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Opinião

ARTIGO: O segundo turno para governador na história de MS

21 de outubro 2014 - 12h02 Por Wagner Cordeiro Chagas
ARTIGO: O segundo turno para governador na história de MS

Wagner coluna Decidir eleição para governador do estado no segundo turno é algo que os sul-mato-grossenses não estão acostumados, devido às poucas vezes que por aqui foi necessário recorrer a ele. Isso só ocorreu nos pleitos de 1998 e 2002. Nas outras eleições, realizadas em 1982, 1986, 1990, 1994, 2006 e 2010, os governadores foram escolhidos no primeiro turno.

O segundo turno é uma garantia da Constituição de 1988, e só passou a ser usado no Brasil a partir de 1989, na primeira eleição presidencial após o fim da ditadura militar. Ele existe para que se garanta que a maioria dos eleitores do país, estado ou município optou por candidato A ou B. Assim, quando um candidato a um cargo do poder Executivo não alcança mais de 50% dos votos válidos, a eleição se encaminha para o segundo turno.

A primeira vez que ocorreu segundo turno para o governo de Mato Grosso do Sul foi na emblemática disputa de 1998. Naquela eleição estava em jogo a sucessão do governador Wilson Barbosa Martins (PMDB) e os candidatos eram: Ricardo Bacha (PSDB), Pedro Pedrossian (PTB), Zeca do PT e Heitor de Oliveira (PRONA). No primeiro turno, o deputado estadual Zeca surpreendeu e desbancou o ex-governador Pedro Pedrossian, tido como favorito em pesquisas iniciais da campanha. O secretário de Fazenda de Wilson, Ricardo Bacha ficou em primeiro lugar e Zeca em segundo. No segundo turno veio a virada, e o Movimento Muda MS, encabeçado por partidos de centro-esquerda (PT, PDT, PPS e PSB) fez de Zeca e Moacir Kohl (PDT) o governador e o vice, rompendo com mais de 20 anos da polarização Wilson x Pedrossian no comando do estado. Era a primeira vez que um ex-sindicalista chegava ao cargo mais alto do estado.

Em 2002, a coligação Muda MS já havia se dissolvido. A aproximação do governador Zeca com setores conservadores da política estadual, como justificativa de garantir a governabilidade, levou o PDT e o PPS a lançarem candidatura própria ao governo com Moacir Kohl e Luiza Ribeiro, candidato a governador e a vice, respectivamente. Naquela eleição concorreram além de Zeca e Kohl, Marisa Serrano (PSDB), Claudio Freire (PSB), Carlos Marun (PTB) e Armando Anache (PGT). O PT lançou chapa pura, tendo como candidato a vice o professor douradense Egon Krakhecke. Nesta nova coligação, o Partido Liberal (PL), presidido pelo deputado Londres Machado era seu maior aliado. O segundo turno do pleito de 2002 se deu entre Zeca e a deputada federal Marisa Serrano. Apesar de a candidata dar certo trabalho a candidatura petista, o governador conseguiu se reeleger.

Este ano a disputa que teve como candidatos no primeiro turno: Delcídio do Amaral (PT), Reinaldo Azambuja (PSDB), Nelson Trad Filho (PMDB), Evander Vendramini (PP), Sidney Melo (PSOL) e Marcos Monje (PSTU) se concentra, no segundo turno nos candidatos do PT e PSDB. O embate tem se mostrado apertado, o que leva a crer que o nome do futuro governador seja conhecido somente na noite do próximo dia 26.

Nesta reta final, o eleitor sul-mato-grossense tem a oportunidade de decidir qual rumo quer para Mato Grosso do Sul nos próximos 4 anos. Aproveito para deixar um recado a quem for eleito no domingo e aos eleitores: que vossa excelência, futuro governador, possa corresponder aos anseios de toda nossa população, principalmente dos mais humildes, dos povos indígenas que querem uma vida digna para preservar suas culturas, dos funcionários públicos. Que vossa excelência priorize o ser humano. É vosso dever trabalhar por tudo isso e muito mais! É vosso dever eleitor, fiscalizar e cobrar, pois é com participação popular que se constrói a verdadeira democracia. Boa eleição, meu Mato Grosso do Sul!  

* O autor é Mestre em História e professor em Fátima do Sul. E-mail: [email protected]