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Opinião

ARTIGO: Fátima do Sul, O Estado de Maracaju e a Revolução Constitucionalista de 1932

09 de julho 2013 - 15h49 Por José Tibiriçá Martins Ferreira
ARTIGO: Fátima do Sul, O Estado de Maracaju e a Revolução Constitucionalista de 1932

TIBIRIÇA No dia 12 de novembro de 1958, Vila Brasil é elevada à categoria de Distrito  de Dourados e em 11 de dezembro de 1963 e a Município em 11 de  fevereiro de 1965, passou oficialmente a se chamar Fátima do Sul. Antes de receber o nome atual, o então prefeito Reinaldo dos Santos Morais, vendo a necessidade de trocar o seu, nomeou em 1965 uma comissão para a escolha dos nomes, sendo sugerido pela comunidade:  Porto Vitória, Marechal Rondon, Campinas  Sul, Novo Planalto, Rio Brasil, Brasiporã, Novo Brasil, Fátima do Sul e Culturama, mas a maioria optou por Fátima do Sul.

Emancipou-se em 11 de dezembro de 1963, por ato do Governador Fernando Corrêa da Costa que ao promulgar a Lei no 2057, passou o ex-Distrito de Vila Brasil a compor um novo município no Estado de Mato Grosso, denominado de Fátima do Sul.

A maioria do pessoal com quem tenho comentado sobre o fato da comemoração do aniversário da cidade  fora da data da sua emancipação não sabe que a data correta é o dia 11 de dezembro de 1963 e que o dia 9 de julho de 1953 é uma data em que houve uma tragédia, cuja rua principal da cidade já leva este nome.

Hoje também se comemora os oitenta anos da Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, sendo um movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil.

Amanhã, dia 10 de julho comemora-se a data da criação do Estado de Maracaju, cuja sede do governo funcionou na Rua Calógeras onde está localizada a Loja Maçônica Oriente de Maracaju. Este nome foi dado à criação revolucionária do Estado Federativo Brasileiro que existiu sem autorização da União de 10 de julho de 1932 a 2 de outubro de 1932, durante as agitações da Revolução Constitucionalista de 1932.

O Estado compunha já o território que hoje ocupa o Estado de Mato Grosso do Sul. Seu nome deriva-se da Serra que corta o Estado e teve como seu Governador o então prefeito de Campo Grande, o médico Vespasiano Martins, sogro e tio de Wilson Barbosa Martins que completou 96 anos no dia 21 de junho do mês passado.

Quanto ao aniversário de Fátima do Sul ser comemorado no dia 9 de Julho, parece ser um pouco estranho, devido o dia do aniversário de emancipação ser 11 de Dezembro. Comenta-se também que comemora-se  neste dia, porque foi nesta data em que contrariando ordens da direção da Colônia Agrícola de Dourados um grupo de pessoas no ano de 1953 se apossou de uma balsa para chegar na outra margem do Rio Dourados. Na travessia os cabos que sustentavam a balsa se romperam, ocasionando a morte de dezenas de pessoas.

Não se sabe até hoje o porquê da comemoração nesta data, se houve aprovação por parte da Câmara de Vereadores ou sua mudança foi um ato unilateral. Já existe a avenida principal da cidade com o nome 9 de julho e no meu entendimento é um erro comemorar o aniversário fora da data correta, visto que a maioria dos ex-distritos de Dourados, seguem a data da sua emancipação, enquanto Fátima do Sul passou a ser um caso sui generis.

Campo Grande tem a avenida principal nominada de 14 de julho, que completou 100 anos do seu batismo no dia 14 de julho próximo passado e o nome foi escolhido para se fazer uma homenagem a uma data muito importante da história. Em seu livro “A Rua Principal”, o escritor historiador Paulo Coelho Machado campo-grandense escreveu: “Foi antes da ferrovia que o vereador Miguel Garcia Martins, em homenagem à queda da Bastilha, propôs o nome de 14 de Julho para a nossa principal artéria de hoje, que era chamada simplesmente de beco, porque ali existia apenas um trilheiro deserto, curto e sem saída”.

Em relação à data da comemoração em Fátima do Sul, penso que poderia haver uma discussão sobre a questão e  que a maioria da população fatimasulense opinasse numa consulta, mas tal tem partir no seio da classe política ou através de entidade representativa.

Num encontro em Campo Grande conversando com a Secretária de Estado Tânia Garib, ali nascida e o deputado Mocchi, que ali viveu, bem como dois estagiários fatimasulenses que trabalhavam na defensoria com o Dr Virgílio em Dourados, afirmaram que desconheciam este fato. Comentando com um professor de história de Fátima do Sul, ele declarou que tal mudança não iria pegar, pois a população já se acostumou com a data, é tradição. Acredito que o Prefeito e a Câmara de Vereadores de Fátima do Sul poderiam  levar a questão para o debate.

O Município de Fátima do Sul tem pouco mais de 19 mil habitantes, uma quantidade muito baixa, se comparado com os mais de 60 mil que existiam na década de 1970. E o que nos chama atenção é que existe o apego de muitas pessoas que vivem em Dourados e outros municípios, mas que continuam votando nas eleições em Fátima do Sul.

Desta cidade surgiu o Desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, natural de Piquerobi-SP, onde chegou pequenino, foi funcionário do Forum por muitos anos e que viajava para Dourados todas as noites pela estrada de chão para cursar Direito na Unigran, meu companheiro de turma. Colamos grau no dia 29 de agosto de 1980, no Cine Teatro Ouro Verde. Na minha ótica é um dos filhos ilustres, adotado por Fátima do Sul.

Dourados, 9 de Julho de 2013.

* O autor é advogado, licenciado em Letras com Inglês, produtor rural no distrito de Picadinha, estudioso do idioma guarani e secretário geral do PSD em Dourados.