A eleição para Presidente foi um jogo de time grande, daqueles em que o resultado da decisão decorre de pequenos detalhes, e muitas vezes não espelha a realidade de quem realmente jogou melhor. No caso da nossa política, como quando um time ganha por erro da arbitragem, esses detalhes decisivos a favor de um ou outro candidato, vem na forma de artimanhas eleitoreiras, que trazem ainda mais repugna e joga na lama um resto de moral e ética que a população ainda tenta ver na classe politica.
Analisando os números, a reeleição da Presidenta Dilma não reflete a vontade da maioria da população. Num universo de quase 183 milhões de eleitores, ela obteve pouco mais de 54 milhões de votos, o que corresponde a algo em torno de 38% do total de eleitores do país. O candidato Aécio Neves obteve votos de pouco mais de 35% do eleitorado nacional. E pasmem... Algo em torno de 37 milhões de eleitores não votou, sendo que mais de 30 milhões desses, não compareceram as urnas e outros sete milhões votaram em branco ou anularam.
Esse grande número de abstenções e votos branco ou nulo, cujo percentual já havia acompanhado o pleito do primeiro turno, pode muito bem refletir a quantidade de brasileiros indignados, que não acreditam mais na classe politica brasileira diante de tantos casos escancarados de corrupção e também diante das promessas feitas e não cumpridas em eleições anteriores, de melhoria no atendimento das necessidades básicas da população.
As melhorias, quando vem, acontecem de forma muito lenta. Os políticos que buscam a manutenção no poder se apegam em números ou percentuais ínfimos de avanços, para um pouco melhor, para pintar um Brasil lindo e maravilhoso na campanha eleitoral, e enquanto se vangloriam com isso milhares de pessoas morrem por falta de atendimento na saúde publica, nossa educação é uma das piores do mundo, o aposentado sofre, o trabalhador sofre com a inflação que consome seu salario, e tantos outros problemas que se arrastam ao longo dos anos.
Sou contra a reeleição, principalmente para o executivo, porque ela alimenta a corrupção, pela facilidade que o detentor do poder tem em manter e ampliar o leque de favorecimentos e trocas que vão sustentar os seus interesses futuros, principalmente os pessoais ou do grupo politico ao qual pertence. O eleitor é visto como um instrumento manipulável, só isso. Aqueles mais carentes, econômica e intelectualmente falando, e são a maioria, ficam expostos a uma campanha terrorista que lhe tira a possibilidade da escolha, principalmente pelo medo plantado sob o argumento de que os benefícios sociais, aqueles na forma de cartões de troca, vão acabar se mudar o poder.
Quando se fala em direitos do cidadão e os deveres do poder publico nos voltamos para a nossa Constituição Federal. Quando se percebe a grande maioria da população questionando veementemente direitos e deveres previstos na carta magna e não cumpridos é porque definitivamente tudo está em desiquilíbrio. Quando se vê um Presidente da Republica eleito pela maioria dos votos válidos, mas que não detém o apoio da maioria da população e a indignação permanentemente inflamada, principalmente pelos casos de corrupção no poder publico com investigação em curso, podemos então comparar a algo em contínua pressão, sem controle, que pode explodir a qualquer momento, e aí só Deus sabe o que pode acontecer.
* Douradense, o autor é Consultor Empresarial e Acadêmico do 3º. Ano de Direito na UEMS