A política deveria ser caminho de felicidade e os partidos o altar da consagração dos ideais. Mas não é. Uma grande maioria vê nos partidos políticos uma tribuna distanciada e muitos de seus representantes como bailarinos de conveniências.
Essa maioria gostaria de ter um encontro de contas, das coisas boas e ruins da política, nesse balé de gente que diz sair, gente que vai entrar e gente que vai criar outros partidos políticos. Essa conta, com raras exceções, hoje está no cristalino de partidos políticos sem princípios e se os tem não os cumprem, no deleite de pessoas e de interesses, desprovidos de essência ideológica.
O ideal às favas, afinal este estratagema diz que passam despercebidos certos prazeres que desfrutamos, mesmo que por caminhos tortuosos. Esse não é o paradigma de quem quer criar filhos íntegros, pagar impostos e viver em paz. Não é o caminho de quem quer ser feliz, contabilizando mais prazeres e do que amarguras, em última análise, obtendo mais deleites do que sofrimentos.
Mais uma vez, a mídia está recheada de notícias sobre o balé dos infelizes e dos que buscam a felicidade, em outra agremiação ou em um novo partido político. Acho as motivações desses movimentos, vaidade ou presunção de grandeza pessoal, de natureza oportunista e autoritária, longe de ser por causa pública, quando o nefasto julga-se acima da sociedade, desrespeitando eleitores e usurpando o interesse coletivo.
A resultante da miscelânea doutrinária é razão da perda crescente da credibilidade dos partidos e dos políticos. Afinal, o eleitor perde a referência, na mistura ideológica, sem saber mais quem é de esquerda ou de direita, ou do centro, num arco íris cada vez mais distante. Como acreditar nos partidos, em seus dirigentes e representantes, se eles não têm lado? Como desconsiderar a essência da política partidária, da ideologia, das causas pétreas, assumidas na lutar pelo poder, para governar em nome da proposta partidária?
Na verdade o partido político, em grande parte, está sendo usado como instrumento do interesse pessoal, de natureza coronelista, expressando poder autoritário e reprodução da dominação social. Nisso, pessoas em vez de lutar solidariamente para construir maioria e modificar o partido, no sonho vaidoso do poder, buscam outro partido onde sejam unitários.
Nessa armadilha todos perdem. O partido porque o cidadão perde o portal da esperança. Os representantes políticos caem no descrédito porque, sem ideologia, são fisiológicos. E o povo na amargura da vida, no lusco-fusco da política, mas na esperança de que, de repente, na penumbra, brilhe uma luz mais forte, que possa iluminar o caminho ou cegar para sempre. É bom lembrar que o caminhante se faz na caminhada assim como nela pode se perder.
* O autor é engenheiro agrônomo