O nome do artigo acima deveria ser escrito no plural, mas optei por esta maneira para quem sabe possa despertar a atenção da sociedade organizada como as Lojas Maçônicas, os Lions, os Rotary’s, as Seletas, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por meio da CDH (Comissão dos Direitos Humanos), igrejas, seja ela católica, protestante; centros espíritas, os meios de comunicações em geral, enfim, uma união de forças, para despertar os organismos policiais como a Civil, a Militar a Federal, a tal da Força Nacional e até mesmo as guardas municipais, para que atentem por uma triste realidade vivida não só em Dourados, mas em diversas cidades do país em razão do avanço do número de usuários de drogas, em especial, as malditas pedras de crack que estão matando e o que é pior, aos poucos, não só nossas crianças e nossos adolescentes, mas também pessoas adultas e o que é pior, a maioria delas instruídas e pertencentes à classe média e alta.
É bem verdade que não podemos generalizar, mas assim como em várias cidades do país, em Dourados já existe família que possui filhos ou filhas envolvidos até a tampa, como se diz na gíria, com o consumo, refém do tráfico de drogas, principalmente após participarem de baladas noturnas; festinhas íntimas, consumos de sexo com prostituições, homossexuais ou não, entre outros ‘bichos’!
Fuga da cidade
Sem revelar nome do santo, mas narrando alguns casos desta pratica de crime praticada por supostos traficantes, uma família de bem teve de vender o carro dela a preço de “banana” para quitar uma divida de 1.500 reais que um dos seus integrantes, hoje internado, havia contraído com ele.
O suposto traficante ou “dono da boca” que servia o rapaz manteve contato com a família e mandou o seu recado: “Ou me pagam o que o fulano deve para mim ou vamos embalá-lo para vocês assim que ele deixar a clínica”, disse o suposto traficante ao pai do usuário, que foi obrigado a desfazer de seu veículo para quitar a divida e com isso evitar que o suposto “boqueiro” cumprisse a promessa e também com medo de perder o filho ou temendo pela segurança dos demais integrantes da família.
Para fugir desta pressão psicológica, a família teve de se mudar de Dourados onde vivia há anos na região do Grande Água Boa para uma outra cidade, ou seja, ela anoiteceu na cidade e não amanheceu, pois foi para uma outra localidade não informada para ninguém para tentar recomeçar a vida sem ter de conviver como refém do tráfico.
Além deste episódio, um outro caso envolveu um “vagabundo” que fazia de um hotel no centro da cidade o quartel general e neste recinto comercial que foi fechado após pressão inclusive por parte da imprensa douradense, o dito cujo também fez uma outra refém, ao exigir que ela lhe desse 300 reais de uma suposta despesa feita por um dos integrantes da família para com ele. “Ou paguem a divida dele ou ele vai sofrer as consequências que irá trazer muita dor a vocês”, seria mais ou menos este tipo de ameaça feita à família do usuário, e ela sem alternativa, teve que se virar para arrumar o dinheiro para saldar a divida do rapaz, um adolescente, com o suposto traficante.
Mais recentemente tem uma história que não pude checar a veracidade do fato, mas consta que ela é real e que envolveu uma pessoa que só fez o bem para a sociedade douradense. Diz a história que essa pessoa se viu obrigada a fazer uma festa beneficente em um distrito de Dourados para também arrecadar dinheiro para quitar a divida de um filho [que já estaria também em tratamento para se livrar das drogas] junto a um traficante, e se isso realmente for verdade, sem duvida alguma, seria mais uma família refém do tráfico.
Vou saber onde ele está
Outro fato vivenciado por mim aconteceu na década de 90, quando fazia o maldito “Camburão do Russo” na FM92, em uma madrugada fria e em um dos bairros da periferia da cidade.
Na oportunidade, dois caras, segundo testemunhas, em uma motocicleta de cor escura (era sempre assim que andavam os executores e ainda é assim até os dias de hoje) mataram um jovem usuário de drogas e “caxangueiro” de apenas 16 anos, com nove tiros de pistola 9 milímetros, e próximo ao corpo dele, e lá estava a mãe dele de forma passiva e com um olhar no infinito e ao mesmo tempo observando a cena.
(Em tempo: caxangueiro para quem não sabe, é a denominação dada pela polícia na época e por mim na rádio, para aqueles que arrombavam e praticavam furtos em residências ou em lojas comerciais).
De repente ali naquele local onde jazia o corpo do garoto, a mulher deu um suspiro tipo de “alivio” e disse a meia voz, e que na oportunidade, escutei e entendi que se tratava de um desabafo. Sem cerimônia, ela disse de forma calma e pausada: “Finalmente vou poder dormir em paz, pois a partir de agora vou saber o paradeiro de meu filho todos os dias; a polícia não vai mais arrebentar a porta do meu barraco para tentar prendê-lo e os seus amigos de ruas não irão mais vir atrás dele para chamá-lo para ir com eles roubar ou para usar drogas. Agora só me resta sepultá-lo e pedir a Deus que o perdoe e o receba de braços abertos” disse a sofrida mulher, que aparentava ser evangélica, vindo a seguir desabar em lágrimas pela perda do filho amado.
Vagina profunda
Entre esses três casos acima como outros que não vieram ao conhecimento da gente, tem um outro que acabou com a vida de uma jovem e mãe de dois filhos, após o seu companheiro ter feito a “cagada” em ser preso por um envolvimento com o tráfico de entorpecentes.
Essa adolescente que hoje se encontra pagando cadeia numa cidade da região, foi obrigada pelo seu companheiro durante uma visita na penitenciária Harry Amorim Costa, a levar cerca de 300 gramas de droga (crack), sob alegação de que se ela não fizesse isso, ele poderia ser morto pelos “chefões” do raio onde está recolhido após ser condenado por tráfico de drogas.
Atendendo ao pedido do companheiro, a adolescente acabou “enfiando de forma roliça” a droga na vagina, porém ela acabou sendo flagrada pelas agentes penitenciárias durante a vistoria de rotina que é feita na entrada da penitenciária, antes do acesso aonde se encontram os presidiários. Resultado final desta história: Ele e ela cadeia, os filhos sem os pais e os traficantes deitando e rolando, livres, leves e soltos, e o pior, em busca de mais reféns para atendê-los com ou sem ameaças, os seus pedidos escusos.
Nesta história da adolescente, existem casos em que outras mulheres se sujeitaram a este procedimento para atender os “traficantes” não só colocando as drogas nas vaginas, mas também as introduzindo nos ânus e em muitos casos, transportando-as dentro do estômago após ingerirem as cápsulas.
Acordar
Diante dos expostos acima, entendo que é muito bonito a sociedade organizada e de suma importância para o social, distribuir cadeiras de rodas, arrecadar alimentos, cobertores e roupas de frios para alimentar e aquecer as famílias mais carentes, ajudar os lares de idosos e das crianças abandonadas pela sorte, enfim, é uma atitude louvável; é muito bom a gente fazer caridade!
Mas, também entendo que no que se diz respeito ao crescimento das vendas e dos consumidores de drogas numa cidade como Dourados, está na hora desta mesma sociedade organizada acima citada acordar e juntamente com os organismos policiais, o Poder Judiciário, Ministérios Público Estadual e Federal e as demais entidades, elaborarem e discutirem amplamente um projeto eficaz e urgente, para que este tipo de situação, que é o de famílias ficarem reféns de traficantes, não mais ocorra.
Finalizando, é oportuno entender que uma vez que um usuário de drogas quando aparece em um lar, quer seja ele da classe de baixa renda, média ou rica, não estraga somente a vida dele, mas sim, destrói toda uma família, principalmente se ela passa a ser uma das inúmeras que fazem parte das listas de reféns destes malditos traficantes, que igual formiga, não pára de surgir, por mais que eles estejam fora ou atrás das grades. Do mais, paz e bem, parei e fui, mas volto...!!!.
* O autor é jornalista e filiado ao Sinjorgran (Sindicato dos Jornalistas da Grande Dourados) e por mais de 20 anos atuou como repórter na área policial em Dourados.