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OPINIÃO: Atentado à Democracia

30 de julho 2013 - 15h56 Por André Bento
OPINIÃO: Atentado à Democracia
A ocupação da Câmara de Vereadores de Dourados por indivíduos que se apresentam como universitários e trabalhadores já extrapolou há muito tempo todos os limites. Desde o princípio incoerente, sobretudo porque encampada por indivíduos completamente alienados, a “mobilização pelo passe livre” não pode ser encarada como luta social, tampouco democrática.

O episódio desta segunda-feira (30), quando a jornalista do Diário MS Thalyta Andrade sofreu uma agressão, foi mais um dos tantos que configuram atentado violento ao Estado Democrático de Direito. Algumas manifestantes cercearam a liberdade de imprensa ao arrancarem das mãos da repórter uma folha de seu bloco de anotações.

Mas esse não é um caso isolado. Além das recorrentes manifestações hostis à imprensa, os “estudantes universitários e trabalhadores” em questão ferem a Constituição Federal por impedirem o funcionamento pleno do Legislativo municipal. É incoerente clamar por democracia limitando sua abrangência. 

Outro absurdo nessa história é a ausência de qualquer autoridade capaz de normalizar a situação. O prefeito, ausente e omisso, se acovarda diante da situação e, pior de tudo, se submete ao ridículo quando aceita levar de dedo na cara dos manifestantes. Na condição de autoridade, Murilo Zauith (PSB) está sujeito a todo e qualquer tipo de crítica, mas aceitar as ofensas que têm aceitado escancara o tamanho de sua fraqueza. 

No Legislativo, ninguém é capaz de honrar o mandato outorgado pelo voto popular recebido em outubro passado. A lama que recaiu sobre a Casa de Leis após a Operação Uragano, em 2010, ainda escorre pelos gabinetes e deixa os 19 parlamentares atolados no medo da exposição. A exemplo do prefeito, optam por se acovardar. 

Enquanto Ministério Público e Judiciário permanecerem inertes à espera de atitude por parte dos outros poderes constituídos, nada vai mudar. Teremos que continuar na condição de expectadores do absurdo. Agrava-se a isso tudo o fato de os tais “estudantes universitários e trabalhadores” que ocupam a Câmara darem cada vez mais corpo às atitudes inconsequentes. 

A repórter Thalyta Andrade não poderia, em hipótese alguma, ser tratada como foi. Ela é uma profissional séria, ética e competente, portanto digna de todo o respeito possível. A agressão por ela sofrida nesta segunda não será creditada apenas aos incoerentes manifestantes, mas também às ausentes autoridades constituídas. 

Também ficam alguns questionamentos aos sindicatos e entidades de classe que já manifestaram apoio à ocupação da Câmara. Concordam com censura à imprensa? Até quando vão continuar avalizando agressões ao Estado Democrático de Direito?

* O autor é Jornalista