A realidade mostra não ser necessário forçar a “massa cinzenta”, para certificar o quanto
a falta de profissionalismo grassa nesse segmento do lado de cá
Está na mesa a discussão para as disputas de mais uma temporada no futebol profissional em Mato Grosso do Sul e as primeiras conversam giram em torno de doze times inscritos. Recentemente, houve uma reunião promovida pela FFMS – Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, na Capital, com alguns dirigentes de clubes objetivando definir os detalhes do certame, previsto para começar no mês de fevereiro próximo.
Até ai tudo tranquilo.
Mas essa politica da boa vizinhança, não perdura, principalmente, quando começam os tropeços. Nem bem a bola começa rolar, já surgem criticas pipocando por todos os lados. Neste contexto, entram no balaio, dirigentes da Federação, Clubes, Imprensa, Arbitragem, dentre outros. O pior é que a conta não fecha e quem acaba pagando o pato e posando de bobo é o torcedor juntamente com patrocinadores, que ficam numa sinuca de bico sem saber para onde e a quem recorrer.
Quem mais padece com a ingerência, trocas de farpas e de insultos, sobretudo duvidosos, são as crianças. Em MS essa realidade é recorrente. Falta transparência nas transações e muito disque disque. Sem credibilidade, não resta outra alternativa a não ser pedir socorro urgente. Até hoje, ainda, os duelos carecem esclarecimentos entre os envolvidos. Por exemplo, por vezes os clubes acusam a Federação por alguns deslizes. Entre esses, árbitros e a comissão disciplinar. Ao término de cada evento, sobram acusações das partes sem um desfecho aceitável. Claro que passado é passado, mas não dá para esquecer o caso recente envolvendo o Naviraiense, na Copa do Brasil, em colocar um atleta irregular para jogar, para em seguida ser penalizada e ser obrigada a deixar o torneio de maneira vergonhosa.
Tem mais, a FFMS afirma só intermediar a realização do Campeonato Estadual, pois obedece decisão soberana dos que dirigem e se reúnem em Congresso Técnico e, por ai vai. Tem mais: torcedores ficam malucos nos estádios quando se anuncia o número de espectadores presentes numa praça esportiva, com a soma dos borderôs (catracas). Enfim, falta efetivamente, transparência e sobram duvidas. São inúmeras situações que parecem inacreditáveis que permeia a modalidade. Certamente outro assunto que merece ser levado em conta é a falta de alternância na presidência da Federação de Futebol de MS.
É preciso abrir diálogo para buscar e entender a realidade do futebol profissional do Estado, que agoniza e, que, por isso, faz-se necessário colocar um ponto final nessa nuvem negra que se formou há muito tempo. Alguma coisa tem que ser feita com urgência para mudar o quadro que ai se apresenta.
Exemplos para alcançar êxito, são inúmeros. O principal, é apresentar balancetes do que entra e o que sai nos cofres tanto da Federação quanto dos Clubes. Enquanto o MS tenta estancar a veia doentia da Série A, o vizinho MT dá as cartas e joga de mão. Como se cria pouco no Brasil e, muito se copia, seria de bom grado conhecer “in loco”, como a modalidade esportiva é desenvolvida em Rondonópolis, Sinop, Primavera do Leste e Lucas de Rio Verde. Ter humildade para estender o tapete vermelho, nesses centros interioranos. Admitir e copiar o sistema administrativo da Federação de Futebol de Mato Grosso, com sucesso dos seus times.
Audiência Pública
Tendo por objetivo principal esclarecer possíveis pontos obscuros poderia, com toda humildade, promover uma Audiência Pública, colocando frente a frente dirigentes da Federação, Clubes, Imprensa, arbitragem e quem se interessar, não para discutir apenas, mas colocar os pingos nos “is”, e todos remarem na mesma direção, independentemente, de direção das águas dos rios. Como acredito que as coisas estão no eixo, não vejo nenhuma anormalidade, se deputados, vereadores, entidades sindicais acatassem essa sugestão e, antes da bola rolar, ano que vem, esse imbróglio, contemplasse a verdade. A única posição, ainda indefinida, no roteiro pela corrida ao topo da principal divisão futebolística é fazer chegar aos estádios bons jogos, que vão levar muito mais torcedores e isso faz muito bem aos cofres da federação e dos clubes.
Com este cenário, mais do que nunca, seria interessante a OAB/MS, Gaeco, Assembléia Legislativa, Câmaras de Vereadores, MP, demais entidades organizadas auxiliarem no propósito de formar uma força tarefa com único fito: sanar a podridão existente no futebol profissional sul-mato-grossense.
* O autor é Jornalista - [email protected]