Quando eu escrevi o prólogo de “Porta Aberta” (A minha História de Amor), chamou a atenção de alguns amigos a fotografia onde eu apareço com um cigarro na boca. Fui criticado. Mas cearense não deixa crítica sem rebate e, advogado, réplica sem tréplica.
Há que se situar no tempo. Aquela foto é do longínquo 1978. Eu sou dessa nossa geração onde fumar era normal, ou mais, a gente era induzido a fumar pela propaganda na tv. O homem bonito, ficava ainda mais bonito se usufruisse do prazer de fumar. Até Roberto Carlos cedeu “O Portão” para o belo videoclipe da Souza Cruz. Aventura é “o mundo de marlboro”. Sabor de ação é “continental preferência nacional”. “Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. Eis a gênesis da lei do Gerson.
Mas, “o importante é ter charm”.
Nós somos da geração pós-guerra. Nós somos da geração onde tudo aconteceu com o extraordinário avanço das ciências. Somos a vanguarda do mundo. A nossa geração cantou
Nós vimos Martin Luther King, John Kennedy e John Lennon serem assassinados. Vimos, sem entender, o que aconteceu com Ayrton Senna, Bruce Lee, Sharon Tate, Princesa Diana, Kurt Cobain, Michael Jackson , Os Mamonas Assassinas e Elis Regina.
Sentimos o frio da “guerra fria”, assistimos à queda do muro de Berlim e o advento da Perestroika de Gorbarchev.
Repugnamos os atos extremos quando sentimos tremer o chão de Manhattan no 11 de setembro ou quando desfaleceram “as ovelhas” de Jim Jones em algum ponto da Guiana.
Fomos hóspedes de dois séculos, vinte e vinte e um. Já vimos sete papas e presenciamos a passagem do cometa Halley. Acompanhamos Neil Armstrong com seu “pequeno passo” passeando na lua.
Nós usamos cabelos longos, camisa xadrez com gola de sete centímetros, calça apertadíssima; sapato com plataforma e salto alto. Usamos também calça “saint tropez”; pantalona ou “arranca touco”.
Vimos o Brasil ganhar todas as suas cinco copas do mundo. Testemunhamos a angústia de Andrada no Maracanã diante do Rei Pelé.
Somos os últimos representantes da última geração romântica da terra. Nós somos da geração Paz e Amor, batizada na lama de Woodstock.
Somos do tempo da brilhantina. “Jeca Total”.
“Não me leve a mal, vou beijar-te agora, hoje é carnaval”. Somos, sim, os palhaços do Zé Keti e a última prova das lágrimas do Arlequim.
Somos Heidegger “passado, futuro e presente”. “Os amores na mente, as flores no chão, a certeza na frente, a história na mão”.
Somos “os filhos de Boby Dylan, clientes da coca cola”.
“Linda McCartney, quero o seu amor”.
Nós tomamos homéricos porres de cuba libre, hi-fi, chuvisco e ponche. A nossa geração bebeu e fumou “paca”. Mais que todas. E também viajou na “BR
Nós somos da geração do “impossível”.
Assim, que não se cause estranheza, meus amigos, em 1978, o “charm” da minha boca. Mormente se apagado.
Ademais, a nossa geração foi o “avesso do avesso do avesso do avesso”.
“E, para aquele que provar que eu to mentindo eu tiro o meu chapéu”.
* O autor é advogado em Dourados,MS