Ainda é difícil acreditar! Hoje é um dia em que o torcedor brasileiro queria acordar e sentir a sensação de “ufa, foi só um sonho”. E de fato, a temida seleção alemã – agora mais temida do que nunca – fez o dia de ontem da torcida apaixonada, aquela que canta o hino à capela, ser um 'real e tremendo pesadelo' a ser esquecido. E pensar que houve quem dissesse que a copa havia sido comprada. Se tivesse, provavelmente isso não teria acontecido: no primeiro tempo do jogo aquilo parecia um ‘pane de replays’ na TV de tanto gol que aparecia e aumentava a frustração e desespero da nação.
O país do futebol foi mesmo massacrado em campo e isso é assunto no mundo inteiro, não dá para disfarçar. As timelines das redes sociais então, nem se fala. Como sempre, se tornaram principais meios de exposição dos mais variados tipos de ideias e opiniões, profecias pós jogo [eu sabia... e etc.], zoações e tudo mais que fizesse referência ao infeliz 7 a 1 tomados pela seleção canarinho.
Também tem aqueles brasileiros que viveram até aqui em paradoxo e agora estão no auge, comemorando o feito, pois “precisamos de educação, saúde e segurança”. Felizes? Sou cem por cento a favor de que o país precisa de tudo isso e mais um pouco, porém, definitivamente não estou.
Da euforia à decepção. O resultado de Alemanha x Brasil mostra muito mais do que a superioridade esportiva de um time para com o outro. O início temeroso e perdido, do país anfitrião, que ainda lamentava seus desfalques, diante de um gigante crescente, foi sem dúvidas, o maior motivo da devastação de gols tomados e isso serve de lição para a vida. Parabéns aos vitoriosos que mantiveram os pés no chão, retaguarda atenta, ataque esmagador e souberam administrar a partida: “Tentamos ser respeitosos jogando futebol e fazendo gols”, foram as palavras de quem se porta como líder na equipe, o meio campo Schweinsteiger.
A ‘disposição’ maior da equipe por conta da ausência de seu principal jogador parece não ter surtido efeito dentro de campo. Fora dele, o que ficou nítido foi o choro e a frustração de quem conhece a “pobreza” de seu país e tentou ser o motivo de um sorriso coletivo de 200 milhões de pessoas: “eu só queria trazer alegria para o meu povo”, lamentou David Luiz.
Muitos desejaram o fim do jogo e ele chegou, juntamente com a necessidade de começar tudo de novo, do zero. Tem coisa errada? Hora de mudar, não só no futebol, mas no Brasil, na política, na própria casa, dentro de si. O momento seria propício para destinar a culpa a algo/alguém, ou procurar uma solução que explique isso, e novamente permaneceríamos estacionados. Se não deu certo, essa é a hora de levantar a cabeça e melhorar, antes que venha mais um gol e depois outro.
* O autor é editor do jornal Douradinainforma