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Opinião

ARTIGO: Eleições 1982, a primeira para governador de MS

15 de setembro 2014 - 14h11 Por Wagner Cordeiro Chagas
ARTIGO: Eleições 1982, a primeira para governador de MS

Wagner coluna Quando Mato Grosso do Sul foi criado, no dia 11 de outubro de 1977, de modo arbitrário, sem consulta popular para saber se os mato-grossenses queriam ou não a divisão, os governadores dos estados não eram eleitos pelo povo. Era o terrível período da ditadura militar.

Assim, nossos primeiros governadores (Harry Amorim Costa, Marcelo Miranda Soares e Pedro Pedrossian) foram nomeados pelo presidente da República. Somente no dia 15 de novembro de 1982 é que os sul-mato-grossenses puderam ir às urnas escolher o governador, além de senador, deputados estaduais e federais, vereadores e prefeitos de alguns municípios. As eleições de 82 foi tema de minha pesquisa de mestrado em História, recém defendida na UFGD.

Em 1982, o pleito para os chefes dos Executivos estaduais voltou a ser direto em todo Brasil, depois de 16 anos da suspensão do direito de escolha dos mesmos pelo voto popular. No jovem Mato Grosso do Sul 4 nomes concorreram naquele pleito: o ex-deputado federal cassado pela ditadura Wilson Barbosa Martins (PMDB); o ex-prefeito de Dourados José Elias Moreira (PDS), candidato do governador Pedrossian e do presidente João Figueiredo; o ex-ministro da Saúde do governo João Goulart, Wilson Fadul (PDT); e o advogado e deputado federal Antônio Carlos de Oliveira (PT).

No entanto, o embate se concentrou nos candidatos Wilson Barbosa Martins e José Elias Moreira. Naquela época (bem diferente da campanha virtual que temos hoje) as campanhas eram feitas no corpo a corpo e os candidatos literalmente gastavam a sola do sapato na busca pelos votos. A propaganda no rádio e na TV era regulada pela Lei Falcão, de 1976, que não permitia aos candidatos falar com o eleitor. Na TV aparecia apenas um breve currículo do candidato, seu nome ou número e uma foto (fico a imaginar como o deputado Tiririca faria sua propaganda numa situação daquela).

Urna eletrônica era um sonho e a contagem dos votos levava dias. Outro dado interessante era o voto vinculado, que obrigava o eleitor a votar em candidatos do mesmo partido. Por exemplo, se o eleitor quisesse votar no PDT para governador, deveria votar na mesma sigla para os outros cargos, caso contrário o voto seria anulado. A vinculação do voto foi um mecanismo encontrado pela ditadura para tentar impedir o crescimento da oposição, representada com maior força pelo PMDB. Em outras palavras, a ditadura abria o caminho para a redemocratização do Brasil, mas não pretendia entregar tão rapidamente o poder aos civis.

Após uma campanha de quase 5 meses, Wilson Barbosa Martins se elegeu governador do estado. Sua chegada à chefia do Executivo só foi possível devido a um conjunto de fatores. Primeiro, a entrada de lideranças que até pouco tempo pertenciam aos quadros da ARENA, como Marcelo Miranda Soares, João Leite Schimidt, Lúdio Coelho, Antônio Mendes Canale e José Fragelli, deu um forte peso político a sua candidatura. Segundo, a militância aguerrida do Partido Comunista Brasileiro (PCB) -  composta por professores, estudantes, lideranças comunitárias, profissionais liberais, entre outros - que por ser ilegal optou por se filiar no MDB/PMDB como forma de lutar pela democracia, ficou responsável por, entre outras coisas, arregimentar diversos movimentos sociais, como sindicatos e associação de bairros, em torno das propostas do PMDB. Terceiro, o desejo de democratização nos meios políticos do estado e do país era algo que crescia significativamente entre muitas pessoas. Dessa forma, as eleições de 1982 representaram um divisor de águas na política de Mato Grosso do Sul, pois a partir daquele momento estavam garantidas as bases da redemocratização no estado, e, num futuro breve, do país.

* O autor é Mestre em História pela UFGD e professor em Fátima do Sul ([email protected])