Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Opinião

OPINIÃO: Momento de pensar e refletir pela vida e pela paz

16 de fevereiro 2014 - 14h38 Por Ribeiro Arce
OPINIÃO: Momento de pensar e refletir pela vida e pela paz

Esse ano completa um século (cem anos) do inicio de uma das maiores tragédias provocadas pelo homem e que sujou de sangue e ódio a história da humanidade. Em 1914, a Europa fervia desde o início daquele ano. Fervia por causa da ganância das potências econômicas e pela incapacidade de seus governantes de encontrar soluções diplomáticas para suas disputas e interesses. A incompetência diplomática empurrava as nações para um beco sem saída e alimentava a avidez dinheirista dos fabricantes de materiais bélicos. Os efetivos militares aumentavam significativamente e os governantes amarravam alianças à espera do disparo do primeiro tiro.

Estava em jogo o poder econômico. Poder econômico que ultrapassava os limites fronteiriços da Europa. As potências disputavam avidamente as riquezas e o monopólio de investir seus lucros em regiões distantes, especialmente nos continentes africano e asiático. A ganância econômica levou a uma tragédia sem proporções e ceifou a vida de milhões de pessoas mundo a fora. Além da perda da vida, trouxe incontáveis prejuízos materiais, morais, de autoestimas e da dignidade.

Quando aconteceu o primeiro disparo, aparentemente despretensioso e localizado, naquele fatídico 28 de junho de 1914, o mundo entrava numa corrida belicosa e altamente perigosa que colocava em risco até a sobrevivência da humanidade, ainda mais num momento difícil de construir o bom senso pelo diálogo diplomático, onde os governantes tentavam resolver suas querelas políticas e econômicas pelas armas. A partir daquele tiro que ceifou a vida do herdeiro do império Austro-Húngaro, a Europa entrou num conflito armado que se espalhou pelo mundo e, direta ou indiretamente atingiu países de todos os continentes.

Cem anos depois, quais lições tirar dessa tenebrosa carnificina? Acredito piamente que a tragédia nos deixou um legado negativo muito grande e por outro lado boas condições de reflexão para trilhar um caminho mais harmonioso que levasse a paz duradoura entre os povos. Devemos pensar como é possível um grupo diminuto de pessoas detentoras do poder político e econômico nas mãos ser capaz de convencer e empurrar milhões para a guerra? Em nome de quem e por quais objetivos milhões de soldados foram para os campos de batalha morrer ou se aniquilar de doenças nas trincheiras da guerra? Não devemos, jamais, deixar de considerar as questões sociais e étnicas que havia entre os europeus, porém o convencimento para a morte também passa pela massiva propaganda ardilosamente levada a cabo pelos governos interessados diretamente no conflito.

Pensando um século depois, não é possível conceber o tamanho desperdício de energia dispensada para destruir e matar. Lembro o sacrifício empenhado por Alemanha e França para ver quem ficava com a cidade de Verdun, região estratégica na avaliação belicista dos governos dos dois países, só ali tombou sem vida mais de 700 mil soldados, sem falar na destruição quase total da cidade. Ou imaginar centenas de milhares de filhos de camponeses russos amontoados nos vagões de trens deixando seu país para morrer nos campos de batalha em nome do czar Nicolau, membro de uma dinastia que governava a Rússia, por mais de 300 anos, oprimindo o povo de forma cruel, medieval e absolutista. Havemos hoje de ponderar e perguntar. Era preciso? Havia necessidade?

Se fosse preciso e se houvesse necessidade, obviamente era para atender os interesses de um grupo muito diminuto que aqui não encontro adjetivos para nominá-los adequadamente. Talvez insensível fosse o certo, uma vez que a preocupação era o lucro e o poder político. Para alcançar os objetivos não mediu consequências e pouco importou que aquele conflito iniciado em 1914, só terminaria quatro anos depois com um saldo de mais de seis milhões de mortos nos campos de batalha. Isso sem contar os mutilados, a destruição de cidades, pontes, lavouras e o aumento da fome e doenças.

Pensando bem, quando países chegam num estágio de guerra, o homem chegou ao seu estado de animal irracional. Esse é o resultado de uma tragédia chamada Primeira Guerra Mundial, onde a grande derrotada foi a paz. A humanidade perdeu, enquanto um grupo reduzido de homens gananciosos financistas, fabricantes de armas, remédios e máquinas ganharam fortunas incalculáveis. Ganharam durante o conflito e depois dele na reconstrução do que fora destruído. Essa tragédia abriu feridas que o homem não se preocupou em curá-las e 20 anos depois promoveu uma hecatombe, muito mais sinistra ainda. E a lição que tiramos disso tudo? Antes de defender os belicosos, pergunte a você mesmo. A quem interessa o conflito? Em nome de quem vou lutar? Quem vai ganhar com isso? Pense nisso e defenda a paz.

*O autor é professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: [email protected]