Primeiro de tudo, para profissionalizar o futebol em Dourados ou em qualquer outro município, o principal diz respeito à paciência. É como uma empresa. Se o empresário abre um negócio, começa com uma equipe e em trinta dias muda.
Contrata outra turma e da mesma maneira em trinta dias muda todo o quadro, e assim sucessivamente, não tem como uma situação como esta dar certo, o fracasso num curto espaço de tempo é certo. Diz o ditado popular que pedra que muito rola não cria limo.
Essa assertiva retrata com propriedade a falta de planejamento, numa proposta que possa nascer com prazo mínimo de dez anos. Por exemplo, desde que entrou para a Série A de MS, a equipe do 7 Setembro, ou 7 de Dourados, não interessa, quantos treinadores teve e quantas vezes repetiu-se a mesa escalação em no máximo dois jogos?
Faça uma análise e responda com toda sinceridade, há alguma chance de uma postura como esta dar certo? Não! E não! Dinheiro mal usado, empresário expondo sua marca na “marra”, mesmo sabendo que o custo-benefício no investimento é zero.
Esse empresário vai ter animo para continuar investindo no futebol, sabendo que até para chegar entre os classificados na fase de afunilamento é uma incerteza? Outro detalhe, em Estados como o MS, em que predomina, sobretudo a teimosia dos ditos dirigentes do que propriamente diálogo e ações efetivas, sem peso nenhum no contexto esportivo, deve haver mais empenho do governo e da própria iniciativa privada para atrair bons profissionais e assim justificar a ida de novos torcedores aos estádios.
Dourados é uma das poucas cidades brasileiras fora do eixo dos grandes centros a oferecer condições para lapidar talentos, consequentemente produzir lazer e entretenimento entre a comunidade, pois o estádio de futebol é magnífico, campos espalhados para centros esportivos na cidade e na zona rural, pistas, parques, boa rede hoteleira, voos diários, e talentos surgindo naturalmente.
Então o que falta mesmo é mais respeito e troca de experiência entre os desportistas, para se buscar o senso comum. Outro detalhe, precisa começar por cima, ou seja, não contratando somente gente de fora.
Tanto diretores, comissão técnica, departamento comercial, assessorias, dentre outros, tem que ser formada por pessoas daqui mesmo. Tem jeito sim! Basta para tanto propósito comunitário. Outra coisa: a responsabilidade na formação de uma equipe de futebol profissional não pode ser de forma individual de grupo e muito menos de pessoa.
Essa tarefa tem que partir da presidência, mas a presidência não pode arcar com o ônus solitariamente e muito menos os demais diretores, investidores e comissão técnica. Todos devem apresentar o mesmo tom de voz na mesa de conversações.
O torcedor douradense não merece tanta amargura. Está passando da hora de um olhar mais agudo e crítico nessa direção. Organizando esse quesito, o passo seguinte para um projeto esportivo macro se solidificar de vez passa pela participação do sócio-torcedor ou sócio-contribuinte, aí, sim, envolvendo todo o conjunto do mundo desportivo.
* O autor é Jornalista e narrador esportivo