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Opinião

ARTIGO: Educação, a greve é necessária

24 de maio 2015 - 11h14 Por Enio Ribeiro de Oliveira
ARTIGO: Educação, a greve é necessária

No dia 23 de maio, em Assembleia realizada na sede da Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado de Mato Grosso do Sul (FETEMS), foi tomada a decisão de iniciar uma greve na rede estadual de educação (professores e funcionários administrativos), a partir do dia 28 de maio, aliás por tempo indeterminado.

Decisão tomada porque o governador Reinaldo Azambuja se recusa a pagar 10,98% de reajuste salarial (reajuste previsto em lei) para os professores e de não conceder reajuste salarial nenhum aos funcionários administrativos das escolas estaduais. Os funcionários administrativos têm a sua data base no mês de maio (data de negociação salarial).

O governador está alegando que o cenário nacional é de recessão e por este motivo o Estado de Mato Grosso do Sul não pode conceder aumentos na folha de pagamento dos funcionários públicos estaduais.

Discordo deste discurso tendo em vista que em 2008, ano em que foi aprovada a lei estabelecendo um piso salarial para os professores no Brasil, o nosso País estava registrando índices de crescimento de 5% a 6% do seu Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, prefeitos e governadores naquele período realizavam protestos em Brasília dizendo que não poderiam adotar o piso nacional salarial para os educadores. O País continuou tendo o seu PIB crescendo até o ano de 2013, e mesmo assim, governadores e prefeitos continuaram e continuam fazendo o mesmo discurso.

A verdade é bem outra, para prefeitos e governadores a educação não é prioridade. Sabemos que o número de novos ricos no Brasil aumentou e muito e que o faturamento dos bancos e grandes grupos econômicos nos últimos dez anos cresceu astronomicamente. Dito em outras palavras, a maior parte de riqueza gerada no Brasil foi abocanhada por poucos. Dentre eles, o próprio governador Reinaldo Azambuja, o qual, dentre os governadores eleitos em todos os estados brasileiros, é o mais rico.

Acrescento ainda que no ano passado o índice de crescimento do PIB de Mato Grosso do Sul foi o maior do Brasil e foi comparado aos índices de crescimento chinês. Tais dados foram amplamente divulgados na imprensa estadual.

Além disso Reinaldo Azambuja, na abertura da 51ª Feira Agropecuária de Dourados (EXPOAGRO), em Mato Grosso do Sul, na semana passada, quando esteve prestigiando o evento, declarou que apesar do conjuntura nacional ser de recessão, o nosso Estado não está vivendo uma crise.

Aos colegas educadores e a sociedade sul-mato-grossenses de maneira geral, aproveito para fazer as seguintes reflexões:

  1. nas últimas eleições para presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e estaduais eleitos, infelizmente, os candidatos conservadores, isto é, inimigos dos trabalhadores, registrou um aumento proporcional em relação aos candidatos comprometidos com os trabalhadores;
  2. a pretexto de combater a corrupção na Petrobras, uma campanha de desmoralização, desvalorização e de desmonte desta Empresa foi colocada em curso, tendo o PSDB como o carro chefe desta maléfica campanha. A razão é simples, o PSDB, desde o período que FHC governou o Brasil sempre quis privatizar a Petrobras. Quem não se lembra da forma cruel com que ele tratou os petroleiros na greve da categoria em 1995. Também é público o quanto o PSDB ficou irritado com a instituição do sistema de partilha do PRE-SAL, cujos royalties por lei devem ser aplicados 75% na educação e 25% na saúde e 50% do fundo social na educação. Ou seja, as fontes de financiamento que foram pensadas pelo governo Lula para impulsionar a educação neste País, e viabilizar o piso nacional dos educadores, o PSDB junto com outros partidos conservadores tratou de inviabilizar, patrocinando uma campanha de desmonte da Petrobras. Agora querem que os educadores sejam os penalizados em virtude da ação predatória do PSDB a Petrobras. Aliás desmoralizar a Petrobras, uma estratégia, a meu ver do PSDB e demais partidos conservadores, para favorecer os grandes grupos econômicos comprarem as ações da Empresa em baixa, uma espécie de privatização branca.
  3. Está em curso um processo de avanço das políticas neoliberais no Brasil, as quais se traduzem em retiradas dos direitos trabalhistas, arrocho salarial, aumento de impostos, terceirização, etc. Alegam os gestores que o País está em crise, mas em verdade, o que existe é uma concentração exacerbada da renda, cuja conta os governantes querem que os trabalhadores paguem por ela.

Diante dos argumentos que acima apresentei, eu que estive presente a assembleia histórica da Fetems, na qual foi tomada a decisão pela greve, confesso que no momento da decisão fiquei arrepiado pois, sei muito bem que uma greve se materializa na prática em muito sofrimento, suor, lágrimas e conflitos. Mas recorrendo a Fidel Castro que assim se expressou: “um povo que não luta pela sua liberdade não a merece”, a conclusão é: as nossa conquistas resultarão dos nossos esforços e da nossa luta, ou não acontecerão.

Então o que estamos esperando? Todos à greve.

*O autor é professor de geografia e de sociologia na Escola Estadual Menodora Fialho de Figueiredo