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OPINIÃO: Ciclovia ou ciclofaixa? Qual a melhor opção?

14 de julho 2015 - 12h22 Por Mauricio Roberto Lemes Soares
OPINIÃO: Ciclovia ou ciclofaixa? Qual a melhor opção?

mauricio Fernando Haddad, atual prefeito de São Paulo – a maior e mais movimentada cidade do Brasil – colocou em pauta uma discussão muito importante no campo da mobilidade urbana após a inauguração da controversa ciclovia na Avenida Paulista. Amada pelos ciclistas – seja por hobby, atividade esportiva ou laboral – e odiada pelos motoristas, essa notável modificação da urbe traz consigo uma série de questionamentos em um mundo onde a palavra “inclusão” tem encontrado seu lugar no “cotidiano nosso de cada dia”.

Quando um fato relevante acontece no centro sócio-econômico-cultural de um país, a reverberação chega ao seu interior com força e legitimidade, pipocando mudanças em várias esferas. Ao menos essa tem sido uma lógica brasileira recorrente. Apesar das especificidades locais serem resguardadas mediante sensatez e orientação política, penso que a interiorização, ou transposição da “ciclovia da Paulista”, deve ser vista com muito cuidado.

Com a expansão do tráfego motorizado a partir da primeira metade do século XX, a bicicleta começa a perder seu lugar nas vias públicas, ou dependendo do olhar, a ganhar espaços exclusivos para sua utilização: as ciclovias.

Numa análise mais apurada, é correto acreditar que a popularização das ciclovias se deu com base em slogans do tipo “maior segurança ao ciclista” ou “conquista do próprio espaço”. Porém, tal concepção foi construída e mantida sobre alicerces que considero segregadores e contraditórios. Com algumas exceções, em estradas, por exemplo, sua utilização é justificada, mas preocupa-me aqui as existentes em áreas urbanas.

A consolidação dos espaços no trânsito criou uma cultura que dificilmente pode ser revertida: “cada um no seu quadrado”; “não invada o meu que eu respeito o teu”. Nesse sentido, acaba sendo “natural”, ainda que contrário ao Código de Trânsito, o desrespeito mútuo entre motoristas e ciclistas. Um quer excluir o outro do lugar em que se considera “dono”. A reprodução disso está na contramão das políticas inclusivas, pois, não compartilham dos mesmos espaços. Nutre-se apenas o desrespeito; a tradição de que o maior sempre se impõe sobre o menor.

A meu ver, um bom começo para que a reversão cultural se inicie, está na criação, e valorização, das “ciclofaixas”. Elas forçam a cooperação e respeito no trânsito, demonstrando que ambos são veículos. Desconstroem o apartheid urbano. Fomentam a utilização da bicicleta tornando o ser-humano menos sedentário e mais sensível aos meios de transporte alternativos-sustentáveis. E pra finalizar uma questão muito importante: são extremamente baratas para o poder público, visto o pequeno impacto que causa em cidades construídas com privilégios apenas aos veículos automotores.

* O autor é professor contratado na UFGD, vereador de Dourados e ciclista.