Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
14°C
Opinião

OPINIÃO: Permuta do legendário Estádio da Leda não seria um golpe político?

13 de novembro 2014 - 17h18 Por Silva Junior
OPINIÃO: Permuta do legendário Estádio da Leda não seria um golpe político?

Uma das mais românticas praças esportivas de Dourados pode estar com os dias contados para novo endereço, ou não?

Napoleão Francisco de Souza dá o nome a conhecida praça esportiva que abriga a Liga Esportiva Douradense de Amadores, ou simplesmente Estádio da Leda. Localizado num dos principais e mais valorizados pontos de Dourados, situa-se na Avenida Weimar Gonçalves Torres, entre a Marcelino Pires e Major Capilé com Pedro Celestino e Eulália Pires.

Esta praça esportiva está com seus dias contados neste local. Pelo menos é a intenção da Prefeitura que encaminhou projeto para a Câmara de Vereadores, sondando a possibilidade de permutar a dita praça para outro local com melhor estrutura para práticas esportivas. Creio que as pessoas que fazem uso da área não coloquem nenhuma objeção, contudo, votos contrários virão em roldão, principalmente daqueles que defendem que referida área esportiva como um elo romântico do passado de nossa cidade. 

O descaso e a falta de propósito dos desportistas, classe política e sociedade em geral, não podem servir de motivação para desativá-la. A Leda é um patrimônio da história e cultura de nosso povo. Alguns, sempre aqueles que preferem a abulia e o silêncio, pouco se importam com a defesa daquilo que é orgulho de nossos pioneiros, aos quais devemos o resgate da nossa identidade histórica.  Uns dizem que gastar dinheiro na revitalização da Leda seria queimar investimento.

O certo é radicalizar se os meios convencionais não forem convincentes. Este local pode abrigar bem áreas para futebol de campo e suíço, quadra de areia, vôlei, futevôlei, xadrez, cartas, dominó, pedestrianismo, dentre outros. Lamentavelmente, pouca serventia tem as edificações existentes naqueles metros quadrados na forma como está.

A lembrança do Estádio da Leda nos leva a recordar, por exemplo, que em seu gramado passaram jogadores como Rivelino, Garrincha, Roberto Dinamite, Zenon e tantos outros consagrados no contexto futebolístico de MS, Brasil e do mundo. A importância histórica da Leda no interior do Estado não tem como ser mensurada.

Quando criança, meu programa preferido, mesmo que pesasse o perigo das surras, era ir ao Estádio da Leda antes do início de uma partida de futebol e entrar pelo portão com alguém mais idoso de graça ou esperar uns quinze, vinte minutos do segundo tempo, quando a entrada era franqueada.

Aliás, conto para alguns que conheci a Leda quando o campo era cercado por balaústre e muitos não acreditam. Apesar da desconfiança também na década oitenta pisei no gramado da Leda defendendo o glorioso America do Jardim dos Estados hoje União Sucupira. Antes de tomarem quaisquer decisões, o melhor caminho será o de ouvir Eduardo Machado Rocha (desembargador), Jairo de Quadros Filho (advogado), Vazinho Mariano (empresário), ex-jogadores, como Palomita, Pedro Lopes, Froilan Morel, Dom Bobadilha, Valdessi Carbonari, Piper, Odilon Azambuja (vice prefeito) Mantega (atual presidente), Bagaço, família Saldivar e tantos outros. 

Enfim, importante é conhecer a fundo essa possibilidade de mudança, se não está sendo tratado única e exclusivamente por interesses políticos ou financeiros de um pequeno grupo. Todas as possibilidades devem ser pesadas e repensadas antes de tomar qualquer decisão.

Se houver comprometimento dos desportistas, e acima de tudo união, todas as possibilidades são possíveis, como reforma geral do estádio onde está mesmo, com recursos vindos de doações, promoções, financiamentos, mudança na gestão administrativa da Liga e do estatuto com a proibição de reeleição na presidência, e até mesmo, permutar outra área, desde que observadas as exigências legais para tal.   

Acredito no bom senso. Não quero acreditar num golpe político como foi o caso das rotatórias, por exemplo, construídas e retiradas da área central de Dourados, dinheiro público jogado no lixo. Estamos de olho!

* O autor é Jornalista - [email protected]