A cidade de Dourados está sendo construída há anos por uma miscigenação de raça, tanto que a cada dia aportam pessoas das mais diversas regiões do país e até mesmo dos países vizinhos, em especial paraguaios e bolivianos.
Dentro desta premissa, também é possível dizer - ou seria escrever - que a cidade também é uma espécie de pára-raios, uma vez que além de muitas famílias e pessoas de bem que por aqui chegam, também aportam espertalhões, golpistas, vigaristas, enfim, malandros que visam com falsas promessas, e visando ganhar dinheiro, ‘dar tombos’ em pessoas simples, principalmente com a venda de sonhos, ora no mundo do futebol ou no artístico e, o que é mais triste, muita gente cega acaba sucumbindo e, como principal resultado, sai no prejuízo tanto moral como financeiro.
Antigo golpe, agora com status, promovidos por supostos profissionais vem sendo aos olhos de nossas autoridades competentes corriqueiramente aplicados em diversas famílias, golpes que podemos denominar de “fábrica dos sonhos” e o lamentável, a maioria dos alvos deles, são gente humilde.
Jovens são abordados, por exemplo, nas ruas e avenidas da cidade, com promessas de supostos empresários ou emissários que se utilizam de nomes de empresas de grandes portes e de respeito ou de clubes de futebol profissionais nacionais para iludi-los e os mais comuns são os que se apresentam para as já manjadas “peneiradas” com crianças de idade de 12 anos até aos adolescentes com idade máxima de 17 anos.
Também tem aqueles malandros que se apresentam como agentes de agências de modelos, oferecendo cursos para serem top model ou aqueles que abrem inscrições para supostos concursos públicos, entre outras áreas que levam as pessoas ao maior dos sonhos, que é o de crescer tanto profissionalmente como financeiramente.
Mas para que tudo isso possa acontecer na vida destas pessoas, ora vítimas, vem a malandragem com absurdas cobranças de taxas, muitas delas faraônicas que chegam inclusive a colocar os pais em situações críticas financeiramente por quererem ver o melhor para seus filhos, e em muitos casos, tem gente que chega até mesmo a contrair empréstimos para arrecadar o dinheiro solicitado pelos malandros, os golpistas.
O “sonho de modelo”, por exemplo, é o pior de todos eles, pois a maioria dos jovens são abordados e ganham convites com um único intuito por parte deles, dos malandros, que é o de “vender book” com a falsa promessa de encaminhá-los para agências especializadas e de renome nacional, ou até mesmo para fazer testes nas redes de televisão do país, em especial a poderosa Globo.
Essas pessoas, em especial os jovens quase no geral, possuem idade entre 13 a 16 anos e os locais dos supostos testes quase sempre bem escolhidos para que realmente possam impressionar as suas vítimas, em especial os seus pais, todavia, após as arrecadações das taxas de inscrições, os mesmos anoitecem na cidade, porém não amanhecem.
Vale lembrar que muitas garotas “sonhadoras” e de família de baixa renda, por meio de seus pais, pagam na maioria das vezes no sacrifício as altas taxas e os tais testes ou criação do “book” passam a ter suas datas sempre adiadas.
Em alguns casos os supostos cursos são dados, porém por professores sem formações adequadas e sem reconhecimento do MEC (Ministério de Educação e Cultura), muitos deles têm seus nomes divulgados em redes sociais.
Entendemos que cabe a nós da sociedade douradense defender nossos jovens e até mesmo as famílias não só do submundo das drogas, mas também destes tipos de malandros, vigaristas, que aportam na nossa cidade com um único objetivo, que é enganar a todos com as suas “vendas de sonhos” em especial as garotas.
Entendemos que esse tipo de gentalha deve ser denunciado aos órgãos competentes, em especial à Polícia e ao Ministério Público Estadual por crimes de estelionatos e corrupção ativa e passiva, pois dentro das suas mentes diabólicas em angariar dinheiro fácil e à custa dos sacrifícios dos pais, buscam com suas lábias vender “sonhos” aos nossos jovens de ganhar dinheiro e principalmente fama como se fosse um passe de mágica.
Finalizando, entendemos que o povo douradense não pode deixar que estes tipos de malandros, vigaristas profissionais, venham além de angariar dinheiro com seus golpes, frustrar nossos jovens, pois se isso ocorrer com certeza eles terão no futuro em suas mentes, o medo de fazer com que o seu dia a dia possa crescer pelo seu próprio talento, o que seria, a bem da verdade, natural, e aí sim, um verdadeiro sonho e não fabricado como querem estes canalhas, oportunistas e exploradores da humildade e da boa fé de uma família, como já ocorreu com muitos em nossa cidade, que perderam dinheiro nas mãos deles e frustraram seus filhos ou filhas. Do mais, paz e bem, fui, mas volto, se volto...!
* O autor é jornalista e integrante do Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados