Discorrer sobre as problemáticas ambientais nos faz buscar a compreensão dos modelos econômicos impostos pelos homens e determinados principalmente em meados do Século XVIII pela revolução industrial.
Este modelo fez da Inglaterra deste século a maior potência mundial, porém com a colonização de povoamento dos Estados Unidos e com as sucessivas guerras fez com que este país perdesse a condição de líder mundial.
Concomitantemente, guerras e modelos de produção adotados foram promovendo grandes impactos ambientais, fazendo surgir movimentos em favor da preservação ambiental, questionamentos sobre o modelo econômico começaram se desencadear e muitos pensadores ainda no Século XVIII chamavam atenção para o grande desequilíbrio que estaria ocorrendo e que o sistema capitalista não corresponderia com a distribuição justa das riquezas produzidas, pelo contrário indicaria que seria altamente acumulada por uma privilegiada minoria detentora dos meios de produção.
No Século XX identificamos os sérios impactos ambientais e as percepções previstas pelos pensadores que se opunham ao modelo econômico se concretizaram, nossas riquezas naturais paulatinamente foram e ainda estão sendo dizimadas em favor do grande capital, enquanto a maioria dos bilhões de habitantes do mundo ficaram exclusos deste processo e somente com as conseqüências desta exploração selvagem dos nossos recursos naturais.
Diante da problemática o século XXI terá que obrigatoriamente se transformar no século da ideia de sustentabilidade, por termos ciência que a produção não irá parar e isso é uma exigência imposta socialmente, desta forma o grande desafio é sairmos de uma relação de agressividade com a natureza para uma relação harmônica que concilie desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente.
Sendo o Brasil detentor das maiores riquezas naturais do mundo, tais como as águas subterrâneas e superficiais, por possuir biomas tais como da Amazônia, o Pantanal, o Cerrado ,o Semi-Árido e a Mata Atlântica deverá ser um grande colaborador mundial, visto que a preocupação é de sustentabilidade global, pois entendemos que devemos ser eficazes neste propósito e exigindo dos nossos governantes a não omissão ao enfrentamento aos grandes conglomerados econômicos que detém o controle da agricultura e da indústria mundial em detrimento do nosso meio ambiente, visto que infelizmente o Brasil é um dos maiores consumidores de herbicidas e inseticidas do mundo, não somente pela agricultura, também pelo uso doméstico.
Estes agrotóxicos são controlados pelo Ministério da Saúde e faz com que a responsabilidade do Brasil seja rigorosa no controle, pois é sabido que a maioria das fábricas de agrotóxicos do mundo está instalada em países emergentes, pois infelizmente aqui há incentivos fiscais e isenções até mesmo de ICMS para suas instalações, existem ainda os bancos oficiais que oferecem linhas de créditos que incentivam a prática deste modelo de agricultura baseada na monocultura.
Daí devemos nos indagar: E a lei dos agrotóxicos (Lei 7802 de 11/04/1989) está sendo cumprida em sua integridade? Infelizmente observamos que não, nossas águas estão sendo contaminadas, nossas faunas e floras sendo atingidas e modificadas, ingerimos muitos agrotóxicos e nossos agricultores nem sempre utilizam os equipamentos de segurança no manejo dos produtos químicos.
Então que o dia 05 de junho seja para fazermos uma reflexão mais contundente das questões ambientais, pois entendo que as preocupações devem fazer parte do nosso cotidiano, saindo do discurso para a prática, agirmos no local, pois nossas ações promovem efeitos globais.
As poluições do ar, do solo e da água aliadas aos desmatamentos provocam diminuição da biodiversidade, reduzem a potabilidade das nossas águas e destroem a camada de ozônio proporcionando grandes mudanças climáticas que irão alterar profundamente ainda mais a vida deste planeta, por isso mudarmos nossas atitudes, sermos agentes ativos e advogarmos a ideia de construção de ambiente seguro serão fatores preponderantes para uma relação ímpar homem/natureza neste século.
Para concluir, deixo como reflexão que Deus perdoa sempre; os homens, às vezes, e a natureza não perdoa nunca.
* O autor é vereador (DEM), geógrafo, professor e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Dourados