando dama, lendo jornais, namorando e onde as crianças ainda podem brincar. Quanto à Praça da Sé, hoje é um local perigoso, só existe concreto, ali aconteceram muitos eventos políticos e ao passando por lá tem que ter muito cuidado, pois a violência tomou conta do local.

                                    Na história do Brasil é narrado que Tibiriçá nasceu em 1440 em São Paulo de Piratininga e faleceu em 25 dezembro de 1562, sendo um importante líder indígena brasileiro tupiniquim no início da colonização portuguesa do Brasil e seu aliado. "Tibiriçá" é um nome tupi e significa, literalmente, "olhos da terra", no sentido de "vigilância da terra", "maioral", a partir da junção dos termos yby (terra) e esá (olho). Teve papel destacado nos eventos relacionados à fundação da atual cidade de São Paulo em 1554. Foi convertido e batizado pelos jesuítas José de Anchieta e Leonardo Nunes. Seu nome de batismo cristão foi Martim Afonso, em homenagem ao fundador de São Vicente. Sua data de nascimento é calculada em 1440.

Era chefe de uma parte da nação indígena estabelecida nos campos de Piratininga, com sede na aldeia de Inhampuambuçu, irmão de Piquerobi e de  Caiubi, índios que se salientaram durante a colonização do Brasil: o primeiro, como inimigo e o segundo, como grande colaborador dos jesuítas. Teve muitos filhos com a índia Potira, como: Ítalo, Ará, Pirijá, Aratá, Torui e Bartira. Esta casou com João Ramalho de quem Tibiriçá era grande amigo e a pedido do qual defendeu os portugueses quando estes chegaram a São Vicente.

 Em 1554, acompanhou Manuel da Nóbrega e Anchieta na obra da fundação de São Paulo e estabeleceu-se no local onde hoje se encontra o Mosteiro de São Bento, espalhando seus índios pelas imediações. A atual Rua de São Bento era, por esse motivo, chamada, primitivamente de Martim Afonso, nome em que fora batizado o cacique. Graças à sua influência, os jesuítas puderam agrupar as primeiras cabanas de neófitos nas proximidades do colégio. Tibiriçá deu, aos jesuítas, a maior prova de fidelidade em  9  de julho de 1562, quando, levantando a bandeira, uma espada de pau pintada e enfeitada de diversas cores, repeliu, com bravura, o ataque à vila de São Paulo, efetuado pelos índios tupis, guaianás e carijós, chefiados por seu sobrinho, filho de Piquerobi, Jagoanharo, no ataque conhecido como o cerco de Piratininga.

“Tibiriçá morreu em 25 de dezembro de 1562, como atesta José de Anchieta em sua carta enviada ao padre Diogo Laínes, em decorrência de uma peste que assolou a aldeia. Em 1580, Susana Dias, sua neta, fundou uma fazenda à beira do Rio Tietê, a oeste da cidade de São Paulo, próximo à cachoeira denominada pelos indígenas de "Parnaíba": hoje, é a cidade de Santana do Parnaíba”.

Muitos até me perguntaram se sou descente dele, pois este nome não é muito comum. Meu pai, português de nascimento, casado com uma brasileira achou por bem colocar um nome em cada filho composto, ou seja: um português o outro brasileiro: Francisco Paraguassu Martins Ferreira, José Tibiriçá Martins Ferreira e Iracema Maria de Fátima Ferreira.

Meu pai gostava muito de história, lia muito, era um autodidata e esta herança ele transmitiu aos os filhos e à própria mulher que nos seus quase 95 anos passa o dia lendo.

Como São Paulo hoje está comemorando mais um aniversário de fundação, resolvi escrever este artigo, pois quem ler poderá aprender um pouco mais da nossa história que é muito rica em fatos.

Parabéns São Paulo e Tibiriçá.

Dourados-MS, 25 de Janeiro de 2013.

* O autor é licenciado em Letras com Inglês, advogado e produtor rural na Picadinha.