Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
15°C
Opinião

ARTIGO: Os opostos se atraem...

28 de novembro 2014 - 15h15 Por Silva Junior
ARTIGO: Os opostos se atraem...

silva junior Esse ditado é verdadeiro. Você já ouviu alguma vez essa frase? Por qual razão os opostos se atraem? Sabe o significado do termo escumalha sevandija? Leia esse texto e saberá.

Silva Junior

Preste atenção quando alguém desce o porrete em outra pessoa ou instituição, num embate sensacional, e no outro as partes estão juntas fumando o cachimbo da paz. O cotidiano nos mostra claramente situações extraordinárias.

Essa reflexão faço nesta oportunidade por acompanhar desde pequeno grupos rivais, que de repente passam a ocupar o mesmo espaço, seja num palanque, numa solenidade especial ou mesmo profissionalmente. Muito se ouve: Não suporto fulano (a), nesse barco não subo nem por decreto e por aí vai.

Antigamente ficava surpreso. Hoje, mais maduro, entendo os lados, sobretudo e principalmente no que diz respeito a conveniência. Vivi intensamente as décadas de 70 e 80, quando no campo político o duelo entre Arena e MDB era fortíssimo e envolvente. E não tem jeito, alguém sempre pende para um dos lados, é inevitável.

Bem, estou discorrendo este assunto por algumas razões: quem diria em tempos recentes PT e PMDB ocupando o mesmo gabinete?

Por exemplo, conheci um bancário que ocupava cargo de gerência e odiava sindicalistas. Bradava em alto e bom tom não concordar com a postura desses grupos, por entender que não reivindicavam coletivamente, e sim por preguiça iam à frente da instituição instigar e atrapalhar a carreira de muitos, ou seja, prestava um desserviço sem precedentes. Muito bem, passado certo tempo, o cidadão foi dispensado do banco e uma de suas primeiras ações foi se ajuntar aos sindicalistas em busca de socorro e coisa e tal.

Outra realidade é encontrar gente que fumou mais do que caipora, por décadas, e de repente passa a criticar com veemência quem fuma. Em vez de auxiliar com palavras de incentivo para essa pessoa deixar o vício, acaba fomentando ainda mais o uso desse veneno.

Tem mais, com certeza você, leitor, conhece, passou ou presenciou alguma realidade dessa natureza. Uma coisa é certa e que temos que entender, é saber dosar, dialogar, ouvir e ter paciência, pois, cada um arrasta a sardinha para a sua brasa. Faz como o macaco. Diz que o macaco enrola e senta em cima de seu rabo, muito bem confortável, para puxar o rabo de seu vizinho.

Depois do esporte, a política é outra ciência que gosto muito. Quando pequeno sempre que podia ia assistir as sessões na Câmara de Vereadores, na Rua Hilda Berto Duarte, entre as avenidas Marcelino Pires com Joaquim Teixeira Alves.

Pouco mais tarde o Legislativo mudou de endereço, para a Camilo Ermelindo da Silva entre as avenidas Weimar Gonçalves Torres com Marcelino Pires, fundo da Ferragista, onde os embates eram bacanas.  O barulho era gigante com o Dr. Áureo Garcia Ribeiro, Chico Costa, Mariano Cândido de Arruda, Ferrinho, Djalma e Bela Barros, Bebeto, Albino Mendes, Eduardo Laier, Santin, Fritz, dentre tantos outros.

No entanto, confrontos envolvendo o professor Paulo Afonso Flores Falcão versus Geraldo Resende, João Grandão, Tetila e o professor Biasotto foram memoráveis e inesquecíveis. Que fique bem claro, discussões em tom elevadíssimos, mas em alto nível. A título de conhecimento, político não chama o outro de mentiroso, usa a expressão: “Vossa Excelência está faltando com a verdade”. De agora em diante quando você ouvir essa frase saiba que alguém está chamando seu oponente simplesmente de mentiroso.

Pois bem. Paulinho Falcão, como líder do prefeito Braz Belo, sofria com os ataques do trio Geraldo, João Grandão e Tetila, na outra gestão quando o prefeito era o professor Tetila, o enfrentamento era com os professores Biasotto, Margarida e Elias Ishy. Hoje um dos homens fortes do deputado federal Gerando Resende, quem é? Alguém arrisca? Ele mesmo, o grande pequeno Paulo Falcão, gente de uma oratória espetacular e de grande respeitabilidade,  tanto que além de empresário, vereador e assessor parlamentar, também ocupou cargo estadual no governo Marcelo Miranda.

Numa ocasião um peteba usou a Tribuna da Câmara e disse que o Paulino não passava de um “falastrão”, de pronto veio o contra-ataque: “sou mesmo falastrão, realmente falo demais e gosto de dialogar”, iniciou a fala para completar, “mas não pertenço a grupo de “escumalha sevandija”. Sabe o significado desse palavrão: resto de lixo ou resto de verme imundo. Rapaz, quando os vermelhinhos descobriram, após consultar o Aurélio na secretaria da casa, a sessão foi encerrada naturalmente, com fumaça saindo no nariz de quem havia e de quem não havia entendido absolutamente nada.

Outro acontecimento que presenciei foi na primeira vitória do prefeito Braz Melo contra José Elias Moreira, aquela dos quarenta e poucos votos, numa das disputas mais acirradas da história política douradense. Ao subir os degraus do Clube Nipônico, local em que os votos eram contados, Mauro Cruz recebeu ameaça de um defensor do seu Zé que disse: “vocês acham que ganharam, essa vitória está com os minutos contados, vamos reverter na justiça”.

Coitado do Mauro que acabava de aportar em Dourados, procedente do distrito de Bocajá, quase se borrou todo. Depois as coisas se ajustaram nos trilhos e quando assumiu a direção da Funced, esse mesmo camarada era visto com frequência nos corredores da autarquia objetivando beliscar uns “caraminguás” por fora (patrocínio), sem aparecer na folha, ou seja, fantasmão mesmo.  Conviver com o famoso faça o que falo...não o que faço...não é mole não.

* O autor é Jornalista [email protected]