Talvez a falta de paciência seja um dos pilares para se alcançar sucesso nesse
segmento popular e que arrasta multidões se bem conduzido
Outro dia, ouvindo o programa de esportes da Rádio Grande FM, acompanhava os comentários dos apresentadores Tata Cavalcante, Paulo Wagner, Vanderlei Miguel, Campo Santiago e do empresário Sidney Piteri Camacho, convidado.
Eles discorriam sobre possíveis falhas na condução desse segmento tão apaixonante e que arrasta multidões em nossa cidade, via de regra, no estado. No diálogo, surgiu a pergunta: você saberia explicar por que o futebol de Mato Grosso do Sul agoniza? É fraco e bagunçado? Quais as razões para o Estado ser esquecido nesse campo em nível nacional? Em um dos questionamentos, eles explanavam sobre a participação do poder público na condução e execução de projetos capazes de alavancar o futebol em nosso Estado.
Um dos apresentadores dizia que verba tem, o que falta na verdade é planejamento. “Também presto assessoria parlamentar para um vereador e nunca vi um dirigente de equipe discutir o assunto na Câmara Municipal de Dourados, recurso existe, o que falta é saber trilhar o caminho de maneira correta”, observou Vanderlei Miguel. Pensamento que particularmente concordo. Ausência dos dirigentes em pedir auxilio. Aqui cabe o versículo bíblico do livro de Tiago que diz: “Pedis e não recebeis porque pedis mal, para o gastardes em vossos prazeres.” - Tiago 4.3
Também concordo com o ceticismo do empresário de que o poder público não ajuda porque não existe demonstração de interesse. Faz-se necessário, a criação de equipes especializadas para discutir um projeto amplo na área, para discutir e criar meios legais, com vistas a gerir a modalidade esportiva, dando-lhe a devida atenção para atrair cada vez mais novos adeptos.
O exemplo tem que vir de cima, alicerçar com dignidade e principalmente ousar, sem receio de possíveis fracassos que possam sobrevir em caso de não chegar ao pódio logo nas primeiras investidas.
No caso dos municípios, o prefeito pode discutir com a sociedade sobre destinar um percentual da receita para pasta de esporte de seu município, diluindo partes no amador e também no profissional, porém, tudo com transparência e publicidade.
O problema todo do insucesso recai exatamente na junção de três letras: ego, esse é o cara que sai caro. Outro obstáculo a ser considerado e que atrapalha em muito é a reserva coletiva. A responsabilidade não deve ser tratada com desdém e sim com respeito e foco para se alcançar o objetivo.
Esse modelo de fazer futebol em Mato Grosso do Sul pode até aflorar, mas vai custar caro e não vai chegar a lugar nenhum. Esse assunto é discutido amplamente mas de maneira periférica. Outro erro, quantos profissionais efetivamente vivem desse mercado? No MS pouquíssimos. Pasmem os leitores, mas um dos profissionais na área é o por enquanto eterno presidente da FFMS.
Em Naviraí, o presidente do Naviraiense, o empresário Fabio Chagas, não vive do futebol. A maior divisa da receita advém do poder público, da Prefeitura e da Câmara Municipal. O município é um bom exemplo. Lá, o prefeito é o primeiro a vestir a camisa e ir para arquibancadas gritar o nome de seu time quando há jogo. Em Naviraí o que falta é mais ousadia, gente com penetração em clubes de médio porte, para estremecer ainda mais a apaixonada e exigente torcida.
E os demais presidentes das equipes da Série A? E mais, quantas equipes venderam ou emprestaram atletas para o mercado nacional e internacional nas últimas décadas? Culpar alguém? Não! Olhar para trás e viver do passado não adianta.
O MS é dotado de boas praças esportivas que podem perfeitamente receber espetáculos grandiosos. Colocar o dedo na ferida dói, além de machucar ainda mais. Vamos ter a humildade de vestir a couraça da decência e colocar esse bonde na direção certa sem temer as alturas.
* O autor é Jornalista - [email protected]