Primeiro, e já não é de hoje, foi a onda de invasões de indígenas às propriedades rurais, muitas delas com escrituras a mais de 100 anos e outras, como é o caso de parte da CAND (Colônia Agrícola Nacional de Dourados), que o próprio Governo Federal, incentivando a ocupação das terras do antigo Mato Grosso, dava e escriturava aos cidadãos para trabalhar, ainda na década de 40 e 50.
Porque esses agricultores sozinhos deveriam pagar uma conta que não é deles, se é que existe conta a pagar, pois com 12,5% (IBGE 2010) de todo território do nosso país já são de uso dos índios.
A cada dia que passa presenciamos a mais completa e seguida coletânea de barbaridades que um único governo poderia fazer.
A última foi posta para todos nós depois de aproximadamente dez dias de manifestações pelo Brasil afora, quando a Presidente da República veio a público fazer seu discurso e, talvez, tentar amenizar as críticas que o povo vinha fazendo.
Algumas badernas à parte (e aí é cadeia), o que houve foi que, por uma “gota a mais”, em um oceano de problemas, houve a saturação do povo e veio a revolta e as tais manifestações, que ainda estão ocorrendo. O pior é que o Governo não soube entender o recado, e não sei se ainda entendeu.
A Presidente da República tentou apaziguar os ânimos dos brasileiros, mas, o que na verdade aconteceu, foi mais uma barbaridade em parte de seu pronunciamento e aí eu me pergunto se só falta “Assessor” para a Presidente ou o problema é mais sério?
No seu discurso ela foi infeliz mais uma vez com aquela história de trazer milhares de médicos do exterior e, mais tarde foi especificado, que seriam provenientes de Cuba. Ora, seja de Cuba ou de qualquer outro país, mas que fosse obrigatória a submissão deles ao REVALIDA (Exame de revalidação de Diplomas de Médicos), que de tão sério, poucas são as Universidades habilitadas em realiza-lo.
A coisa não parou aí, depois de outra onda de manifestações sobre o tema, o Governo Federal voltou atrás dessa “brilhante proposta” e agora vem com outro absurdo. Obrigar os Formandos de medicina a trabalhar no interior do Brasil, por dois anos, findo o seu período de graduação e, somente depois disso, teriam a oportunidade de receber o seu tão esperado diploma e, assim, poder ser LIVRE para ir onde desejar.
Façam o que tem que ser feito, abram planos de carreira, sempre com o suporte necessário, seja de exames ou de farmácia, a nível Municipal, Estadual ou Federal, e pague bem, o trabalho virá.
Esse problema é o mesmo que os agricultores têm visto pela frente, tendo sido obrigados a pagar uma conta que não é deles. Se a conta é do Brasil, porque apenas essa pequena parcela da população é que vai ser obrigada a pagá-la? No caso do recém-formado em medicina, essa falta de LIBERDADE de poder escolher onde trabalhar é um sintoma muito claro que, na verdade estamos vivendo em uma DITADURA de esquerda. Será que é isso o que eles querem? Nós com certeza não queremos.
Que outro setor da sociedade será o próximo, o comerciante, o engenheiro, o açougueiro, ou o padeiro, dentre outros?
Nesse caso, ainda bem que alguém já relatou que essa medida é inconstitucional, pois somente o serviço militar obrigatório estaria previsto em nossa Constituição. E aí, mais uma vez a fiel da balança para nós, é a nossa justiça que, em última análise, é a guardiã de nossa liberdade e de nossos direitos.
E por falar em justiça, talvez uma boa sugestão de procedimento ao Governo Federal seria praticar a metodologia de, antes de emitir oficialmente qualquer decisão, submetê-la ao crivo de pessoas que entendam de Leis e de nossas normas constitucionais.
* O autor é professor da FCA (Faculdade de Ciências Agrárias) da UFGD