Concluídas as eleições de 2014 e a pausa tradicional até o carnaval, inicia-se, na prática, a campanha para as eleições de 2016, que irão eleger prefeitos e vereadores. Não se trata daquela campanha vista nas ruas, como propriamente conhecemos, mas de mobilizações internas, entre os partidos, gestores e possíveis candidatos.
A mobilização antecipada não é bem vista pelos eleitores, ainda mais quando o postulante já ocupa um cargo eletivo, mas por outro lado, alianças, decisões e acordos feitos de última hora resultam, em grande parte dos casos, em candidatos despreparados, equipes amadoras e resultados pífios, quando não, em caso de sucesso eleitoral, em gestões medíocres.
O exercício de um cargo executivo ou legislativo exige grande preparo. Enfrentar uma corrida eleitoral também. Apesar de desagradar aos eleitores, essa mobilização mostra o interesse e o quanto o candidato está se preparando para as eleições e para atender as necessidades da população, caso seja eleito.
Cada um tem sua estratégia, mas em geral, as etapas iniciais compreendem pesquisa junto ao eleitorado, levantamento de necessidades e desejos da população e diagnóstico do cenário local. É nesta fase que o candidato inicia seu preparo e se torna capaz de construir propostas além do óbvio saúde-educação. Na sequência vem os treinamentos para "lapidar" a imagem. Espera-se chegar ao final de 2015 já com uma definição de quem será o candidato, possíveis alianças e prováveis estratégias a serem adotadas na campanha. Desde o início, o postulante conta com o apoio de profissionais que irão conduzir esta pré-campanha, sem a necessidade de grandes investimentos, o que viabiliza a execução dessas etapas.
Apesar da rejeição do eleitor, responder às pesquisas é a melhor forma de dizer quem ele quer como candidato e quais devem ser suas propostas. Com base nestas consultas populares, o futuro candidato tem condições de elaborar propostas e montar uma equipe capaz de formular um plano de governo e uma administração de acordo com a expectativa do eleitor.
Assim como um produto a ser vendido nas prateleiras, um bom projeto de marketing nem sempre é a garantia de sucesso nas vendas, mas aumenta significativamente as chances de tudo dar certo.
Por outro lado, conduzir um processo eleitoral de forma amadora, com decisões em cima da hora e sem preparo e prévio estudo do cenário local, pode resultar em duas formas de prejuízo: o candidato não ser eleito ou o eleitor não ser bem representado.
* O autor é Jornalista, consultor de marketing político e diretor da Clipp Comunicação.