A Ciência nos coloca em alerta constantemente diante da ameaça de escassez da água, visto que apenas 0,008% é potável, razão mais que justificável para tamanha preocupação pois, historicamente, a água sempre foi explorada de forma não racional pelo homem, fazendo deste mineral um meio de transformação de produtos industrializados, de utilização desenfreada pela agricultura mecanizada e ainda sabemos do grande impacto proporcionado pelo crescimento urbano desordenado que compromete, através da poluição, nossos lençóis subterrâneos e superficiais.
Sabemos que grandes investimentos em saneamento básico só estão sendo realizados, há pouco tempo, em países em desenvolvimento e tal situação que fez com que nossos lençóis freáticos, nossos rios e lagos absorvessem muita contaminação, principalmente pela ausência de rede de esgoto, que levaram milhões de pessoas a terem em suas casas as fossas sépticas e, desta forma, contribuíram para este grave problema ambiental.
Diante desta problemática é perceptível a reação da sociedade, que neste momento reivindica do Estado políticas de preservação, de fiscalização para o consumo da água de forma responsável, onde principalmente nos grandes centros urbanos abastecimento constante de água não é mais satisfatório. São milhões de pessoas que já convivem com o racionamento diariamente.
O dia 22 de março representa para todos nós uma reflexão mais profunda sobre esta preocupante situação, e assim a sociedade pode contribuir nesta discussão e qye haja resultados que ajude a promover a conscientização, despertando no homem o respeito por todos os ciclos da água, pois devemos entender que a sua preservação se dá com ações integradas.
Precisamos cuidar do solo para possibilitar a infiltração e em consequência abastecer nossos lençóis freáticos e os níveis hidrostáticos de água doce, cuidar da vegetação para que esta contribua na climatização e na transpiração que ajudam na formação das massas de ar.
Precisamos ainda contribuir na diminuição do CO2 para evitar o aquecimento global que provoca o derretimento das calotas polares. Estas são algumas ações que promovem o equilíbrio e dão uma dinâmica ideal de funcionamento para nossa atmosfera.
Entendemos que é nosso dever moral garantir às futuras gerações o direito ao acesso a este precioso mineral, desenvolvermos ações locais para promovermos efeitos globais têm que ser o nosso maior compromisso, construir em todos a percepção que a sustentabilidade depende da mudança de nosso comportamento, eis aí um grande desafio.
* O autor é vereador, geógrafo, professor e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Dourados