Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
14°C
Opinião

ARTIGO: A Marcha para Jesus, o grito dos maus e a força dos bons

29 de setembro 2015 - 13h07 Por Marcelo Mourão
ARTIGO: A Marcha para Jesus, o grito dos maus e a força dos bons

marcelo coluna Como vereador e cristão, fiquei muito feliz em participar, no dia 26 deste mês, da Marcha Para Jesus, que teve como lema “Pela Família e Pelo Brasil”. Os organizadores do evento não poderiam ter escolhido tema melhor. Em um momento em que tantas famílias sofrem com a tragédia das drogas, da falta de diálogo e da desagregação e em que nosso país vive uma crise moral e ética, é gratificante ver que as denominações religiosas fazem o contraponto às manifestações de protesto, que são justas e democráticas, mas que não bastam. As manifestações de protesto apontam os erros dos governos, dos legisladores, levantam bandeiras e defendem posições ideológicas.

Já a união de milhares de pessoas em eventos como a Marcha Para Jesus clamam para que Deus ilumine os governantes e os representantes do povo nas Casas Legislativas sejam justos, honestos e responsáveis. Partem da lógica descrita em Provérbios 29:2: “Quando o justo governa o povo se alegra”. Me emocionei, como membro do legislativo municipal, quando em dado momento da marcha foi solicitado que todos se ajoelhassem e orassem pela cidade. A cidade não é feita apenas de estruturas de aço e concreto. Ela é feita principalmente de pessoas e penso que as denominações religiosas cumprem um papel fundamental de apoio e conscientização e devem sim se preocupar com a política, incluindo-a nas suas ações, como fizeram os organizadores da Marcha. Elas não devem fazer campanha eleitoral, posto que vivemos em um estado laico, mas devem reconhecer e mobilizar as comunidades nas quais estão inseridas para que prevaleça a boa política.

No caso das famílias, foi emocionante ver pais com bebês de colo, crianças de todas as idades, jovens e adolescentes, em uma união de gerações rezando/orando para que Deus abençoe a cidade. Com certeza muitos dos que ali estavam fazem parte de entidades de classe, de associações e nas próprias congregações onde atuam exercem liderança, sendo agentes multiplicadores do desejo cristão de que tenhamos famílias vivendo em paz e harmonia e um país melhor. Só teremos famílias melhores se, apesar da correria do dia-a-dia, arranjarmos um tempo para mostrar aos nossos filhos o bom caminho, afinal serão eles que, no futuro, estarão ocupando cargos públicos, contribuirão para o crescimento e desenvolvimento da cidade seja na condição de empreendedores seja na condição de funcionários. Só teremos famílias melhores principalmente se atentarmos sempre para o fato de que somos o espelho no qual nossos filhos se miram e sermos de fato exemplo.

E como teremos um Brasil melhor, anseio não apenas dos participantes da Marcha, mas de todos os brasileiros? Teremos um Brasil melhor quando “os justos governarem”. Os problemas sociais e econômicos que o país vem enfrentando decorrem em boa parte do egoísmo de pessoas que, com poder de mando, aproveitam de seus cargos para atenderem seus interesses pessoais. O dinheiro que escoa pelo ralo da corrupção poderia diminuir as filas nos postos de saúde, poderia dar teto a famílias que se espremem em cortiços e favelas, poderia ser aplicado na prevenção e tratamento de dependentes químicos, poderia proporcionar segurança às famílias, cada dia mais “presas” em suas próprias casas e sob o jugo da bandidagem, como acontece em algumas comunidades do Rio de Janeiro. O que falta a esses mandatários, que geralmente recebem salários razoáveis e que a esses salários acrescentam propinas, é fé.

A pergunta que não quer calar: como mudar esse quadro, como passar o Brasil a limpo? Só “gritar” não basta. É preciso que aqueles que acreditam na boa política, que os homens e mulheres de boa fé, ocupem os espaços de poder nos governos estaduais, nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e na Presidência da República. Nesse sentido as denominações religiosas, ao incluírem a política nas suas orações e ações, cumprem um papel fundamental, que é estimular essa ocupação de espaços.

Encerro este artigo com a frase lapidar de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

* O autor é vereador em Dourados pelo PSD