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Opinião

ARTIGO: Oito ou oitenta?

05 de dezembro 2014 - 14h07 Por Vera Lucia Ferreira Pereira
ARTIGO: Oito ou oitenta?

Leis. Direitos e deveres que se fazem necessários para que haja uma "ordem", um "controle". De quem e pra quem? Uma questão bem pertinente!

Ora, o ideal seria que o processo educacional formasse cidadãos com cada vez mais senso crítico da realidade. Problematizadores das realidades sociais. Ser preparado para o mercado de trabalho é um direito de cada indivíduo, mas não só. Ser preparado para a vida com toda sua subjetividade também é um direito.

Este mercado de trabalho para o qual ele está sendo preparado precisa ser questionado, afinal ele estará sendo um “colaborador” da empresa. Mas com o que este trabalhador está colaborando de fato? Afinal sua força de trabalho estará sendo depositada no ideal de alguém. Detalhe relevante, por mais que se mudem os nomes, o que se extrai do indivíduo é a sua força de trabalho. Ele está gastando sua energia nesta determinada atividade. Saber quais os valores da empresa, sua ética, suas prioridades, sobretudo qual sua preocupação com a sustentabilidade do meio ambiente, pois a mais valia não é apenas abstração do valor do trabalho humano, mas que passa também pela faturação que há no uso dos recursos naturais, partindo do princípio que o que é da natureza pertence a todos. Pode não pertencer a todos o pedaço de terra específico, mas a Terra na sua essência sim, a água tratada por empresa se torna objeto de sua tutela, mas as águas do nosso planeta é a vitalidade para a vida de qualquer ser vivo, direito de todos, e assim por diante. Os recursos naturais, em suma são patrimônios da humanidade. Logo, a empresa que usa os recursos naturais, está fazendo uso daquilo que é de todos, e se ela polui está poluindo da mesma forma aquilo que pertence a todos. Então, a mais valia encontra se também na abstração do direito dos seres vivos, mais específico aqui os seres humanos, pois se bem analisarmos, numa linguagem empresarial, o que se diz dono dos meios de produção seria, de fato, o “sócio minoritário”, pois este possui os meios de produção e só. O outro lado seria o sócio majoritário, por possuir os mesmos direitos sobre os recursos naturais, por ser ele o portador da força de trabalho e o consumidor do que será produzido.

Não pode passar em vão que a natureza tem seu tempo, que a interferência do homem no ambiente sempre causa impactos, e sendo nós, considerados animais racionais, temos por obrigação zelar pela sustentabilidade deste meio ambiente. A natureza não trabalha de forma individual, (que por falar nisso, ela tem muito a nos ensinar a entender a interdependência dos seres vivos, incluindo nós humanos), quem polui qualquer um dos elementos naturais esta poluindo todos os outros, ou seja, quem polui o ar, polui também as águas, que polui a terra causando alterações em todo o processo que deveria ser natural, mas está submetido aos impactos provocados pela ação do homem. Repito, é responsabilidade de quem se julga racional zelar pela sustentabilidade, reduzindo ao máximo estes impactos.

A natureza está ao nosso favor, de forma generosa, nos oferece alimentos, os meios de como nos proteger de suas ações que não são para nos agredir, muito pelo contrário, na natureza tudo tem sentido, o frio, o calor, a seca, a chuva, o dia, a noite, tudo existe por uma razão que beneficiará a todos, e o homem dotado de inteligência usa os meios que a mesma oferece para se proteger destas oscilações. Protegermo-nos. Alimentarmo-nos. Melhorar a qualidade de vida. Não para fazer dela recurso para  enriquecimento de uns por meio da exploração de outros, extinguindo espécies, poluindo o meio ambiente, para atender e satisfazer interesses totalmente egoístas.

Pois bem, nem oito nem oitenta, precisamos do trabalho, mais ainda precisamos da natureza, sem ela não há trabalho, não há alimento, logo não há vida Precisamos preparar pessoas para o trabalho, sobretudo precisamos preparar pessoas. Ninguém é máquina, e não cabe a ninguém o direito de fazer uso das faculdades mentais dos seres humanos para programa-las como se estas fossem. Por fim, estas noções da realidade não devem ser negligenciadas, é direito e dever de cada indivíduo tomar conhecimento.  Há um misto de direitos e deveres, e inverter os sentidos nas ações faz surgir conceitos equivocados, e consequentemente surgem leis e mais leis.