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Opinião

ARTIGO: O poder de um sentimento individual silencioso para explosão de um só grito

25 de junho 2013 - 14h17 Por Madson Valente
ARTIGO: O poder de um sentimento individual silencioso para explosão de um só grito

Todos nós possuímos o instinto revolucionário mesmo que seja de forma silenciosa. Quem na profunda reflexão já não se imaginou modificando a ordem das nossas estruturas de poder?

Por inúmeras vezes ouvimos a expressão que o brasileiro é passivo, que aqui tudo acontece e nenhuma providência é tomada. Se construiu uma ideia e uma cultura definitiva que o Brasil é um país onde se aceita o inaceitável.

Felizmente o mês de junho/2013 deixará de ser lembrado apenas pelas festas caipiras de Santo Antônio, São João e São Pedro e será enaltecido por muitas gerações, pois o povo que um dia lutou para ter vez, como ocorreu no movimento das diretas já nos anos 80 e que no início da década de 90 protagonizou a saída do ex-presidente Fernando Collor, liderados pela juventude, agora assiste estes meninos convocarem a sociedade de forma autêntica através de suas vozes para ocuparem as ruas, praças públicas e sedes de nossas instituições para demonstrarem ao mundo que o Brasil que temos não é o Brasil que queremos.

Quando passamos perceber o gigantesco movimento social, adesão em massa, manifestações de todas as formas, foi como que de repente toda a revolução silenciosa se libertasse e se juntasse para diante de uma só soma se tornar um único grito de libertação, deixando nossas omissões e procurando delimitar nosso espaço nesta  incrível relação de poder e dominação em todos os sentidos imagináveis.

Não há poder maior que aquele que emana do povo, todos nós devemos temer, pois um povo cônscio dos seus direitos, dos seus deveres, é soberano, e sabemos muito bem que transformar uma sociedade se dará através de uma grande revolução cultural. Entendo que estamos em um franco processo de evolução para este desejo e  isso obriga a todos, sem exceção, avaliarem seu papel nesta sociedade, saindo do discurso para a prática, sendo cidadãos plenos para não corrermos ao risco da hipocrisia.

Discutir melhorias das políticas públicas, convocar a sociedade para definir suas prioridades são fatores essenciais na democracia e estas situações que estão ocorrendo contribuirão para uma profunda reflexão dos nossos governantes, pois esta reação deixa explícito que o grito social se dá pela exclusão das discussões das prioridades deste país, transmitem o sentimento que os brasileiros gostam sim de futebol, gostam de praia, de um bom churrasco, porém um país com graves problemas sociais não poderia priorizar a realização de uma copa do mundo ou as olimpíadas como política principal de um governo, ou seja, embora as forças alienadoras sejam potenciais, descobrimos que somos muito mais fortes.

Esperamos que estes movimentos se inspirem no verdadeiro valor da democracia, que se estabeleça o diálogo, nossa capacidade de evoluirmos na construção de novos modelos de gestão pública, pois a sociedade não deve aceitar que minorias inseridas nestes movimentos ofusquem a beleza de um povo organizado, visto que esta sociedade de forma ampla prefere o exemplo do silêncio de Mahatma Gandhi do que a intolerância dos Skinheads.

Que todos colaborem para construir esta tão almejada sociedade que se encontra em nosso imaginário.

* O autor é vereador, geógrafo, professor e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Dourados.