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OPINIÃO: As consequências negativas das redes sociais

02 de abril 2014 - 20h13 Por Madson Valente
OPINIÃO: As consequências negativas das redes sociais

Em tempos de Facebook e WhatsApp, que são as grandes sensações da comunicação contemporânea, seria um pouco contraditório afirmar que há consequências negativas nas relações humanas devido uso excessivo das chamadas redes sociais, pois a grande maioria imagina algo totalmente contrário, visto que a sensação que temos é de total necessidade desta conexão.

Percebo que, embora estejamos inseridos em uma grande rede de comunicação, é cada dia mais perceptível nossa incapacidade de dialogar, conversar, sentar-se à mesa e trocar ideias, dar atenção, ouvir o outro. Por quais razões isso está acontecendo? É compreensível esta situação? Somos tão simpáticos na relação virtual, deixamos a melhor impressão, mas porque não somos na vida real? Já aconteceu com você no dia do seu aniversário receber um monte de elogios pelo facebook e de repente encontrar a pessoa que lhe atribuiu estes elogios na praça, na escola ou no meio da rua e esta pessoa não fazer nem referências a data tão especial pra você?

Na verdade isso acontece constantemente com quem faz uso das redes sociais, são várias comparações que poderíamos exemplificar, isso nos faz refletir, pois estamos cada dia mais aprimorando uma relação mecânica em detrimento de uma relação mais sensível e calorosa. Percebemos que muitos, apesar de todos os recursos disponíveis, estão embalados na insensatez, tudo parece normal, ninguém estranha mais nada, valores que deveriam ser enaltecidos hoje estão sendo perdidos, referências de grandes pensadores, religiosos, de pessoas que possuem comportamentos éticos estão sendo vistos como algo superado e até mesmo como careta, definições estas que demonstram explicitamente o tipo de sociedade que estamos contribuindo para formar.

Em nossas casas é bastante comum a perda de espaço para estas tecnologias, às vezes todos estão em casa mas não conversam, pois um está assistindo televisão, o outro está no celular, outro está no computador e todos estão, mas no mesmo momento não estão para o outro em seu próprio lar, exagero?! Realidade pura!! Enquanto estamos no facebook, horas no computador, quantos minutos nos são levados? Sendo que muitos gostariam de sua atenção real por pelos um minuto, entre eles seus próprios pais, filhos, irmãos e amigos.

 A tecnologia é um grande incômodo ao nosso necessário silêncio interior, não possuímos paz de espírito, estamos constantemente fazendo uso dos recursos tecnológicos disponíveis  e esquecemos a importância da reflexão, da renúncia ao barulho, fazendo-nos escravos de um modelo de mundo que erroneamente muitos acreditam que seja ideal.

  A globalização proporcionou a comunicação online, tudo que ocorre neste mundo pode ser visto de forma instantânea dentro desta aldeia global, entretanto esta mesma globalização socializou no mundo a insensatez, somos indiferentes em diversas situações, não conseguimos, apesar de todo aparato tecnológico, estimular a capacidade dos homens em promover uma sociedade capaz de ter gestos de nobreza e de elegância diante de tantos desafios impostos pela cultura que domina tantas mentes e tantos corações, agindo como máquinas e não como seres humanos.

  Acredito que é uma incoerência para sociedade que se acha moderna possuir velhas opiniões com relação ao nosso mundo, uma explícita demonstração que a evolução das máquinas não é acompanhada pela evolução do pensamento, visto que velhos conceitos permeiam fortemente em nosso cotidiano.

  Que o mundo virtual se aproxime do mundo real, que as nossas relações não sejam tão ásperas, que o cumprimento e o desejo de bom dia, boa tarde, boa noite seja uma prática, uma demonstração que nossos ouvidos e nossos olhos são receptíveis e se agradam por gestos nobres e presenciais.

  Que o mundo das redes sociais não promova tamanha distância física entre os homens, haja vista que os flagelos deste mundo são reais e não virtuais, necessitando cada dia mais da nossa capacidade de fazer diferença em prol de um mundo melhor coletivamente.

* O autor é vereador, geógrafo, professor e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Dourados