Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Opinião

OPINIÃO: Meu querido professor, doutor, vereador...

07 de abril 2014 - 14h57 Por Nilson A. Santos
OPINIÃO: Meu querido professor, doutor, vereador...

Somos contemporâneos, bem como, remanescentes de uma geração de lutas pela igualdade, liberdade, usos e costumes que marcaram uma geração vencedora e inspiradora , culminando neste estado de governo que ora nos preserva e auspicia dias melhores àqueles que advieram e merecem usufruir dos direitos que lhe foram auferidos.

Também somos forasteiros neste rincão, irreconhecidos talvez por alguns “pioneiros”, mas regiamente recompensados pela acolhida e afeabilidade de outros “mato-grossenses” que abriram não tão somente as portas de seus corações, como as permissões de seus redutos, para que pudéssemos difundir nossos ideais, arregaçar nossas mangas e fundamentar nossa fé.

Pejorativamente tivemos a pecha de “República do Panambi”, “Frente Fria do Sul”, “Tupamaros”, “Gaúchos Cançados – Paranaenses”, “Invasão de Nordestinos - CAMD”,  “Mãos de Vacas – Mineiros”, “República do Ribeirão dos Índios”, “Paraguaçuinos”... mas a tudo resistimos e temos hoje com orgulho a honrosa satisfação de que mesmo modesta e incansavelmente ajudamos construir uma comunidade respeitável, produtiva e alvissareira que é a primeira cidade do nosso querido pai adotivo agora/eterno estado de Mato Grosso do Sul.

Quantas vezes lutamos pela cultura (lembra-se do TUD, que pelo menos revelou, através do  memorável e perfeccionista Eudes a nossa querida e talentosa Lurdinha?...), pelo Movimento Jovem, apolítico, religioso mas eclético, onde tínhamos como opção um convívio salutar, respeitoso e familiar e porque não lembrarmos das disputas políticas partidárias que dividiam os da direita e da esquerda, como se fôssemos embarcados para digladiar e vangloriar conquistas que nos levariam a um lugar comum?, e da movimentação em pról da preservação da bacias do Prata e Paraguai, contra a implantação de usinas na região de Bodoquena?...

Pois bem, douto mestre, já se passaram mais de quarenta anos e nós ainda insistimos em eternizar um instante que marcou numa cicatriz, sinais  inalienáveis de amargura, constrangimentos e, como se fossem os motivos principais e justificativas de um possível desvio da conduta e manutenção da soberania de uma nação que sempre preservou a honra, a liberdade e as conquistas de seu povo.

Preambularmente quis apenas dizer que somos, pelo menos de minha parte,

grandes amigos, onde jazemos respeito e admiração, mas que nos permite uma liberdade para contrapor algumas nuances. Veja bem: em todos os seus brilhantes artigos uma luz sempre aparece para nos conduzir e manter a retidão de nossos propósitos que são os verdadeiros princípios de um cidadão probo e comprometido pelas leis da obediência cristã e civil, mas neste último publicado no Jornal “O Progresso” (Wilson Valentim  Biasotto - 5-6/04/14 – p2),  me provocou uma reflexão e necessário debate.

Naquele arquivo nos remete a difundir um parâmetro de competição, onde quem falar mais leva, sendo que o mais importante não será levado em consideração que é o bem estar social e a manutenção da ordem. Não seria uma revitalização do fascismo e da famigerada guerra-fria, mormente neste instante em que a Rússia e a Ucrânia jogam o Oriente contra o Ocidente?

A história é importante para registrar fatos marcantes e preservar valores de conquistas e derrotas, mas não podemos esquecer que ela invariavelmente é mutável, sendo observada e narrada em diferentes prismas, conservando interesses e subtraindo episódios que não lhe são favoráveis. O Movimento de 1964, que nós vivenciamos, é um exemplo. Uns insistem em dizer que foi um Golpe Militar, outros atestam que foi uma Revolução, sem contudo, negar que muito sangue foi derramado e muitas verdades ainda por certo não serão esclarecidas.

De uma maneira ou outra, o que se propõe é não insistir em teses que em nada fará para mudar um traçado já superado e aprendido a seguir, que é a serenidade e a convivência social e democrática. Agora persistir é revanchismo, radicalismo, onde sugiro a leitura do artigo do eminente Dr. Robaldo, publicado também no Jornal “O Progresso” (03/04/14 – p2).

Temos que avançar, prever o que poderemos fazer para contribuir com o desenvolvimento da compreensão e o bem estar da nossa comunidade. O que devemos nos ater é que o mundo globalizado é pluralista, onde o capital tende a satisfazer mesmo que em diferentes formas os anseios das classes, promovendo mudanças comportamentais de contratualismos, onde os movimentos sociais serão convocados para uma missão que nunca lhe fora imaginada: Reinventar a Democracia.

* O autor é empresário gráfico, líder classista e o artigo foi publicado após conhecimento de textos anteriores sobre o Movimento de 1964