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OPINIÃO: História contemporânea, invasões e anexações

22 de abril 2014 - 14h24 Por José Alberto Vasconcellos
OPINIÃO: História contemporânea, invasões e anexações

A história contemporânea registra invasões territoriais perpetradas por países belicosos, contra seus vizinhos, frágeis do ponto de vista bélico. Cada uma dessas invasões sempre são precedidas de alegaçõe, encenadas com a finalidade de engambelar a comunidade internacional, objetivando obter alguma simpatia e assim justificar o ato de rapina. Interessante registrar, que algumas invasões e anexações, contam com a concordância dos habitantes na área invadida.

                   Em 13.03.1938 Adolf Hitler (1889-1945) justificando o desejo de invadir e anexar a Áustria à Alemanha, dizia: “—Eles falam a mesma língua que nós; são alemães como nós, “die annexion ist ein normaler akt!” Um ato normal!  Foi a maior cartada geopolítica da Alemanha, em desafio ao Tratado de Versalhes. A invasão e anexação da Áustria à Alemanha, o “Anschluss” possibilitou a subseqüente criação do Terceiro Reich. O ato praticado por Hitler (que era austríaco) foi recebido com delírio pelos austríacos, hipnotizados que estavam pelas promessas do “Fueher” (aquele que comanda). A Guerra, iniciada em 1939, frustrou os austríacos e arruinou a Áustria! Hitler acabou suicidando-se em 1945, num buraco onde se escondia.

                   Tivemos, em agosto de 1990, a invasão do Kuwait pelo Iraque sob o comando de Saddam Hussein, aproveitando-se da fragilidade do seu vizinho, para apossar-se do petróleo. O líder do Kuwait, Sheik Jaber Al-Ahmed Al-Sabah fugiu e pediu asilo na Arábia Saudita. Em janeiro de 1991 as forças de coalizão, lideradas pelos Estados Unidos, lançaram a “Operação Tempestade no Deserto” e jogaram 85.000 toneladas de bombas sobre o Iraque. No mês, seguinte (fevereiro) os Iraquianos retiraram-se do Kuwait. A ganância de Saddam custou 102 bilhões de dólares e a morte de 200.000 soldados. A segunda invasão ao Iraque por tropas americanas (Guerra do Golfo) com o objetivo de destruir um arsenal de armas químicas, levou Saddan à forca!

                   Temos, agora, a invasão pelos Russos, sob a batuta de Vladimir Putin, em parte do território da Ucrânia, a Criméia. A Criméia é uma península da Ucrânia, que separa o Mar Negro do Mar de Azov, cobiçada pelos russos porque  dá  saída para o Mar Negro. A maioria dos habitantes da Criméia são russos, e o ato de rapinagem deixou-os exultantes!  

                   As montanhas da Criméia, na sua parte meridional, dominam uma costa pitoresca, bordejada de estações balneárias, dente elas Yalta, onde reuniram-se, durante a II Guerra Mundial, os presidentes Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), dos Estados Unidos; Ossip Vissarionovitch Djugachvili, vulgo Josef Stalin (1879-1953) da URSS; e o primeiro ministro  Winston Leonard Spencer Churchill, (1874-1965) do Reino Unido (Inglaterra).

                   O ato da invasão praticada pela Rússia, causou espanto na comunidade internacional e foi classificada como grosseira rapinagem, inaceitável sob  qualquer aspecto. Comandada por Vladimir Putin, ex-agente da KGB encastelado no governo russo, cuja trajetória política foi inicialmente como primeiro ministro em 08/1999; a presidência interina da  em 12/1999; e confirmado no cargo com a eleição presidencial de 03/2000. Desde então, como ministro ou presidente, tem mantido-se no comando da Rússia. Agora em 2014, como primeiro ministro, tendo como presidente um fantoche, decidiu e comandou a invasão da Criméra, parte do território ucraniano, contra veemente protesto de cem (100) países que votaram condenando a ação russa, (o Brasil, nos braços do PT, abstendo-se de votar, aprovou a invasão, envergonhando a Nação brasileira).  

                   A república autônoma da Criméia foi criada em l921 e suprimida em 1954. Povoada predominantemente por russos, foi anexada à Ucrânia em 1991. A independência da Ucrânia, que até então fazia parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), reativou as reivindicações separatistas dos habitantes de origem russa na Criméia, partidários da soberania ou da anexação à Rússia. Em 1992 a Criméia tornou-se república autônoma, encravada no seio da Ucrânia.

                   Essas invasões algumas vezes consolidam-se sob o olhar de organismos internacionais – coniventes alguns e impotentes outros – embora especialmente criados para conter esses arroubos bélicos, que submetem populações inteiras aos mais vexatórios e degradantes sofrimentos.

                   Conhecer a história para não repeti-la, quando se revela funesta à humanidade, é dever de cada um!

* O autor é membro da Academia Douradense de Letras. [email protected]